Para onde foi meu emprego?

Se esta pergunta já não lhe ocorreu por experiência própria, pelo menos você pensou nela relacionada a alguma pessoa próxima a você ou por influência das notícias que a cada dia nos chegam. Os empregos estão mudando de característica, foi-se o tempo em que era sinônimo de carteira de trabalho assinada. Se esta pergunta já não lhe ocorreu por experiência própria, pelo menos você pensou nela relacionada a alguma pessoa próxima a você ou por influência das notícias que a cada dia nos chegam. Os empregos estão mudando de característica, foi-se o tempo em que era sinônimo de carteira de trabalho assinada e os novos postos de trabalho, quando surgem, têm origem na informalidade.

Acredito que muitos de nós estejam confusos com o mundo que criamos para nós no Ocidente pois as confusões decorrentes do capitalismo, cuja contribuição para o nosso bem-estar não está neste momento sendo questionada, visivelmente separam os ricos dos pobres e nem sempre nos leva a um mundo mais justo e melhor de se viver.

Com o crescente número de desigualdades sociais e que geram incertezas e dúvidas, trazem também como conseqüências a redução do número de postos de trabalho que vem se reduzindo a cada ano. O desemprego global e também no Brasil já chega próximo do seu ápice desde a década de 30, crescendo a cada dia.

Dentre os motivos visíveis desta nova era do trabalho, percebe-se que as empresas procuram evitar os altos custos da contratação com carteira assinada e onde, para se estar dentro da legalidade exige-se o cumprimento de diversas regras e ritos inegociáveis, onde uma puxa a outra e onde é impossível obedecer a somente algumas delas sem obedecer as demais, gerando assim altos custos na admissão e demissão por vezes necessários aos ajustes de ciclos de atividade econômica, terceirizando-se parcelas crescentes de mão-de-obra.

Acrescenta-se ao fato de, hoje em dia, não se saber onde são feitos os produtos ou realizados os serviços expostos à competição internacional e onde não há jeito de segurá-las neste ou naquele lugar, e onde nenhuma empresa consegue realizar de forma compensadora todas as atividades das quais depende passando a subcontratação de serviços, ser regra básica para o negócio sobreviver e progredir.

No novo mercado de trabalho encontramos de tudo, trabalho casual, intermitente em tempo parcial ou integral, subcontratado, terceirizado, quarteirizados, realizado em grupos, em cooperativas, por conta própria, por tarefa, por projeto, por obra certa e assim sucessivamente, virando um enigma para quem tenta entendê-lo, e composto por trabalhadores em constante movimento de entra e sai nos mais diferentes meios e ambientes de nossa sociedade.

Os seres humanos acostumados à estabilidade do emprego fixo, em uma só empresa, onde construíram as suas carreiras até se aposentarem, estão sendo desafiados a fazer uma profunda reflexão para poder sobreviver neste novo mundo. O problema é que os que vão se tornar os novos autônomos e os novos iniciadores estão, de maneira geral, malpreparados para a função que se propõe a exercer. São os que foram recentemente demitidos (se é que estavam empregados) e onde passam a ser os descartados da chamada sociedade eficiente. Vai ser necessário uma mudança total de comportamento e um grande incentivo na reeducação para criar o tipo de economia de ””auto-emprego””, sem se contar os milhões de brasileiros e brasileiras que vivem sem proteção social de qualquer tipo de previdência.

De um total de mais de 86 milhões de pessoas consideradas economicamente ativas, somente pouco mais de 26 milhões são contribuintes para o INSS e, o que é mais grave, dos 16 milhões de trabalhadores por conta própria apenas 2,5 milhões preocupam-se em garantir a sua proteção social e a de sua família, vivendo à margem da proteção do seguro social. Nestes estão incluídas aquelas mulheres que, no momento da gestação ou após o parto estariam sem o salário-maternidade; aqueles homens e mulheres que como todos nós estão sujeitos a terem interrompidos o seu ciclo produtivo por doenças ou acidentes de qualquer natureza mas com o agravante de ficarem sem o seu salário e aqueles que, ao final de sua vida laborativa, quer por idade avançada ou invalidez tenham que se tornar dependentes da assistência pública ou de seus familiares porque, enquanto tinham alguma condição esqueceram-se que o futuro passa a ser presente a cada instante de nossas vidas.

Precisamos urgentemente de soluções no sentido de encontrar maneiras de assegurar proteção viável a todos os cidadãos, encarando esta nova realidade e onde ainda se alimentam ilusões de que o governo proverá àqueles que um dia necessitarem de benefícios que substituirão os seus salários. É urgente que nos conscientizemos de que sem contribuição para a previdência não haverá aposentadoria, e que esses milhões de brasileiros estarão sujeitos à ajuda da família ou pressionarão de forma acentuada as contas públicas dos municípios e estados para suprir as suas necessidades elementares de vida.

A discussão deste problema não deve ficar restrita a uma seleta parte da população que tem acesso à informação e tampouco tomar contornos acadêmicos ou ser relegada a embates ideológicos, sob pena de aumentarmos ainda mais a exclusão social em nosso país. O assunto é complexo e não promete milagres, mas merece o estudo de quem se preocupa com a segurança social, o tratamento e o futuro de nossas gerações. O que não podemos é ficar inertes diante do crescimento de indicadores que não devem ser tratados somente como números e estatísticas governamentais. Sem estabilidade social de pouco adiantarão nossos esforços para se consolidar uma estabilidade econômica e, o que é pior, além de perdê-la perdemos a maior conquista de nosso povo, a democracia tão arduamente conquistada.

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