Confira entrevista com Marcio Kühne.

Marcio Kuhne

Combata a inércia. Não peça a Deus para guiar seus passos se você não está disposto a mover seus pés. Sonhar está ao alcance das mãos, mas a concretização exige o trabalho dos pés.

Vamos começar falando do seu livro Em busca da autoconfiança. Qual é a principal ideia ou conceito que você defende nele?

Pessoas com autoconfiança são decididas, não são arrogantes ou defensivas, encontram facilidade para expressar suas opiniões, aceitar desafios, dominar novos trabalhos e tomar decisões sensatas, mesmo sob pressão. Até porque, quando o mar está calmo, qualquer um pode navegar. É exatamente isto que propomos nesse livro: o domínio da insegurança para navegar com maestria. Sem autoconfiança você sequer atravessa uma rua.

Como você começou como palestrante?

Me recordo que, quando garoto, sempre era o “mestre de cerimônias” nas brincadeiras. E, como dizem, as lembranças da infância são eternas. Elas influenciaram minhas escolhas e culminaram com a decisão de transitar pelos palcos. Este ano completo 21 anos de palco e, paralelo a isso, como consultor independente, dedico-me à pesquisa da gestão de pessoas, especialmente em temas ligados a relacionamento, melhoria da qualidade, contextualização em relação ao cenário global e desenvolvimento do capital humano.

Que tipo de empresas geralmente contrata seus serviços? O que elas buscam em suas palestras?

Os segmentos são diversificados. Hoje sou convidado como conferencista e consultor não apenas por empresários, mas também por promotores de eventos, educadores, líderes políticos e acadêmicos. Invariavelmente eles buscam uma apresentação diferenciada com conteúdo e credibilidade. Diante da profusão de descobertas atuais, as empresas e instituições precisam manter um ambiente de estímulo à aprendizagem.

Por outro lado, que tipo de evento ou treinamento não é adequado para você? Ou seja, que tipo de problemas, situações ou treinamentos você geralmente prefere não aceitar ou repassar para algum colega?

Conferências que objetivem apenas entreter o grupo. Uma palestra não precisa ser séria, profunda e visceral o tempo todo, mas é preciso evitar compensar falta de conteúdo com bizarrices e respeitar as pessoas que pagaram e esperam o retorno pelo investimento que fizeram.

Qual é o seu diferencial em relação a outros profissionais? Qual é a sua “marca registrada”?

Uma boa conferência é um instrumento artesanal, como uma colcha de retalhos. Envolve detalhes distintos, mas fundamentais, como o conhecimento, a escolha do material, o tamanho, a costura bem feita, o manejo e, acima de tudo, o respeito pelo aprendizado. Procuro confeccionar minhas conferências com a experiência de décadas de estudo, testadas no próprio processo de condução da pesquisa e execução dela. No fim das contas, pode-se dizer que, a cada evento, objetivo entregar uma colcha de retalhos singular. Carisma é importante, mas não pode estar divorciado do caráter.

Além do seu próprio site (www.marciokuhne.com.br), que outros sites da área você recomenda para quem quiser se aprofundar no assunto?

Como as redes sociais se tornaram um dos mais importantes canais de comunicação e uma parte essencial da vida digital, sugiro que me procurem no Facebook (MarcioKuhne) e no Twitter (@MarcioKuhne), pois compartilho postagens diárias sobre comportamento.

Quais são seus livros de negócios ou autores preferidos?

Todos os livros de Dale Carnegie. Entre os autores tupiniquins, sempre apreciei muito as obras de José Angelo Gaiarsa.

Qual foi a sua palestra mais memorável, a que mais lhe marcou?

Certa vez em Cascavel (PR), fomos surpreendidos por um temporal minutos antes do início do evento. As pessoas chegaram ensopadas ao auditório, que estava envolto em uma penumbra, apenas com um resquício de luz de emergência. Meu notebook foi fulminado por alguma descarga elétrica e no palco restamos apenas eu e o microfone. Por sorte, embora estivéssemos em um ambiente abafado, sem ar condicionado, o microfone ainda “respirava”. Foi a palestra mais memorável, e por que não dizer: a melhor até hoje, e que me fez lembrar de uma frase de Fernando Sabino: “No fim, tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim”.

Qual foi a situação mais desastrosa ou engraçada que já aconteceu em uma das suas palestras ou eventos?

Um escorregão, uma “curva fechada” no palco, e lá estava eu: no chão! E o pior é que tiveram pessoas que concluíram que aquilo fazia parte da apresentação (risos).

Qual é o maior erro que você nota nas convenções ou nos treinamentos de empresas?

Ausência ou excesso de cuidados relacionados aos preparativos. Ambos são portas abertas para o desastre. A ausência, por contar apenas com o fator sorte; e o excesso, pelo estresse gerado em todos os envolvidos. Esses eventos devem ser uma experiência de aprendizado, e aprender deve ser prazeroso também para a equipe organizadora.

Por que você acha que tantas reuniões e tantos treinamentos são chatos ou improdutivos? O que poderia ser feito para melhorar isso?

Eis o maior inimigo de um evento: ele não deve, em hipótese alguma, ser chato, enfadonho ou entediante. Evita-se isso tomando cuidado com a escolha dos profissionais que irão compor a linha de frente, ou seja, todos aqueles que conduzirão a reunião e terão contato direto com o público.

Que grande conselho ou dica você daria para alguém que deseja melhorar resultados no trabalho e/ou na vida?

Sabote a rotina e evite desvincular o prazer de cada trabalho que realiza. Divirta-se realizando-o. Policie seus pensamentos. Se as pessoas soubessem o quanto seus pensamentos determinam a direção de suas vidas, teriam mais cuidado com eles.

Gostaria de deixar um último recado aos nossos leitores?

Combata a inércia. Não peça a Deus para guiar seus passos se você não está disposto a mover seus pés. Sonhar está ao alcance das mãos, mas a concretização exige o trabalho dos pés.


Marcio Kühne é formado e graduado pelo Instituto Dale Carnegie & Associates Inc., de Nova Iorque (EUA), em comunicação. Há 20 anos, como consultor independente, dedica-se à pesquisa da gestão de pessoas, especialmente em temas ligados a relacionamento, melhoria da qualidade, contextualização em relação ao cenário global e desenvolvimento do capital humano. Palestrante de renome nacional, consultor em gestão comportamental e escritor. Convidado como conferencista e consultor por empresários, educadores, líderes políticos, psicólogos e acadêmicos. Autor dos livros Em busca da autoconfiança – Estrutura emocional de aço (Editora Eko) e O futuro não é o que se teme, o futuro é o que se ousa (Editora Eko).

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