Dê um tempo!

Qual é a direção que você dá à sua carreira profissional?

Imagine um lugar bem frio, com chuva e vento. Bem, no dia 14 de novembro, Londres estava assim.

Eu já estava lá há mais de uma semana e, naquele dia, um domingo pela manhã, resolvi ir até o palácio para ver a troca da guarda, afinal de contas, não tinha palestra e meu voo era somente à noite.

Agora imagine você, com todo aquele conceito britânico de pontualidade, chegar na porta do palácio e receber a notícia de que naquele dia não haveria a troca de guarda.

Disseram-me que era porque aquele era um grande dia em Londres, era o dia que todos homenageavam os mortos em guerra e que a rainha em minutos sairia em direção a um memorial para dar início às comemorações. Fiquei por ali e, em breves 30 minutos, passou a rainha num automóvel tão luxuoso, ladeado de diversos carros com seguranças, que senti uma emoção diferente e pensei: “Vi a Beth!”.

Naquele clima, fui em direção ao memorial e, aproximando-me do famoso Big Ben, percebi uma movimentação fora do normal: milhares de pessoas chegando de todos os lados e praticamente em segundos todas as ruas interditadas. Não conseguia ir para frente nem para trás, mas numa organização impecável, todos se acomodaram próximo às grades de proteção e ficaram murmurando durante algum tempo, até que o Big Ben resolveu entrar em ação. Eram 11 horas da manhã e o famoso relógio só deu uma badalada.

Que frustração, uma só? Mas não seriam 11? Em poucos segundos, ouviu-se um barulho enorme: era um tiro de canhão. Naquele momento, toda a Londres, todas as pessoas da cidade, fizeram dois minutos de absoluto silêncio. Ao final destes infindáveis dois minutos, para arrasar de vez, todos cantaram o hino nacional inglês.

Fiquei muito impressionado e tentei reproduzir esta cena no Brasil:

1. Num dia de chuva, frio e vento ninguém sairia de casa, no máximo acenderiam uma velinha em homenagem aos mortos.

2. Na rua certamente teriam somente ambulantes e políticos distribuindo santinhos.

3. Se ao invés da rainha passasse o presidente, as saudações seriam diferentes.

4. E, certamente, aquelas grades novinhas não durariam tanto tempo por ali.

Enfim, o que nos diferencia tanto? Será que eles são melhores do que nós? Claro que não!

A questão aqui é cultural, a cultura dos povos é diferente mesmo. São valores, direções, expectativas e propósitos completamente distintos.

Inevitavelmente, como sempre, transporto a situação para o nosso mundo corporativo.

Qual é a cultura da sua empresa?

Qual é a direção que você dá à sua carreira profissional?

Quais são as suas expectativas em relação à empresa que você representa?

Qual é o real propósito de realizar uma venda?

Estas são perguntas que podem desvendar grandes mistérios e abrir portas importantes para que a sua passagem seja mais fluída. A rotina diária talvez não permita que pensemos mais profundamente, que façamos avaliações e fundamentalmente entendamos qual é o verdadeiro propósito de nossas buscas.

Costumo dizer: “Seja feliz com o que você tem, enquanto você persegue o que não tem”. Mas, para isso, é importante ir além:

 

  • Entender que atributos são diferentes de benefícios.
  • Que preço é diferente de valor.
  • Que conhecer o cliente é diferente de se relacionar com ele.
  • Que trabalhar em equipe não é ideal, é indispensável.
  • Que conhecimento não ocupa espaço, amplia.

 

Aqueles dois minutos em Londres me levaram a uma reflexão muito importante durante as 12 horas do voo de volta:

  • O que está por trás de tudo? O ter ou o ser?
  • Vendemos para o cliente ou ajudamos o cliente a comprar?
  • Queremos sucesso ou felicidade?

 

Essas perguntas todas podem auxiliá-lo a iniciar um profundo mergulho no seu eu e entender o porquê de suas buscas, afinal de contas, vivemos de metas.

            Faça um esforço, tente responder uma a uma e escreva, guarde, releia, pois, como todos nós sabemos, os profissionais de vendas que se destacam são aqueles que sabem fazer boas perguntas. Por isso, eu falo para todo gestor de vendas: “Sempre pergunte ao seu vendedor, quando ele estiver indo para uma visita, o que ele vai fazer lá”. Se ele disser: “Vou vender”, preocupe-se, pois não há objetivo, direção ou propósito nesta visita.

 

  • Vai vender o que?
  • Vai propor o que?
  • Uma nova promoção?
  • Um ajuste de preços?
  • Uma avaliação de potencial?
  • Verificar estoques?
  • Circular na área de vendas em busca de oportunidades e ameaças?

 

Quem não sabe o que fazer em frente a um cliente, vira um visitante profissional. É simplesmente uma questão cultural, mas que pode mudar e muito o rumo da sua vida pessoal e profissional.

Será que, se uma cidade inteira parou durante eternos dois minutos, você não consegue parar sozinho por alguns minutos para avaliar isso tudo?

Muitas vezes, durante uma jornada, é necessário dar uma freada brusca no caminhão para arrumar a carga.

Pé no freio e depois acelere com tudo!

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