A Desumanização como Regra

Já está sendo provado que a humanização no trabalho, a descontração e alegria na venda, trazem ótimos resultados.Infelizmente a autenticidade só é aceita vinda de quem já conquistou seu espaço. A ?humanidade? vinda de cima para baixo, comove e encanta. Não o contrário. Diversas vezes foram publicadas notas a respeito da simplicidade de pessoas famosas, que surpreendiam a todos com um repertório sem artificialidade e pompa. Gisele Bundchen foi louvada por, apesar do sucesso, conversar com todos jornalistas, fotógrafos e entrevistadores com a mesma surpreendente singeleza de quem trata com os deuses da moda. Elogios não faltam a poderosos que sabem ser gente como a gente e descem do pedestal para abraçar subordinados, mostrando que quem tem dinheiro também tem sangue correndo nas veias.

Todos estes nobres gestos de humanidade são maravilhosamente adorados por quem os recebe, com um pequeno, mas significante detalhe.

A humanidade vinda de cima para baixo, comove e encanta. Não o contrário. Um diretor de uma grande empresa pode e deve demonstrar seu lado pessoa a quem o rodeia. Pode disparar piadinhas, falar do tempo, cutucar o contínuo com um sorrisinho ingênuo. Para ele, tanto é permitido a nobreza da superioridade, como a banalidade de ser humano. E ele será admirado por todos, que reconhecerão as características deles mesmos e pensarão o quão grandioso e bom é aquele homem que apesar de exercer a suprema liderança, sabe descontrair pessoas e ambientes com sua autêntica simplicidade.

Tente fazer o contrário.

Tente mostrar o seu lado simples e descontraído para sua chefe, na frente de um monte de gente. Tente banalizar um assunto, para quebrar o gelo com o cara que está entrevistando-o para um emprego.

Sei de pessoas que perderam vagas por tentarem amenizar o estresse e a artificialidade de um primeiro encontro de análise. Por quê? Ser simples, ao contrário do que deveria ser, é privilégio de quem pode.

Ser superiormente simples, melhor falando. Quem tem o poder, de uma forma ou de outra se dá ao direito de ser ele mesmo.

Assistente tem de mostrar que conhece palavras difíceis, que é culto e letrado. Falar o mínimo, pois pode ser mal interpretado. Subordinado não fala do tempo com quem está acima, fala de números, valores, projetos. Ninguém ri muito de suas piadas, exceto quem vem de baixo.

Já está sendo provado que a humanização no trabalho, a descontração e alegria na venda, trazem ótimos resultados.

Infelizmente a autenticidade só é aceita, vinda de quem já conquistou seu espaço. Cada macaco que fique no seu galho.

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