Como promover a mudança? – GV n.24

As empresas brasileiras estão cheias de gente morta?

 

1. Como promover a mudança?

 

As empresas brasileiras estão cheias de gente morta. Em muitas delas, vemos cadáveres ambulantes: gente que morreu e que ainda não sabe. O brilho dos olhos se foi, o fogo apagou, a energia sumiu. Provavelmente já estiveram cheios de entusiasmo, mas depois de tantas chicotadas, desistiram. Morreram por dentro, mas não têm coragem de assumir. Por mais infelizes que estejam, têm medo de arriscar e mudar.

Essa é a grande diferença dos vencedores: reconhecer que para ter sucesso é preciso arriscar-se, e que o risco embute sempre a possibilidade do erro. Decidir finalmente qual a melhor alternativa e agir. Uma vez que “o que” fazer está decidido, o resto fica fácil – é só uma questão de “como”.

Porque o pior pecado que se pode cometer é errar por omissão. Por medo. Por preguiça. Tem tanta gente que fica esperando a oportunidade ideal… e ela nunca surge. Simplesmente porque não existe. Acabam não fazendo coisa alguma. E a vida passa. E acabam morrendo, de verdade, ou pior: por dentro. Já nem sabem mais por que vivem.

Da mesma forma, se uma empresa quiser ter sucesso, deve aceitar erros de seus funcionários. Um ambiente de trabalho no qual qualquer deslize é castigado leva fatalmente à acomodação, à falta de criatividade, à desmotivação. Se os erros se repetirem, é claro que algumas medidas devem ser tomadas. Mas como uma criança que cai ao aprender a caminhar, erros só acontecem porque alguém fez alguma coisa. Já pensou se você castigasse uma criança toda vez que ela caísse? Teríamos uma nação de adultos rastejando.

Quem não aceita erros vive preso num círculo vicioso de mediocridade e desmotivação. Como disse Mahatma Gandhi: "A verdadeira liberdade é a liberdade de cometer erros". Então lembre-se desta regra da vida: se quiser acertar, arrisque-se, erre, aprenda e viva mais.

2. Por que há pessoas que são acomodadas?

Porque não conseguem lidar com a frustração, basicamente.

E por que é que ficamos frustrados? Por que é que temos essa emoção dentro do nosso repertório emocional? Ela certamente não nos traz prazer. Então para que ela existe?

É porque a frustração nos dá foco. Não importa o que a cause, seu propósito será sempre o de estimular ações positivas. Se não tivéssemos a capacidade de nos sentirmos frustrados, teríamos de suportar eternamente esses fatores negativos. A frustração nos mostra que há algo errado, e que temos de agir para mudar isso. Afinal, a frustração só acontece quando a realidade não se encaixa com o que esperávamos da vida.

Quando alguma coisa derrubá-lo, a melhor coisa a fazer é voltar a levantar-se. Pessoas de sucesso passam por tantas dificuldades quanto qualquer um, senão mais. A diferença entre o sucesso e o fracasso não é o número de vezes que você é derrubado. A diferença está na velocidade com que você se levanta.

 

Dificuldades não devem ser desculpas para não tentar – são desafios para avançar. É fácil reclamar quando você sofre um desapontamento. Fácil e inútil. É fácil encontrar algo ou alguém em quem jogar a culpa. Mas isso raramente melhora a situação.

Você tem nas suas mãos todas as habilidades necessárias para ser tudo o que quiser ser. Norman Vincent Peale disse: "Mude seus pensamentos e você muda seu mundo". Entretanto, podemos ir um passo além: mude suas ações, e você muda seu destino.

Suas ações revelam a dedicação e as verdadeiras prioridades na sua vida. Elas criam a substância do seu destino. Suas ações fazem toda a diferença no resultado final e estão completamente sob o seu controle. A qualidade da sua vida é determinada pela qualidade e consistência das suas ações, não apenas de seus pensamentos. Agir sem pensar é ignorância. Pensar e não agir é pura ilusão.

3. Quais são os perigos da acomodação?

 

Num mundo em que temos concorrentes cada vez mais agressivos, consumidores cada vez mais exigentes e condições de mercado mudando a toda hora, a criatividade é sem dúvida alguma um grande diferencial competitivo. Entretanto, a criatividade causa desconforto, pois ela, por definição, muda a forma pela qual vemos o mundo e fazemos as coisas.

Para sobreviver e prosperar em condições cada vez mais complicadas, precisamos aprender a lidar com esse desconforto. Mais do que isso, temos de fazer todos na empresa aprenderem a lidar (e aceitar) as mudanças, e até mesmo encorajá-las e estimulá-las, para não correr o risco de terminarmos rodeados de dinossauros. E quem não conseguir se adaptar será inexoravelmente extinto.

O segredo então é continuar inovando, sem deixar de lado o que já está funcionando. Vamos aprender com nossos erros e continuar fazendo o que vem dando certo, adaptando as novas idéias vencedoras ao que já vem sendo feito. Quem fizer isso com certeza vai ter muito sucesso.

4. Qual é o momento certo para arriscar?

Quando você começar a sentir que estagnou e está perdendo a identidade, deixando de ser indivíduo para tornar-se cópia.

O ser humano tem a tendência de apegar-se a rotinas e hábitos. Alguns saudáveis e positivos, outros nem tanto. De vez em quando, é bom pararmos para questionar se esses hábitos não estão se tornando, na verdade, em correntes mentais. Devemos ser os mestres das nossas rotinas e hábitos, e não escravos. Da mesma forma, normas e procedimentos numa empresa devem ser constantemente revisados, já que muita coisa pré-histórica continua repetindo-se simplesmente porque “aqui foi sempre assim”.

Vejo isso acontecendo constantemente. Ao invés de questionarem, de tentarem seguir seu próprio destino, sua vocação, a maioria das pessoas se adapta, muitas vezes, sofrendo com isso. Fazem as coisas simplesmente porque todo mundo faz, ou porque alguém disse que tem de fazer. Ninguém questiona nada.

Não deixe isso acontecer na sua vida nem na sua empresa. Elimine periodicamente alguns hábitos nocivos, invista nos positivos e, com certeza, o tempo vai passar a ser seu melhor aliado. Lembre-se: você nasceu original – não morra uma cópia.

5. Mudanças são benéficas?

A grande questão é que a imensa maioria das pessoas não tem nem meta definida para começar. E sem isso, não há razão para controlar nada. Então a primeira coisa é entender aonde queremos chegar (metas e objetivos). Só então passa a ter lógica falar sobre controlar eventos e/ou adaptar-se a eles.

Outro ponto importante é que mais importante do que um evento incontrolável acontecer ou não é a atitude com que encaramos o que aconteceu. Dizem que sorte é quando a preparação encontra a oportunidade, mas tem gente que não se prepara (mudanças que você controla) e não aproveita a oportunidade (mudanças que você não controla) por acomodação, preguiça ou medo. E depois reclama que a vida é injusta. Não é – você colhe o que planta.

Então, seja proativo com as mudanças que pode influenciar, planejando e agindo de acordo com seus objetivos, e encare com a atitude correta as mudanças inevitáveis.

6. Como viver com a mudança?

Será que as coisas mudam para melhor ou para pior? Isso depende inteiramente de você. A mudança é neutra. Por si só, ela não é boa ou má. Ela é apenas uma mudança. Se as coisas não mudassem, nada aconteceria em nossas vidas.

Infelizmente, muitas pessoas ficam paralisadas pelas mudanças. Isso faz com que percam muitas oportunidades. O medo do fracasso mantém a maioria das pessoas fora do jogo. Mas, uma vez que você tenha experimentado o fracasso, e mesmo assim tenha se levantado e dado a volta por cima, o que ficará desse medo? Como dizem os chineses, não tenha medo de mudar lentamente. Tenha apenas medo de ficar parado.

Não importa se você está bem preparado, se é inteligente, se tem contatos, ou se tem toda a técnica do mundo – os resultados que você terá dependem completamente das ações que você tomar. Pensamento positivo e foco positivo vão apontar para o caminho certo. Mas é o esforço positivo, sustentado, que vai levá-lo para onde você quer ir.

Algumas pessoas dizem: “Talvez. Eu gostaria. Estou pensando nisso. Estou tentando. Eu queria. Se… Mas…” Outras dizem simplesmente: “Eu vou”.

Quem você pensa que tem mais chances de alcançar seus objetivos?

Pessoas que tiveram sucesso no passado têm mais chances de obterem sucesso no futuro. Por quê? Será porque são mais “sortudas”? Existirá algum segredo? Será que elas descobriram um fórmula mágica para evitar as dificuldades e atrair somente boas oportunidades? É claro que não.

Pessoas de sucesso vivem no mesmo mundo em que todos vivemos, com os mesmos desafios, o mesmo conhecimento e a mesma sorte. A diferença entre o sucesso e a mediocridade não é o que recebemos da vida, mas sim como respondemos a isso.

7. Como cobrar mudanças dos acomodados?

A expressão QA foi criada por Paul Stoltz, consultor da Peak Learning, que entrevistou mais de cem mil pessoas para determinar por que algumas subiam na vida e outras não (e por que alguns empreendedores faliam e outros davam certo). Depois de anos pesquisando e analisando, Stoltz dividiu as pessoas em três grandes grupos profissionais: os escaladores, os que acampam e os que desistem.

Escaladores são aqueles que procuram desafios. Eles recusam-se terminantemente a serem insignificantes. O que eles fazem, e são, é a coisa mais importante em suas vidas. Empreendedores e vendedores são tipicamente escaladores. São 10% da população. Para eles, vale a máxima de Anaïs Nin: “A vida se expande ou contrai de acordo com os riscos que tomamos”.

Os desistentes são aqueles que odeiam riscos – fazem qualquer coisa em busca da segurança. Levam ao extremo uma das principais características humanas, que é o da resistência a abrir mão do conforto, não importa qual seja o preço pago. Quem é o exemplar típico dessa antipatia ao risco? Funcionários públicos e acadêmicos em geral (professores). São 10% da população.

No meio temos os campistas: os que vestem a camisa, mas não muito. Para esse tipo de pessoa, a qualidade do cafezinho servido na empresa é muito mais importante do que se ela está dando lucro ou não. Em caso de risco, ficam em cima do muro. São os 80% restantes da população.

O quociente de adversidade está baseado na forma como percebemos e lidamos com desafios. Pessoas com um maior senso de controle geralmente tem Qas maiores. Elas não culpam os outros por problemas que surgem e assumem a responsabilidade pela sua resolução. E não vêem contratempos como uma mancha no seu currículo. Em outras palavras, escaladores pensam que problemas ocorrem por força das circunstâncias, e não pelo seu caráter pessoal. Finalmente, pessoas com altos QAs acreditam que os problemas que enfrentam são limitados na profundidade e duração (isso também passará), o que permite ações rápidas e eficazes.

O segredo está em ter o máximo possível de talentos escaladores na sua empresa e, principalmente, conscientizar os campistas de que é preciso enfrentar riscos se quisermos crescer.

Só não pode fazer como Samuel Goldwyn, o lendário dono dos estúdios MGM, que certa vez reuniu sua equipe e disse: "Quero que vocês sejam totalmente honestos e critiquem o que eu estou fazendo, mesmo que isso lhes custe o emprego".

8. Quem aceita mais a mudança:

o homem ou a mulher?

Acho que as características individuais são muito mais importantes do que o sexo. Existe uma grande resistência às mudanças. A sociedade tem a sua própria inércia e rejeita a criatividade exacerbada e radical que questiona conceitos arraigados e aceitos historicamente. Isso não está necessariamente errado, mas é um freio, e deve ser levado em conta.

Dentre os fatores psicológicos, de natureza individual, que tendem a promover a resistência à inovação, podemos salientar:

· o conformismo às regras;
· o dogmatismo;
· a baixa tolerância à ambigüidade (tudo tem de ser preto ou branco);
· o medo de correr riscos;
· o medo do desconhecido e lógico, por último,
· o comodismo.

Criatividade é sinônimo de inovar, ou seja, criar algo novo. E todo mundo pode fazer isso, independentemente do sexo. Vygotsky, um expert no assunto, comparou a criatividade com a eletricidade. Diz ele:

"Percebemos que a eletricidade está presente em eventos de diferentes magnitudes. Existe em grande quantidade nas grandes tempestades, com seus raios e trovões, mas ocorre também na pequena lâmpada, quando acendemos o interruptor. A eletricidade é a mesma, o fenômeno é o mesmo, só que expresso em intensidades diferentes. A criatividade se processa da mesma forma. Todos somos portadores dessa energia criativa. Alguns vão apresentá-la de forma magnânima, gigantesca; outros vão irradiá-la, só que de maneira suave e discreta. A energia é a mesma, a capacidade é a mesma; ela é apenas distribuída de forma diferenciada."

9. Por fim, 20 passos essenciais para mudar:

  1. Nunca espere que outros criem o seu sucesso.

  2. Apareça. (Mostre a cara)

  3. Preste atenção.

  4. Faça perguntas.

  5. Peça ajuda antes de precisar dela. Não tente fazer tudo sozinho.

  6. Ajude os outros. Você não terá sucesso a custa do fracasso deles.

  7. Quando atingir seus objetivos, estabeleça novos.

  8. Viva rodeado de novas idéias e pessoas interessantes.

  9. Cuidado com ilusões de grandeza.

  10. Seja leal com amigos e todos aqueles que já o ajudaram.

  11. “Pena de si mesmo” não existe na vida dos vencedores.

  12. Dedique-se a realizar seus sonhos.

  13. Encare a realidade como ela é (não como ela era, ou como você quer que seja).

  14. Pense não apenas em gerenciar a mudança, mas em liderar a mudança.

  15. Mude antes de ser obrigado a mudar.

  16. Controle seu próprio destino, ou alguém vai fazer isso por você.

  17. “Eu não posso” é sinônimo de “Eu não quero”.

  18. Você não precisa gostar de alguma coisa para fazê-la bem-feita. Por isso, tudo o que for fazer, faça bem-feito. Dá geralmente o mesmo trabalho e o resultado é dez vezes melhor.

  19. A curiosidade geralmente ganha da inteligência.

  20. O problema não é o problema.

                Como você encara o problema – esse é o problema.

Lembre-se sempre de que a mudança faz parte do nosso dia-a-dia. Saiba a lidar com ela e, principalmente, a extrair oportunidades e vantagens.

Seja inovador, seja criativo. Vá em busca do sucesso. Não aceite a mediocridade na sua vida e nem na sua equipe.

Cobre resultados mas, mais importante ainda: inspire e incentive a mudança entre os membros da equipe. Não perca a chance de fazer diferente, de fazer melhor.

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