Antes tarde do que nunca!

Depois de aposentado, Silvestre descobriu uma vocação: as vendas

O que você imagina estar fazendo aos 60 anos? Muita gente pensa em descansar, viajar, ter um sítio, ou seja, fazer de tudo, menos trabalhar.

Não foi isso o que Silvestre Walchaki escolheu. Depois de sonhar em ser veterinário quando jovem, dirigir ônibus e trabalhar até a aposentadoria na Petrobras, ele descobriu uma nova vocação: ser vendedor. “Na época, eu sentia que ainda tinha um grande potencial para trabalhar devido ao meu conhecimento, mas não especificamente com vendas, pois eu nunca havia tido contato com essa área”, conta o simpático senhor de cabelos brancos, olhos azuis e sorriso fácil.

Hoje, ele trabalha na Colorfix, empresa de pigmentos plásticos, na qual vende matéria-prima para indústrias que desejam colorir qualquer produto feito de plástico. Silvestre não é apenas o vendedor com mais idade, mas também completa 16 anos de empresa e é o campeão de vendas. Para seu gerente, Fábio Fazolim, o segredo está no cuidado com o cliente. “O diferencial é o comprometimento. Ele fecha nosso ciclo todo, que é desenvolvimento, aprovação e venda. E isso vem acompanhado da empatia. Ele consegue muito rápido o carinho dos clientes”, afirma Fazolim, que, antes de ser gerente de Silvestre, já era amigo pessoal dele, do tipo que trocava cartões para aumentar a carteira de clientes.

A experiência e o conhecimento adquirido na refinaria de petróleo só trouxeram benefícios. Atitudes como respeito ao próximo serviram de apoio para conquistar cada comprador. Entretanto, para se tornar vendedor, Silvestre buscou aprender tudo o que podia, desde o início. “A gente tem limitações. Não vejo como um bom vendedor quem diz que sabe tudo em vendas, pois cada dia aprendemos alguma coisa diferente”, conta. O que ajudou também foi o curso Gestão Estratégica em Vendas, em que Silvestre conheceu novas pessoas e entendeu como cada estilo de vendedor conquista clientes. “Eu ficava observando o que cada um fazia para vender e prospectar o cliente e fui somando ao meu conhecimento”, revela.

 

A primeira venda

Nem a experiência de vida livrou Silvestre do frio na barriga causado pela primeira venda. Ele relembra que não sabia ao certo o que iria acontecer nem conseguia identificar o comprador (ele faz questão de frisar que hoje procura o decisor, e não mais o comprador). “Quando falei com o cliente, ele me olhou seriamente e não deu esperança nenhuma. Felizmente, depois da compra, nos tornamos ‘compadres’”, conta, aliviado, como se tivesse feito a venda recentemente. Com o passar do tempo, a amizade só cresceu e o vendedor se tornou padrinho da filha desse cliente.

Depois da experiência bem-sucedida, Silvestre se tornou cada vez mais motivado pelas vendas. “É um trabalho que eu gosto muito e não sabia que tinha esse potencial. É dinâmico e nada repetitivo. Cada cliente visitado tem um comportamento diferente e não sei o que vai acontecer no outro dia”, conta. Isso faz com que ele tenha dificuldade em escolher a venda preferida – gosta de todas, independentemente do tamanho ou retorno financeiro, pois o trabalho para cada uma foi o mesmo.

 

Vida pessoal

Silvestre prefere não comemorar as vendas, mas sim os gols de seus dois times do coração, Paraná Clube e Palmeiras. Quando o assunto é futebol, torna-se rival de seu gerente e amigo, Fábio, torcedor do Atlético Paranaense.

Além de ver a bola em campo, Silvestre é apaixonado por pescaria e o lugar preferido para passar o fim de semana é seu pequeno sítio. Ele cuida das plantas e, principalmente, de suas frutas exóticas, como lichia, rambutã, longana e achachairú (prometo que se procurar no Google, vai encontrá-las!). Mesmo que, por enquanto, essas frutas sejam um de seus hobbies preferidos, a visão empreendedora não fica de lado. “Acredito que a lichia seja a primeira fruta que vou conseguir comercializar devido ao tempo de maturação ser mais rápido. Quando a minha motivação acabar na Colorfix, já sei o que posso fazer”, confessa Silvestre, que, mesmo com 60 anos, não parou de planejar sua vida, sempre buscando trabalhar com alegria em qualquer atividade.

Assim, Silvestre mais uma vez deu a lição de que, depois de aposentado, é possível, sim, descansar, pescar, passear e não deixar de planejar o futuro e buscar novos desafios que tragam satisfação pessoal. Trabalhar com vendas não se tornou apenas uma fonte de renda, mas de motivação.

Perfil

Nome:Silvestre Walchaki

Cargo:representante comercial

Empresa:Colorfix

Há quanto tempo trabalha com vendas:16 anos
Aprimeira venda foi: “Um alívio! Eu estava tão tenso na minha visita ao primeiro cliente que, na hora em que ele disse ‘sim’, me senti muito aliviado!”.

A venda mais importante:“Todas são importantes, independentemente do volume!”.

Sua maior motivação hoje:“Passar em algum lugar e ver um produto que eu ajudei a dar cor, que tem um pedacinho do meu trabalho”.

O que você acha que precisa melhorar:“Preciso me atualizar ainda mais sobre o que está acontecendo no mercado”.

Cliente ideal:“Aquele parceiro, que continua comprando com a gente”.

Como se imagina daqui a cinco anos:“Fazendo algo com o que eu me sinta motivado”.

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