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Como vender mais quando você é melhor, mas o concorrente é mais barato?

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Como vender mais

15 desafios para provar valor, defender margens e evitar que soluções superiores sejam tratadas somente como opções mais caras

Vender uma solução tecnicamente superior, mais segura, mais confiável ou capaz de entregar resultados melhores parece uma vantagem confortável. Até a proposta chegar na mão do comprador.

Nesse momento, a superioridade técnica encontra uma realidade menos elegante, o concorrente custa menos, o comprador precisa defender a decisão internamente e alguém pergunta por que deveria pagar mais por algo que, na superfície, parece semelhante.

É aí que muitos vendedores de empresas premium descobrem que conhecer profundamente o produto não significa saber vender valor.

Eles sabem explicar funcionalidades, materiais, processos, certificações, metodologia, tecnologia e diferenciais. Mas nem sempre conseguem transformar tudo isso em uma decisão comercial defensável.

Em vendas consultivas B2B, preço alto não é o principal problema. O problema é cobrar mais sem ajudar o cliente a entender, calcular e defender por que vale a pena pagar mais.

Alguns desafios ensinam isso de maneira particularmente dura.

1. Perder para uma proposta tecnicamente inferior

Poucas derrotas irritam tanto quanto ver o cliente escolher uma solução que você considera pior. A reação inicial costuma ser culpar o comprador: “Ele só olhou preço.”

Talvez tenha olhado mesmo. Mas existe outra possibilidade, sua empresa conseguiu criar superioridade técnica e não conseguiu criar superioridade percebida.

O cliente não compra aquilo que o vendedor sabe que é melhor. Compra aquilo que consegue compreender, comparar e justificar.

O aprendizado é incômodo, a qualidade não se vende sozinha. Se o concorrente conseguiu tornar sua proposta mais fácil de entender, contratar ou defender, ele pode ter vendido melhor mesmo entregando menos.

2. Descobrir que “somos melhores” não é um argumento

Muitas apresentações premium seguem a mesma sequência:

  • Somos líderes;
  • Temos mais experiência;
  • Usamos materiais superiores;
  • Possuímos uma equipe mais qualificada;
  • Oferecemos tecnologia própria;
  • Entregamos atendimento personalizado.

Tudo isso pode ser verdadeiro. Nada disso, isoladamente, obriga o cliente a pagar mais. O comprador precisa entender o efeito prático dessa superioridade.

  • Equipe mais qualificada reduz qual risco?
  • Material superior aumenta quanto a vida útil?
  • Tecnologia própria elimina qual custo?
  • Atendimento personalizado evita qual paralisação?
  • Experiência reduz qual possibilidade de erro?

Diferencial sem consequência econômica é só uma característica mais sofisticada.

3. Ouvir que “o concorrente faz a mesma coisa”

Essa frase costuma provocar duas respostas ruins.

A primeira é entrar em uma defesa longa, tentando explicar todos os detalhes que tornam as soluções diferentes.

A segunda é atacar o concorrente.

Nenhuma resolve o problema central.

Quando o cliente diz que as propostas são iguais, ele está dizendo que ainda não possui critérios suficientes para perceber a diferença. O vendedor premium precisa ajudar o comprador a comparar melhor.

Isso exige perguntas como:

  • O que precisa acontecer para que esse investimento seja considerado bem-sucedido?
  • Quais riscos não podem ser assumidos?
  • Onde uma falha teria maior impacto?
  • Qual será o custo de manutenção, adaptação ou retrabalho?
  • Quem será afetado caso a solução não entregue o esperado?
  • Quais critérios serão usados para comparar as propostas?

Quem vende barato pode sobreviver a uma comparação superficial. Quem vende valor precisa melhorar a qualidade da comparação.

4. Ser pressionado a dar desconto cedo demais

O pedido de desconto raramente significa somente que o preço está alto. Pode significar que o comprador:

  • Ainda não percebeu diferença suficiente;
  • Está testando sua margem;
  • Possui uma meta de redução;
  • Precisa mostrar internamente que negociou;
  • Está comparando escopos diferentes;
  • Não compreendeu todos os custos envolvidos;
  • Não tem segurança para defender sua escolha.

Dar desconto antes de descobrir a origem da pressão pode piorar a venda. Além de reduzir margem, o vendedor confirma a suspeita de que o preço original continha gordura.

Empresas premium precisam negociar condições sem desmontar seu posicionamento. Prazo, volume, escopo, implantação, suporte, garantia, nível de serviço e compromisso de compra podem ser negociados. Mas a concessão sem contrapartida ensina o cliente a pressionar e o vendedor a ceder.

5. Perceber que o contato gostou, mas não conseguiu vender a ideia internamente

Em vendas B2B, convencer uma pessoa raramente basta.

Seu contato pode gostar da solução, reconhecer sua qualidade e até preferir sua empresa. Ainda assim, terá de enfrentar compras, finanças, diretoria, área técnica, jurídico ou usuários internos.

-> Cada grupo fará perguntas diferentes.

-> Compras perguntará sobre preço.

-> Finanças perguntará sobre retorno.

-> A área técnica perguntará sobre risco e desempenho.

-> A diretoria perguntará sobre impacto estratégico.

-> Os usuários perguntarão sobre dificuldade de implantação e uso.

O vendedor consultivo não entrega só uma proposta. Entrega argumentos para que o seu contato consiga conduzir a venda quando o vendedor não estiver presente.

Uma boa proposta premium precisa sobreviver à reunião da qual você não participa.

6. Descobrir que o cliente não sabe calcular o custo da opção barata

Muitos compradores comparam somente o valor inicial. De um lado, uma proposta de R$ 800 mil. Do outro, uma proposta de R$ 650 mil. A diferença parece ser de R$ 150 mil.

Mas essa conta pode ignorar:

  • Menor durabilidade;
  • Manutenção mais frequente;
  • Necessidade de equipe adicional;
  • Falhas e paralisações;
  • Perdas de produtividade;
  • Consumo maior de recursos;
  • Riscos regulatórios;
  • Retrabalho;
  • Integração mais difícil;
  • Suporte limitado;
  • Substituição antecipada.

O vendedor premium precisa ampliar a conta sem manipular os números. Não basta dizer que o barato sai caro. Essa frase virou um esconderijo para vendedores que não fizeram os cálculos.

É preciso mostrar quais custos podem surgir, qual a probabilidade, quem será afetado e qual seria o impacto.

Valor percebido cresce quando o custo total da decisão fica visível.

7. Ter de admitir que sua solução não serve para todos

Empresas premium perdem força quando tentam vender para qualquer cliente.

Uma solução mais sofisticada pode não fazer sentido para uma operação pequena, uma aplicação pouco crítica ou uma empresa que não utilizará seus benefícios.

Reconhecer isso aumenta a credibilidade.

O vendedor consultivo precisa conseguir dizer: “Para esta aplicação, talvez você não precise de tudo o que entregamos.”

Essa frase não enfraquece a proposta. Mostra que o vendedor está analisando o negócio, não só defendendo o próprio produto.

Posicionamento premium exige seleção. Quando tudo é oportunidade, o valor perde nitidez e a equipe comercial começa a disputar negócios nos quais sua superioridade não produz vantagem relevante.

8. Aprender a falar sobre riscos sem espalhar medo

Muitas soluções premium justificam parte do preço pela redução de risco. O erro aparece quando o vendedor exagera ameaças para assustar o cliente. Isso pode funcionar uma vez, mas enfraquece a confiança.

Risco precisa ser tratado com precisão:

  • O que pode acontecer?
  • Com que frequência?
  • Qual seria o impacto?
  • Como a solução reduz a probabilidade?
  • Como reduz as consequências?
  • Que evidências sustentam essa afirmação?

O objetivo não é fazer o cliente temer o concorrente. É ajudá-lo a entender o custo de uma decisão mal dimensionada.

Em vendas consultivas, alarmismo substitui argumento. E argumento fraco sempre pede desconto.

9. Entender que excesso de informação pode diminuir valor

Vendedores técnicos costumam responder à resistência com mais informação.

-> Se o cliente não entendeu, acrescentam slides.

-> Se ainda não se convenceu, apresentam detalhes de engenharia.

-> Se pede desconto, exibem certificações, processos e especificações.

O problema pode não ser a falta de informação. Pode ser a falta de prioridade.

Quando todos os diferenciais recebem o mesmo peso, o comprador não sabe quais realmente são importantes.

Uma solução premium precisa de uma tese de valor clara:

  • Qual problema relevante resolvemos melhor?
  • Em quais condições nossa superioridade faz diferença?
  • Quais três evidências sustentam essa afirmação?
  • Qual impacto econômico ou operacional essa diferença produz?

O cliente não precisa conhecer tudo sobre sua solução. Precisa compreender o suficiente para tomar uma boa decisão.

10. Descobrir que relacionamento não substitui justificativa

Relacionamento abre portas, aumenta confiança e facilita conversas difíceis. Mas raramente sustenta sozinho uma diferença relevante de preço.

Seu contato pode gostar de você e ainda escolher o concorrente porque não consegue explicar ao diretor financeiro por que deveria pagar 20% a mais.

Relacionamento ajuda a criar acesso. Valor ajuda a vencer a decisão.

Vendedores experientes às vezes confundem proximidade com preferência comercial. Só percebem o erro quando recebem a frase: “Eu gostaria muito de fechar com vocês, mas não consegui aprovar.”

O relacionamento precisa produzir informação, acesso a decisores, entendimento político e construção conjunta da solução. Caso contrário, vira só cordialidade.

11. Ter de enfrentar uma concorrência que promete demais

Empresas premium costumam competir com fornecedores que garantem o mesmo resultado por menos dinheiro e em menos tempo.

A tentação é responder com outra promessa exagerada. E esse é um caminho perigoso.

O vendedor premium precisa comunicar segurança sem fingir certeza onde ela não existe. Pode explicar:

  • Quais resultados dependem da solução;
  • Quais dependem do cliente;
  • Quais condições precisam estar presentes;
  • Quais riscos ainda permanecem;
  • Como o projeto será acompanhado;
  • Quais indicadores mostrarão avanço.

Prometer menos do que o concorrente pode parecer desvantagem no começo. Entregar mais do que foi prometido constrói um tipo de reputação que concorrentes oportunistas não conseguem copiar.

12. Perder uma venda por entrar tarde demais

Quando a área comercial é chamada apenas para apresentar uma proposta, boa parte da venda já aconteceu. O cliente pode ter:

  • Definido o problema de maneira limitada;
  • Criado especificações baseadas no concorrente;
  • Escolhido critérios que favorecem preço;
  • Reservado um orçamento insuficiente;
  • Decidido separar itens que deveriam ser avaliados em conjunto.

Nesse cenário, o vendedor premium precisa justificar um valor maior dentro de uma decisão desenhada para tornar as propostas parecidas.

O trabalho consultivo precisa começar antes da cotação. Quem participa da definição do problema ajuda a definir os critérios. Quem chega depois recebe os critérios prontos e tenta convencer o cliente de que eles estão errados.

13. Descobrir que seu próprio processo comercial desvaloriza a solução

Uma empresa pode investir anos construindo excelência técnica e destruir parte dessa percepção durante a venda. Isso acontece quando:

  • A resposta demora;
  • O diagnóstico é superficial;
  • A proposta é genérica;
  • O vendedor não conhece o negócio;
  • Os dados apresentados são frágeis;
  • Ninguém confirma os próximos passos;
  • O processo de implantação é mal explicado;
  • O discurso muda entre áreas.

O cliente avalia a qualidade futura pela experiência atual.

Se a empresa vende desorganização, demora e improviso, fica difícil convencer o comprador de que entregará precisão, segurança e desempenho. Preço premium exige experiência comercial compatível.

14. Aprender a defender margem sem tratar o cliente como adversário

Defender preço não significa endurecer a conversa ou repetir que sua empresa não compete por preço.

Essa frase pode soar arrogante quando não vem acompanhada de uma boa demonstração de valor.

A defesa da margem começa muito antes da negociação:

  • Seleção correta de oportunidades;
  • Diagnóstico bem conduzido;
  • Acesso aos decisores;
  • Critérios de compra bem definidos;
  • Cálculo de impacto;
  • Diferenciação relevante;
  • Riscos explicitados;
  • Proposta alinhada às prioridades.

Quando todo esse trabalho não foi feito, o vendedor tenta defender o preço na última reunião. A margem raramente é perdida no momento em que o desconto é concedido. Ela costuma ser perdida durante uma venda rasa.

15. Aceitar que, algumas vezes, a decisão correta é não vender

Colocar o interesse do cliente à frente da venda parece uma ideia bonita até significar abrir mão da receita.

Pode ser necessário recomendar uma solução menor, adiar o projeto ou admitir que outra alternativa atende melhor à necessidade atual.

No curto prazo, isso custa. No longo prazo, cria algo raro em mercados técnicos, confiança na recomendação do vendedor.

O cliente deixa de pensar: “Ele está dizendo isso porque precisa vender.”

E passa a pensar: “Se ele está recomendando, deve haver uma boa razão.”

Empresas premium não constroem reputação apenas pelo que aceitam fornecer. Constroem também pelo que se recusam a vender.

O preço mais alto precisa de uma história melhor e de uma conta melhor

Vender uma solução premium não é decorar uma lista maior de diferenciais. O vendedor precisa conectar superioridade técnica a consequências que são importantes para o cliente:

  • Mais receita;
  • Menos custo;
  • Menor risco;
  • Maior produtividade;
  • Melhor previsibilidade;
  • Mais segurança;
  • Menos retrabalho;
  • Maior vida útil;
  • Implantação mais confiável;
  • Melhor experiência para usuários ou clientes.

Sem essa conexão, a empresa apresenta qualidade e o comprador enxerga preço.

A pergunta que o vendedor premium precisa responder não é por que a sua solução custa mais.

É o que o cliente ganha, economiza, protege ou evita ao escolher uma solução melhor?

Quando essa resposta é específica, comprovável e relevante, o preço deixa de ser uma diferença isolada.

Vira parte de uma decisão economicamente, emocionalmente e psicologicamente defensável.

Quando a resposta é vaga, sobra ao comprador o único número que ele consegue comparar e esse número é o preço.

Resumindo, ou conseguimos construir bem a venda de valor, ou o cliente (corretamente!) vai optar pelo caminho mais fácil, que é pagar menos (mesmo que isso custe mais).

Trabalho redobrado nosso para evitar que isso aconteça e grande ponto de atenção (e de oportunidade!).

Lembre-se: Preço premium é para ser VANTAGEM COMPETITIVA (e não o contrário!).

Abraços premium, boa semana e boa$ venda$,

Raul Candeloro

Diretor

www.vendamais.com.br

P.S.: Se você tem posicionamento premium, com produtos, serviços, soluções e proposta de valor diferenciados e quiser treinar sua equipe de vendas em técnicas de vendas consultivas, entre em contato: raul@vendamais.com.br ou visite meu site: www.raulcandeloro.com.br

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