Confira entrevista com Jeremias Oberherr

Jeremias-Oberherr

“Não permita que outras pessoas lhe digam o que você deve fazer de sua vida. Não permita que a opinião alheia e desagradável atrapalhe suas atitudes e a realização de seus objetivos e de suas metas. Muitas pessoas são bastante seletas no que se refere a marcas de produtos que usam (alimentos, xampu, gasolina, perfumes, pastas de dente, canetas, computadores, automóveis e até ração para seus cães), mas parecem deixar que qualquer pessoa influencie seus objetivos e sonhos com palavras negativas e destrutivas que podem arruinar sua jornada. Não dê ouvidos para as pessoas erradas.” Confira entrevista exclusiva com Jeremias Oberherr

Vamos começar falando do seu livro O poder da atitude positiva. Qual é a principal ideia ou conceito que você defende nele?

Muito se tem falando nos últimos anos sobre o pensamento positivo e seus resultados. Livros, cd´s, dvd´s e seminários pregando a importância de se ter uma postura mental positiva. Algumas pessoas pensam que meu livro prega algo contra o pensamento positivo, mas não é verdade. Defendo que tudo começa ao pensar, mas se concretiza ao agir. É na ação que nossos pensamentos, sonhos, metas e objetivos se tornam realidade. O poder da atitude positiva traz algumas atitudes que temos no dia a dia, imperceptíveis na maioria das vezes, e que nos afastam de nossos objetivos. E também algumas atitudes, as quais eu chamo de princípios, que tornam mais eficazes e duradouros os nossos sonhos e que podem ser vividas tanto no pessoal como no profissional. Resumindo, existem as pessoas que esperam acontecer e as que fazem acontecer.

Como você começou como palestrante?

Comecei a vender muito cedo; minha avó tem até hoje uma loja de artigos importados, vindos do Paraguai. Quando eu era criança ela viajava a cada 15 dias para buscar mercadorias, era quando eu pegava prendedores de cabelos e saía no comércio da cidade em que eu morava, no Rio Grande do Sul, e vendia-os para as vendedoras das lojas. Com 14 anos eu já trabalhava como locutor em uma rádio local. O programa que eu apresentava era bem popular, dinâmico e descontraído, e rapidamente eu conquistei ouvintes fiéis. Sempre fui bem amistoso e aberto a novas amizades e relacionamentos profissionais, o que abriu muitas portas para mim. E foi por esse motivo também que quando eu tinha 15 anos, a vice-diretora da escola na qual eu estudava me convidou para falar em um encontro de professores e alunos do município, realizado no ginásio de uma escola. Para um menino de 15 anos, era um enorme desafio, e eu sou fanático por desafios, aceitei na hora e falei sobre relacionamentos e a sua importância para as conquistas pessoais e profissionais. A palestra tinha o titulo “Os tropeços da língua”. Nesse dia havia uma professora presente, e o esposo dela era gerente comercial, e alguns dias depois ele me convidou para falar com sua equipe. A partir de então comecei a receber vários convites para falar em escolas e empresas. Mais tarde tive recorde homologado pelo Guinness Brasil como palestrante mais jovem do País, com a primeira palestra aos 15 anos.

Que tipo de empresas geralmente contratam seu serviços? O que elas buscam em suas palestras?

Empresas de diversos seguimentos já me contrataram para falar em convenções anuais, convenções de vendas e treinamentos de vendas, além das associações comercias e instituições ligadas ao comércio. Na maioria das vezes são empresas que buscam ferramentas para serem aplicadas imediatamente nas vendas, e não somente mais uma palestra motivacional. Sou um amante do comportamento humano e em meus treinamentos de vendas falo muito sobre venda comportamental, como usar o comportamento para aumentar as vendas, o que muitas das empresas me solicitam.

Por outro lado, que tipo de evento ou treinamento não é adequado para você? Ou seja, que tipo de problemas, situações ou treinamentos você geralmente prefere não aceitar ou repassar para algum colega?

Essa é uma pergunta difícil de responder, pois, como falei antes, sou movido por desafios e procuro estar sempre atualizado e fazendo cursos em vários seguimentos. Mas assuntos que não sejam direcionados a vendas, liderança de equipe de vendas e desenvolvimento pessoal (o que muitos costumam chamar de motivação) procuro direcionar a colegas mais qualificados.

Qual é o seu diferencial em relação a outros palestrantes? Qual é a sua “marca registrada”?

Essa é uma pergunta para a qual tenho dado muita atenção, pois, hoje em dia, muitos bons vendedores ou gerentes de vendas têm o sonho de se tornarem palestrantes.  Certo dia, ao terminar um treinamento, ouvi de um empresário: “Jeremias, me chamou atenção em sua palestra que você fala o que nós precisamos ouvir e não o que queremos ouvir”.  Creio que quando uma empresa me contrata ela busca resultados, então é preciso falar o que é necessário para atingir esses resultados, e não aquilo que eles querem e esperam ouvir. E é isso que tem acontecido, recebo vários depoimentos surpreendentes de equipes que conquistaram seus objetivos. Mas por quê? Um dos meus maiores diferenciais é que não realizo uma “palestra engessada”. Meus treinamentos são totalmente personalizados, um não é igual ao outro. Antes de realizar o treinamento eu procuro conhecer ao máximo a empresa, seus problemas, o que almeja conquistar e seus pontos fortes, até mesmo visito cada setor dela. Em cima disso e do que a empresa espera de meu trabalho, preparo um treinamento específico para a realidade dela. Assim ganhamos muito tempo. E para uma empresa tempo é dinheiro. Para o ser humano tempo é vida.

Além do seu próprio site (www.jeremiasoberherr.com.br), que outros endereços da área você recomenda para quem quer se aprofundar no assunto?

Indicar sites é um tanto difícil para mim, pois procuro conteúdos em livros e cursos, as informações são mais seguras.Existem vários sites que abordam esses assuntos, mas os que eu posso indicar com segurança de conteúdo são: www.vendamais.com.br, www.euseivender.com.br e www.mundometa.com.br.

Quais são seus livros de negócios ou autores preferidos?

Paixão por vencer, de Jack Welch; Os segredos da arte de vender, de ZigZiglar; Coaching eficaz, de David Clutterbuck; Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes, de Stephen Covey; Atitude, de Justin Herald; Os segredos da mente milionária, de T. Harv Eker; Mente, caráter e personalidade, de Ellen White; e A bíblia de vendas, de J. Gitomer. Dos autores nacionais, indico: José Luiz Tejon, Marcelo Ortega, César Frazão, Raúl Candeloro e Gustavo Cerbasi.

Qual foi a sua palestra mais memorável, a que mais lhe marcou? 

Seria clichê dizer que todas são memoráveis simplesmente por eu amar o que faço? Mas teve uma que me marcou, em uma pequena cidade com menos de 10 mil habitantes, em um evento realizado por uma instituição comercial. Eu comecei a palestra com 35 minutos de atraso, esperando até que todos se acomodassem, pois havia mais participantes do que o esperando e a maioria dos convites foi vendida na hora. Foram colocadas cadeiras extras e assim mesmo algumas pessoas não puderam assistir por questão de segurança.

Qual foi a situação mais desastrosa ou engraçada que já aconteceu em uma das suas palestras ou eventos?

Foi na convenção de vendas de uma empresa. Na metade da palestra um senhor ergueu a mão e perguntou a minha idade. Ao ouvir minha resposta ele deu uma risada irônica e disse: “Tenho mais tempo como vendedor do que você de vida”. Eu respondi que se isso fosse o mais importante no momento ele estaria falando em meu lugar e eu estaria sentado ouvindo. Todos no auditório riram da oportunidade que esse homem teve de ficar quieto. No final do evento, o presidente da empresa veio me agradecer pela resposta e disse que essa pessoa já estava virando patrimônio da empresa, pois o tempo que tinha como vendedor era na mesma empresa e não havia sido demitido por consideração. Infelizmente muitas empresas cometem este erro: mantêm um funcionário apenas por consideração.

Qual é o maior erro que você nota nas convenções ou nos treinamentos de empresas?

Sempre as mesmas pessoas falando as mesmas coisas, da mesma maneira.

Por que você acha que tantas reuniões e tantos treinamentos são chatos ou improdutivos? O que poderia ser feito para melhorar isso?

Sobre as reuniões, ainda vejo líderes chamando a atenção de um membro da equipe em público e abordando assuntos com falta de franqueza; franqueza não é fraqueza. Uma ferramenta muito utilizada para resolver isso pode ser o coaching, mas aplicado por um profissional qualificado. 

Que grande conselho ou dica você daria para alguém que deseja melhorar resultados no trabalho e/ou na vida?

Não permita que outras pessoas lhe digam o que você deve fazer de sua vida. Não permita que a opinião alheia e desagradável atrapalhe suas atitudes e a realização de seus objetivos e de suas metas. Muitas pessoas são bastante seletas no que se refere a marcas de produtos que usam (alimentos, xampu, gasolina, perfumes, pastas de dente, canetas, computadores, automóveis e até ração para seus cães), mas parecem deixar que qualquer pessoa influencie seus objetivos e sonhos com palavras negativas e destrutivas que podem arruinar sua jornada. Não dê ouvidos para as pessoas erradas.

Gostaria de deixar um último recado aos nossos leitores?

Qualquer coisa que valha a pena possuir merece ser batalhada. Quando eu era menino, bastava ouvir isso uma vez e era o mesmo que ouvir mil vezes. Há muita verdade nisso. As coisas que realmente importam, as que nos trazem satisfação em longo e médio prazos, as coisas que compensam, geralmente requerem suor e esforço. As universidades não fazem distribuição gratuita de diplomas, a independência financeira não se ganha sentado no sofá, os bons casamentos não resultam de “boa sorte”, o sucesso não se conquista da noite para o dia, requer muito trabalho, perseverança e dedicação. Já diziam: “O homem sabe 90% das coisas que deve fazer, mas incrivelmente não as faz”.


Jeremias Oberherr é palestrante e coach executivo especializado em desenvolvimento profissional, liderança e desenvolvimento de equipes. Jeremias conheceu o fantástico mundo das vendas aos 12 anos de idade, pelo qual é apaixonado até hoje.  Aos 21 anos já era gerente de vendas de uma empresa que atua em todo o Mercosul, na qual aos 24 anos foi promovido a diretor comercial e depois a treinador de equipes de sucesso, sendo solicitado por várias empresas do mercado.

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