Para liderar melhor, vá pra escola

O líder que é líder, não por imposição do cargo mas pela coerência da prática, fatalmente, é pai de muitos rebentos. Porque assume para si a prazerosa responsabilidade de enxergar qualidades, estimular ajustes, estabelecer limites, antecipar cenários e apontar caminhos. São seis horas da manhã de sábado e tenho dois dilemas: desafios para minha liderança. O primeiro é sair da minha cama, gostosa e quentinha, imediatamente, antes que as pálpebras cansadas, ressentidas que estão pelas poucas horas de sono da última semana, dêem ouvidos à razão: sábia conselheira.

O segundo, é obter resultados semelhantes de um garotinho de 10 anos, que dorme com aquela expressão angelical que os pais conhecem tão bem.

Certamente, o lado esquerdo do nosso cérebro, reino da razão & cia, tem influência fundamental para o sucesso que temos na vida. Mas, para vencer a minha batalha pessoal com o dilema primeiro, o que pesou mesmo foi o hemisfério vizinho, o direito, recanto das emoções, criatividade e afins.

A conquista seguinte foi obtida com tato: me aproximei de mansinho, depositei um beijo no rostinho daquela adorável criança e disse baixinho, – bom-dia, querido. Após alguns instantes, ele se remexeu preguiçoso e com os olhos pregados de sono, perguntou, – que horas são? – Já são seis e vinte: vamos jogar uma bolinha? Respondi. Foi pimba na gorducha, como diz o Guilherme: gol de placa. E, após o corre-corre rotineiro, lá fomos nós participar dos jogos internos da Escola Bom Jesus, para alunos da 5a. série.

Liderar faz parte das minhas atividades, cujo foco é motivação e vendas, na missão de inspirar pessoas que elegi para toda a vida. E, como fazê-lo sem ter liderança?

Já vi barbaridades serem praticadas com a desculpa de pôr ordem na casa, cumprir metas, motivar e liderar. E creio que, durante o meu aprendizado devo ter sido autor de algumas obras, também.

Mas a questão é: se não fosse pela sinistra ameaça escondida naquele jeito de olhar ou no tom de voz, na pilhéria sem graça, em previsões alarmantes e outros subterfúgios mais, quem e quantos, em plena sanidade, seguiriam os chefes do estilo “prendo e arrebento”, metidos a pretensos líderes?

Na escola a desordem organizada e alegre era a tônica, terreno fértil para aprender sobre liderança. Acompanhei o Gui do campo para as quadras cumprindo à risca o meu papel de paizão, que sou. Lambendo a cria, mesmo que à distância, agradecido por mais esses momentos que o bom Deus nos proporcionou. Que alegria observar aqueles 46 cm que eu vi nascer, lambuzado de vida, indo pra cá e pra lá, brincando em equipe, apontando, seguindo, chorando, sorrindo e recebendo orgulhoso a sua medalha na competição, junto com seus companheiros, um verdadeiro campeão.

O líder que é líder, não por imposição do cargo mas pela coerência da prática, fatalmente, é pai de muitos rebentos. Porque assume para si a prazerosa responsabilidade de enxergar qualidades, estimular ajustes, estabelecer limites, antecipar cenários e apontar caminhos. E faz isso tudo e ainda mais, temperado com humor, firmeza, e por que não, amor.

Afinal, é pai. Que recebe como parte das recompensas, a oportunidade de compartilhar o aprendizado que o crescimento dos seus pupilos proporciona.

Além do meu próprio filho, outras crianças prenderam a minha atenção. Em especial, aquelas que foram esforçadas coadjuvantes em determinado esporte, desajeitadas como patinhos fora d””água. E depois pareciam outras, quando competiram em suas especialidades: de patos na terra se transformaram em cisnes deslizando n””água e também conquistaram medalhas.

Sem dúvida, este é um dos principais papéis do líder: perceber o habitat certo para cada membro da sua equipe, a posição em que a pessoa se identifica mais e vai render melhor. Por outro lado, é do interesse pessoal de cada um ser líder de si próprio e se aprimorar continuamente: autoliderança, em minha opinião, é o primeiro passo para se tornar um grande líder.

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