Você está supermotivado, acredita no que faz, trabalha com afinco e, mesmo assim, sua carreira não deslancha. Esse é um erro comum a muitos profissionais: eles fazem muito, mas isso não basta; é preciso que eles sejam vistos fazendo as coisas. Pois você não trabalha para uma companhia: empresas são um amontoado de tijolos, vidro, areia e tinta – e, vá lá, muita papelada burocrática. Você trabalha para outra pessoa, trabalha com outras pessoas. É para elas que você deve mostrar seu trabalho. Seu plano de carreira deve ser pensado, em primeiro lugar, para elas. Se você não costuma fazer isso, não se preocupe: basta um mês para sua carreira começar a andar nos trilhos certos, pelo menos no tocante as pessoas:
Nas duas primeiras semanas procure falar e conhecer pessoas. Se você está começando agora em um emprego, isto é fácil. Porém, se você está já há alguns anos trabalhando em uma instituição, é natural que já tenha formado sua “panelinha”. E você sabe o quanto isso é prejudicial. Três ou quatro grupos que praticamente não se falam, gerando fofocas, brigas e tudo o mais. Com os adultos não é muito diferente. Combata isso, procure conhecer todos que trabalham na sua empresa. Vá além do “bom dia” de praxe. Troque idéias com outros engenheiros, vendedores, administradores, marqueteiros, pessoal do RH. Você ganha muito com isso:
1- Conhecimento das regras não-escritas: toda organização tem as suas. Estudos de empresas norte-americanas mostram que 95% das demissões ocorrem porque uma pessoa não se adapta à cultura da empresa. Sua empresa também tem sua cultura particular. Tenha certeza de aprendê-la;
2- Aumento de credibilidade: as pessoas só confiam no que conhecem. Se você não dá oportunidade para elas lhe conhecerem, pode estar deixando passar uma quantidade enorme de possibilidades. Pior, pode colocar em risco uma imagem construída em anos de estudo. Por mais competente que um vendedor seja, basta um colega o tachar de “antipático” ou coisa parecida para seu currículo não-escrito ganhar uma mancha indelével.
Nas duas semanas que fecham o mês procure falar com seu superior. Diretores, presidentes, encarregados. É muito comum essas pessoas virem até você e perguntarem como as coisas vão indo. Inverta esse processo. Vá até elas, e pergunte como elas estão percebendo o trabalho que você está realizando. Faça uma lista de coisas a serem perguntadas ao seu superior. Por exemplo:
– Meu estilo de trabalho é mais formal (ou mais informal, ou mais participativo, etc.) do que o das outras pessoas por aqui. Há algum problema em relação a isso? Já ouve alguma reclamação?
– Há alguma mudança de fornecedores sendo preparada? Como isso me afeta?
E, acima de tudo, ouça o que a pessoa tem a dizer. Dessa conversa você pode tirar várias idéias, e vai saber exatamente quais são seus limites. Você pode ter a grata surpresa de descobrir que tem a permissão de fazer mais do que pensava – afinal, se nenhum de seus colegas está fazendo aquilo não significa, necessariamente, que é algo proibido. Pergunte, faça, aja.


