Confira entrevista com Gabriel Perissé.

“As palestras que ministro oferecem uma oportunidade de reflexão responsável, tendo em vista a vida cotidiana, o mundo do trabalho e os diferentes âmbitos da convivência humana. Tenho a preocupação de construir (com a interação do público) ideias com aplicabilidade concreta. Recorro à fundamentação da filosofia antiga e da contemporânea, da mitologia grega, da etimologia, da literatura, do cinema e da música e procuro tornar a palestra agradável, com um tom coloquial, lançando mão de breves narrativas que ao mesmo tempo divertem e provocam insights, tornam a apresentação amena e exigem um claro posicionamento por parte dos ouvintes.”

Vamos começar falando do seu livro A palavra é futuro. Qual é a principal ideia ou conceito que você defende nele?

O livro A palavra é futuro tem por objetivo levar o leitor a elaborar um bom conceito de futuro. Compreendendo melhor a ideia de futuro, com base em uma reflexão mais profunda, o leitor se sentirá apto a aplicar esse conceito em diferentes campos da sua vida: carreira profissional, vida familiar, vida social, vida cultural, vida acadêmica, etc.

Como você começou como palestrante?

Na década de 1990, comecei a ministrar palestras para estudantes, professores e educadores em escolas e associações. A partir de 2002, fui convidado com cada vez maior frequência para falar em cidades de todo o País, na maioria das vezes para professores, em eventos organizados por secretarias de educação, escolas, universidades, associações culturais e empresas.

Que tipo de empresas geralmente contratam seus serviços? O que elas buscam em suas palestras?

São aquelas que têm uma autêntica preocupação com a formação intelectual e cultural de seus funcionários e colaboradores. Buscam aperfeiçoá-los, pois sabem que a preparação profissional não é estritamente técnica, mas exige um desenvolvimento humano integral.

Por outro lado, que tipo de evento ou treinamento não é adequado para você? Ou seja, que tipo de problemas, situações ou treinamentos você geralmente prefere não aceitar ou repassar para algum colega?

Uma empresa que necessite de uma palestra ou curso sobre temas muito específicos e técnicos.

Qual é o seu diferencial em relação a outros profissionais? Qual é a sua “marca registrada”?

As palestras que ministro oferecem uma oportunidade de reflexão responsável, tendo em vista a vida cotidiana, o mundo do trabalho e os diferentes âmbitos da convivência humana. Tenho a preocupação de construir (com a interação do público) ideias com aplicabilidade concreta. Recorro à fundamentação da filosofia antiga e da contemporânea, da mitologia grega, da etimologia, da literatura, do cinema e da música e procuro tornar a palestra agradável, com um tom coloquial, lançando mão de breves narrativas que ao mesmo tempo divertem e provocam insights, tornam a apresentação amena e exigem um claro posicionamento por parte dos ouvintes.

Além do seu próprio site (www.perisse.com.br), quais outros sites da área você recomenda para quem quiser se aprofundar no assunto?

Quais são seus livros de negócios ou autores preferidos?

Peter Drucker, Stephen Covey e Edward de Bono são referências “clássicas” importantes. Tive uma grata surpresa ao conhecer Além do capitalismo, de Charles Handy, por sua compreensão humanista da sociedade ocidental. William Glasser é um psicólogo com boas ideias – sua Teoria da Escolha – para a vida de relacionamento dentro e fora da empresa. No Brasil, aprecio o trabalho de Carlos Alberto Júlio, Eugênio Mussak e Waldez Luiz Ludwig. Estou muito atento às contribuições de Mário Sérgio Cortella ao mundo do trabalho. No mais, a filosofia e a literatura são sempre inspiradoras. Autores como Kafka, Guimarães Rosa e Clarice Lispector jogam luzes sobre a condição humana e, consequentemente, sobre nosso dia a dia, nosso comportamento profissional, etc.

Qual foi a sua palestra mais memorável, que mais lhe marcou?
Difícil pergunta. Minha palestra para a Universidade Corporativa dos Correios, em Brasília (DF), no ano passado (2011), foi muito interessante.

Qual foi a situação mais desastrosa ou engraçada que já aconteceu em uma das suas palestras ou eventos?

No início da minha vida de palestrante falei para detentos da antiga Febem, em uma atividade do Sesc, em São Paulo. Confesso que me deparei com minha inabilidade perante um público difícil, cuja realidade eu desconhecia. Não consegui estabelecer uma linha de comunicação e a palestra terminou por decurso de prazo!

Qual é o maior erro que você nota nas convenções ou nos treinamentos de empresas?

Percebo dois erros. O primeiro é a contratação de palestrantes “celebridades” (do esporte, da TV, etc.) que são supervalorizados, mas oferecem conteúdo insuficiente. O segundo erro, a meu ver, é levar palestras que eu chamo de “motivação 48 horas”, cujo impacto emocional imediato é forte, mas não conduzem o público ao desejo de uma transformação profunda.

Por que você acha que tantas reuniões e tantos treinamentos são chatos ou improdutivos? O que poderia ser feito para melhorar isso?

Assim como as aulas na educação formal, as reuniões e os treinamentos devem ser mais interativos, menos “instrucionistas”, mais inspiradores, mais inteligentes, mais provocadores. Informações e dados podem ser obtidos em outros lugares e outras ocasiões. Os encontros entre professor/palestrante e alunos/público deve ser uma ocasião para descobertas significativas que servirão como ponto de partida para decisões de médio e longo prazos.

Que grande conselho ou dica você daria para alguém que deseja melhorar resultados no trabalho e/ou na vida?

A leitura variada e interpretativa. Um exercício da leitura restrito a artigos, livros técnicos ou de autoajuda é insuficiente. A leitura deve ser generosa, de qualidade. A leitura é a melhor forma de estudar e, sobretudo, elaborar conceitos capazes de orientar nossa ação cotidiana. O conceito de “futuro”, por exemplo, se for um bom conceito, um conceito aplicável, pode nos ajudar a construir uma carreira de futuro, ou um empreendimento de futuro, ou a manter uma agenda de futuro, ou a tomar decisões existenciais positivas, etc.

Gostaria de deixar um último recado aos nossos leitores?

Estamos vivendo um momento único em nosso país. O Brasil nesta segunda década do século exige esforços renovados. Temos de nos formar melhor, continuamente. Nosso aperfeiçoamento, do ponto de vista intelectual e cultural, profissional e humano, será decisivo, tanto para o País como para cada um de nós.


Gabriel PerisséGabriel Perissé é pós-doutor em filosofia e história da educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutor em filosofia da educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), mestre em literatura brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em letras (Português e Literaturas Brasileira e Portuguesa) pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 1983 ministra palestras e minicursos em escolas, universidades, empresas, editoras, sindicatos e associações culturais, percorrendo mais de 900 cidades brasileiras. Desde 1996, publicou mais de 20 livros relacionados a temas como leitura e criatividade, ética, formação docente e didática.

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