Confira a entrevista com Alexandre Rangel

O diferencial está na forma de transmitir os conceitos, uma linguagem simples, por meio de histórias curtas e metáforas. O entendimento fica mais simples, quando a linguagem é acessível e o processo de retenção é mais efetivo, pois as pessoas guardam na memória as histórias e os ensinamentos nelas contidos.

1) Vamos começar falando um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo melhor. Você poderia nos contar brevemente sua trajetória profissional até escrever O Que Podemos Aprender com os Gansos?

Sou graduado em Economia e em Ciências Contábeis pela Universidade de Pernambuco. Tenho também formação em Psicologia pela FMU e em Coaching pelo Integrated Coaching Institute (ICI). Iniciei a carreira em uma multinacional do setor de auditoria, na qual atuei por oito anos como executivo. Em seguida, trabalhei como gerente nacional em uma empresa líder mundial na produção e transformação de alumínio, na qual permaneci por 17 anos. Desde que deixei o mundo corporativo, há mais de 15 anos, atuo como consultor e coach de executivos. Sou autor do livro “O que Podemos Aprender com os Gansos”, best-seller no Brasil e também lançado em Portugal e na Coreia do Sul. Também escrevi “Tudo o Que Sei sobre Negócios Aprendi com a Pescaria (E Não É História de Pescador!)”. Além disso, apresentei, por 13 anos, o boletim Qualidade e Inovação (que, até 2008, chamava-se Momento da Qualidade) e, por 4 anos, o programa semanal de entrevistas Executivos por Excelência, ambos exibidos na Rádio Bandeirantes AM.

2) Olhando para trás, existe algo que você gostaria de ter sabido ou descoberto antes – alguma lição que teria ajudado a superar ou evitar algumas dificuldades pelas quais passou?

Sim. É a técnica do coaching. O processo de coaching é farto em ferramentas que são muito ricas para auxiliar no desempenho profissional não apenas do coachee (cliente), mas também do próprio profissional que aplica o processo de coaching, ou seja, o coach. Desde 1995, atuo como consultor de empresa, mas somente nos últimos 10 anos encontrei as ferramentas de coaching e passei a aplicá-las. Gostaria de ter utilizado essas técnicas desde o início da minha carreira profissional.

3) Agora sobre seu livro. Com tantos livros sobre Liderança e Relações Interpessoais nas Empresas já disponíveis no mercado, o que o seu traz de diferente?

O diferencial está na forma de transmitir os conceitos, uma linguagem simples, por meio de histórias curtas e metáforas. O entendimento fica mais simples, quando a linguagem é acessível e o processo de retenção é mais efetivo, pois as pessoas guardam na memória as histórias e os ensinamentos nelas contidos.

4) Você poderia nos dar um exemplo extraído do livro que resume as principais ideias e conceitos que você defende?

Eu defendo que as três coisas mais importantes em uma gestão são em 1º lugar a Comunicação, em 2º lugar a Comunicação e em 3º lugar a Comunicação. Uma história simples que mostra como o diálogo é importante é a conversa entre um casal que tomava café-da-manhã no dia de suas bodas de ouro. A mulher passou a manteiga na casca do pão e o entregou para o marido, ficando com o miolo.

Ela pensou: “Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais meu marido e, por cinquenta anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer meu desejo. Acho justo que eu coma o miolo pelo menos uma vez na vida”.

Para sua imediata surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe disse:

– Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante cinquenta anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!

Essa história, de autoria desconhecida, ilustra, para mim, o maior problema encontrado nas empresas: a falta de comunicação entre os setores. Problemas que poderiam ser resolvidos rapidamente, muitas vezes, se agravam, a ponto de causar rupturas internas nas relações pessoais. Quando o caldo entorna e se analisam as causas, o que se constata é a completa falta de comunicação com respeito às reais necessidades e expectativas a serem atendidas de ambas as partes.

5) De maneira rápida e resumida, que tipo de leitor mais se beneficiaria do seu livro? Que tipo de conselhos ou informação deveria estar procurando, ou que tipo de problema estaria tentando resolver?

Sem dúvida quem mais se beneficia são as pessoas que estão em função de liderança e que se preocupam com o desenvolvimento profissional dos seus liderados. Cito, como exemplo, o diretor presidente de uma das maiores empresas varejistas do Brasil, que iniciava as reuniões de diretoria lendo uma das histórias do livro e abria uma discussão sobre os ensinamentos e como colocá-los em prática na empresa. Mas outras pessoas também se beneficiam: professores, profissionais de treinamento, psicólogos, pastores, estudantes, ou seja, é útil para qualquer pessoa que aprecie uma leitura curta, com conteúdos que auxiliem na resolução de conflitos, motivação no trabalho, melhoria da comunicação, harmonia entre membros de uma equipe, liderança eficaz e consciência da importância das pessoas na obtenção dos resultados.

6) Qual seria a primeira coisa que você gostaria que alguém fizesse depois de terminar de ler seu livro, colocando em prática o que foi visto?

Sinceramente, eu gostaria que agissem. Saíssem do âmbito da leitura e colocassem em prática, com ações efetivas, as boas técnicas de gestão (atitudes) sugeridas no livro.

7) Que outros livros ou autores você recomendaria para quem quiser se aprofundar nesse assunto?

Coaching – O Exercício da liderança; Ed. Campus; Marshall Goldsmith

O Líder Coach; Ed. QualityMark; Rhandy Di Stéfano

FYI – For Your Improvement; Ed. Lominger; Michael Lombardo e Robert Eichinger

8) Qual é o maior erro que você vê nas empresas em relação a como a liderança vem sendo praticada?

O maior erro é a liderança não compreender bem o seu papel. O que se espera de uma pessoa que está em uma função de liderança? Quando faço essa pergunta a uma pessoa recém-promovida para ser supervisor ou gerente, as respostas são por demais inseguras e até sem sentido. As lideranças não têm consciência de que devem aprender a praticar 5 novas habilidades que são:

  1. Estabelecer objetivos e metas
  2. Planejar como atingi-las envolvendo os colaboradores
  3. Capacitar os colaboradores
  4. Motivar
  5. Estimular a inovação

Como não estão preparados para praticar esses “novos saberes”, eles procuram se firmar usando a patente do cargo para dar ordens e ameaçar quem não obedecê-las, ou seja, o maior erro é utilizar-se da patente do cargo para impor o respeito por meio da ameaça e do medo.

9) Que sugestões você daria para quem quer melhorar? Por onde começar?

Se uma pessoa quiser melhorar, de fato, ela tem de aprender a OUVIR. Por incrível que pareça, é uma das coisas mais difíceis de se praticar. Ouvir requer humildade, dedicação de tempo, disposição para ouvir o que não gostaria de ouvir, aceitar a divergência de pensamentos, aceitar que erra e que outros podem ter melhores ideias. É um exercício de humildade.

10) E o que você acha que esses líderes deveriam PARAR de fazer?

Parar de dar ordens.

Parar de dar bronca.

Parar de repreender o subordinado publicamente.

Parar de ser o dono da verdade!

11) Baseado em toda sua experiência e depois de todas as pesquisas que fez para escrever seus livros, existe algum conselho em liderança ou administração que você vê publicado com frequência, mas com o qual não concorda?

Uma coisa que ainda se defende é que dinheiro motiva as pessoas. Eu discordo. Dinheiro pode gerar satisfação, mas não gera motivação. Já vi pessoas ganhando muito bem pedir demissão devido à falta de motivação.

12) Algum comentário adicional que gostaria de fazer aos nossos leitores?

Gostaria de acrescentar que existe uma “fórmula da felicidade”. Diante de um problema, muitas pessoas focam apenas o problema. Insistem em falar somente do problema, culpando os outros. Isso só gera estresse e fadiga. Mas se, em vez de focar no problema, você focar na solução, isso fará com que você se desafie. Ao se sentir desafiado, você se motivará para encontrar uma solução e, ao implantar a solução, você se sentirá gratificado. Esse é o caminho. Deixar de focar no problema e focar na solução. Isso traz felicidade no trabalho e na vida.

13) Informações para contato – Facebook, Twitter, Site, Linkedin, etc.

www.alliancecoaching.com.br

Muito obrigado!


Alexandre Rangel tem formação em Psicologia, Economia e Ciências Contábeis. Possui mais de 20 anos de experiência como executivo em multinacionais. Desde que deixou o mundo corporativo, há 15 anos,  atua como consultor e coach de executivos. É autor de vários livros, entre eles o best-seller: “O que podemos aprender com os gansos”, publicado também em Portugal e na Coreia do Sul.

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