Comprar e vender pela internet é cada vez mais comum, mas é preciso ficar atento para investir bem seu dinheiro
Seria exagero dizer que 1999 foi o ano que marcou o início da popularização do mercado de ações no Brasil? Talvez não, se levarmos em conta que nascia aí a ferramenta que facilita a entrada de usuários domésticos em negociações, aumentando a participação de pessoas físicas no mercado e, consequentemente, a valorização dos papéis negociados.
Claro que estamos falando do home broker, um sistema de negociação on-line que permite aos usuários cadastrados realizarem operações de compra e venda de ações, opções e mercado futuro sem a intervenção humana, através de um computador conectado à internet. ??É a forma mais segura, barata e ágil para se comprar e vender ações. O home broker foi o grande impulsionador do mercado de investimentos de varejo no Brasil. Sem ele, não seria possível termos um número tão representativo de pessoas físicas investindo?, explica Rodrigo Pulga, diretor-geral do InvestBolsa, o home broker da Spinelli Corretora.
O primeiro passo ? Para começar a investir pelo home broker, é preciso estar cadastrado em uma corretora de valores habilitada para operar nesse sistema. Com a conta aberta, o cliente já está em contato direto com a bolsa e pode verificar cotações em tempo real, caderno de ofertas, gráficos, análises e enviar suas ordens diretamente para a bolsa de valores.
Um detalhe importante é que os mecanismos de análise variam de corretora para corretora. ?A maioria oferece análises gráficas e fundamentalistas. Outras, em troca de uma análise mais detalhada, como a econômica, cobram uma taxa extra ou liberam o serviço de acordo com o volume de negócios movimentados pelo cliente?, explica Alexandre Luiz Mazzei da Costa, autor do livro Memórias de um operador de home broker.
Recordes ? Os números das negociações via home broker já bateram vários recordes na Bovespa, o que mostra uma sensível mudança cultural do brasileiro, de acordo com Rodrigo Pulga. ?Em um ambiente inflacionário, como o que tínhamos antes de 1994, o brasileiro não conseguia planejar seus investimentos a longo prazo. Mas com a estabilidade de nossa moeda, esse panorama mudou. Percebendo isso, foi lançado um programa de popularização da bolsa, o Bovespa Vai Até Você. Depois veio o home broker, que eliminou a necessidade de elevadas somas de dinheiro para investir, trazendo a bolsa para perto do brasileiro de classe média?, conta.
NÚMEROS DA NEGOCIAÇÃO VIA HOME BROKER | Agosto/08 | Setembro/08 | Outubro/08 | Novembro/08 |
Volume total negociado | R$ 21,79 bilhões | R$ 30,01 bilhões | R$ 35,15 bilhões |
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Volume médio diário | R$ 1,04 bilhão | R$ 1,36 bilhão | R$ 1,53 bilhão |
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Valor médio por negócio | R$ 9.352,15 | R$ 9.352,15 | R$ 8.437,59 |
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Quantidade total de negócios | 2,30 milhões | 3,21 milhões | 4,16 milhões |
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Média diária de negócios | 109.730 | 145.849 | 181.116 |
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Participação no volume financeiro dos mercados de ações da bolsa | 9,28% | 12,87% | 15,08% |
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Quantidade total de negócios | 23,21% | 25,01% | 26,98% |
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Número de investidores com ofertas alocadas | 151.169 | 173.668 | 206.869 |
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Número de corretoras que oferecem o serviço | 60 | 59 | 59 |
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Bruno Di Giorgio, gerente do BanifInvest (o home broker da Banif Corretora), destaca outro aspecto, que segundo ele não pode ser deixado de lado na hora de avaliar, pois cada vez mais investidores utilizam a ferramenta. A geração dos 20-30 anos, que cresceu com a internet, está começando a se estabilizar no mercado de trabalho e melhorar o rendimento de suas finanças. ?Esses jovens ainda são solteiros e mais abertos a riscos, pois normalmente moram com os pais e não têm tanta responsabilidade financeira com a casa. Para rentabilizar seu dinheiro, vão para a bolsa, mais precisamente para o home broker, pois já estão habituados com operações via internet?, justifica.
O crescimento do mercado também se deve à tendência de que o investidor pessoa física se torne mais independente, pela própria correria do dia-a-dia. ?E o home broker permite que você faça operações a qualquer hora do dia. Embora a bolsa só funcione em horário comercial, você pode tranquilamente chegar em casa à noite e enviar uma ordem ao sistema, que fica em stand-by até a abertura do pregão do dia seguinte?, lembra Bruno.
Experiência ? O sistema de home broker é muito simples de utilizar, semelhante a qualquer operação financeira realizada via internet.No entanto, é recomendado que usuários iniciantes conheçam as regras de mercado, de negociação, o perfil da empresa que pretendem comprar os papéis, além de escolher uma corretora que tenha estrutura para auxiliá-lo no início.
Atualmente, existem diversos cursos que podem ensinar os conceitos básicos para quem deseja começar a investir no mercado de renda variável, além de diversas comunidades na internet e publicações que podem auxiliá-lo. ?Caso o investidor não tenha conhecimento da operação que está realizando, sempre recomendo que não realize e procure informações sobre o que deseja fazer?, lembra Bruno.
Vantagens e riscos ? A principal vantagem do home broker é a possibilidade de pequenos investidores aplicarem na bolsa de valores. Por ser um sistema sem intervenção humana, os custos operacionais do sistema possibilitam ao cliente realizar operações com uma taxa fixa de corretagem. Até pouco tempo atrás, não era possível realizar uma operação com quantias baixas, sendo inviável para o investidor de pequeno porte operar na bolsa.
Por outro lado, pessoas que não têm tanta habilidade com a ferramenta podem efetuar compra no lugar de venda ou vice-versa, comprar um ativo que não gostaria de adquirir. Essas operações por engano são o maior risco, pois uma vez enviada essa ordem, não há como voltar atrás. O investidor também dependerá de sua conexão com a internet. Se ela cair, terá de ligar para a corretora. Mas hoje em dia isso é cada vez mais raro.
Corretoras ? Uma das grandes dúvidas dos investidores é qual corretora escolher entre as mais de 50 opções disponíveis. Afinal, o que levar em conta na hora da decisão? Diversos pontos podem ser analisados, como as taxas cobradas por corretagem, ativação, inatividade, custódia e depósito inicial. O usuário também deve considerar os serviços disponibilizados, os tipos de ordens oferecidas, ferramentas de análise e negociação, etc.
Confira o checklist de Rodrigo Pulga com os principais pontos a serem considerados na hora de escolher seu home broker:
» Onde estou investindo ? Quem é a corretora que está por trás do home broker? Há quantos anos está no mercado?
» Serviço e atendimento ? Como é o atendimento da corretora? Consigo ligar e ser atendido prontamente? Tenho outras formas de me comunicar além do telefone? Tenho análises com qualidade? Posso falar diretamente com um analista?
» Ferramentas ? Tenho um sistema de analise técnica e gráfica gratuito? Tenho opção de ver cotações e colocar ordens através de celular? A ferramenta disponível atende minhas necessidades?
» Estabilidade ? O sistema está sempre no ar? A corretora é capaz de fornecer um relatório de downtime (tempo fora do ar)?
» Preço ? A média está por volta de R$ 16 reais por ordem executada. E a maioria das corretoras cobra custódia mensal.
Perfil ? Alexandre Mazzei acredita que, antes de tudo, o usuário de home broker deverá descobrir qual o seu perfil, pois todo investidor de renda variável precisa estar atento às tendências do mercado.
Para o investidor de longo prazo, ele recomenda que não compre em patamares históricos do Ibovespa, e sim aos poucos, fazendo aportes mensais e verificando as tendências. ?Numa tendência de baixa, não é indicado comprar, mas esperar o melhor momento de compra. Já na tendência de alta, é recomendado comprar, mas sempre aos poucos?, explica.
Nas crises, é necessário ??ficar líquido??, ou seja, vender tudo e aguardar. ?Atualmente, eu aconselharia o pequeno investidor, com perfil de longo prazo, a começar a comprar, mas aos poucos. Caso ele descubra, através de leituras e análises gráficas, que a tendência de baixa persiste, é melhor aguardar um pouco mais para fazer outros aportes?, justifica.
Para o investidor mais experiente, é aconselhável operar ?vendido?, que é comprar e lançar as opções acima ou abaixo do preço de mercado, retirando dinheiro dele. ?No entanto, estse tipo de investimento só é aconselhável aos mais experientes, pois o mercado de opções é de altíssimo risco?, atenta.
Já para o investidor de curto prazo, o conselho de Alexandre é para tomar muito cuidado para não deixar esses investimentos ficarem para longo prazo, pois recursos de curto prazo não podem ser deixados para longo prazo e vice-versa. O investidor de curto prazo também deve estar atento às tendências do mercado.
Invista melhor ? Para terminar, Bruno Di Giorgio revela dicas fundamentais para qualquer investidor, principalmente aqueles que operam via home broker. Acompanhe:
1. Busque conhecimento sobre o mercado de renda variável. Hoje, existem pessoas que começam a operar sem saber direito o que é a bolsa, quando existem vários cursos, livros, revistas e informações disponíveis.
2. Não caia em boatos de fóruns e grupos de discussões, que dizem, sem fundamento algum, que tal ação vai subir, muitas vezes de má fé, para promover um papel que desejam vender.
3. Os investidores menos experientes acabam se influenciando por isso, numa perspectiva de lucro rápido e fácil. É fundamental realizar as operações com fundamentos, e não com boatos.
4. Sempre use os mecanismos de defesa que o sistema disponibiliza para prevenção de prejuízo, como os stops, que são ordens programadas com exposição máxima ao risco definida.
5. Não tenha medo do prejuízo, desde que controlado (2%, por exemplo). É fundamental passar da posição de torcedor para a posição de investidor.


