Ele transporta perseverança

Como Urubatan Helou transformou dois caminhões velhos na Braspress, uma das maiores empresas de transporte do Brasil

Em meados dos anos 70, uma transportadora começava a se destacar em São Paulo. Possuía mais de 30 veículos, 200 funcionários e filiais em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba. No comando dessa transportadora, a Transfilm, estavam várias pessoas, entre elas Urubatan Helou, que não estava nada satisfeito com a situação da empresa. ?Era 1976 e eu não entendia como ainda não havia conseguido mudar de um pequeno apartamento alugado, não sobrava dinheiro para trocar meu velho Fuscão 1970, meus sócios desfilavam em Galaxies e tinham bons apartamentos próprios.?

Assim, Urubatan resolveu sair da sociedade, aos 26 anos. Saiu com a cara, a coragem, dois telefones, uma velha caminhonete Ford F 350, um caminhão Mercedes 1113, ano 71 e cinco promissórias no valor equivalente a cinco mil dólares, cada. Em casa, à sua espera, o aluguel atrasado e sua esposa, Alayses ? grávida, ele conta.

Nessa situação, poucas pessoas se atreveriam a empreender e iniciar uma nova empresa. Mas Urubatan foi em frente e abriu a Braspress, que hoje conta com 782 caminhões, 3.750 funcionários e 88 filiais em todo território nacional. E é apenas uma das empresas do Grupo H&P, criado por Urubatan Helou. Dele, também fazem parte:

· Planex ? Locação de Equipamentos Ltda.

· Aeropress ? Transportes Aéreos Ltda.

· Air Minas Transportes Aéreos Ltda.

Recém-adquirida pelo grupo, a Air Minas é uma empresa aérea que pretende atender principalmente o interior do Brasil. ?Temos como rotas iniciais São Paulo/Belo Horizonte/Varginha, MG, e São Paulo/Belo Horizonte/Divinópolis, MG. São rotas curtas, cujo vôo deverá durar apenas meia hora. Por isso, servimos apenas refrigerantes a bordo. Já no check-in, os passageiros são recebidos com cortesia e têm à disposição bebidas e lanches.?

Ao ser questionado sobre a decisão de adquirir a Air Minas, Urubatan responde com dados: apenas 4% da população brasileira já andou de avião. E, com o estado de conservação das rodovias, com o movimento de automóveis e caminhões, a opção de voar torna-se cada vez mais atrativa. E a escolha pelo interior também está na ponta da língua: são grandes cidades, abandonadas pelas grandes companhias aéreas.

Mas o principal motivo de Helou está em um desabafo, que só pode dar quem vive os problemas de uma empresa no dia-a-dia: ?Além de tudo isso, o que me atraiu para esse setor foi o fato de o transporte aéreo ser uma atividade regulamentada, tem normas, direitos e deveres que protegem as empresas sérias dos aventureiros. Bem diferente do transporte rodoviário de cargas, em que vivemos abandonados ao nosso próprio destino, sem nenhuma disciplina ou proteção da Legislação. Qualquer ?pára-quedista? pode brincar de transportador. Isso faz com que a concorrência seja extremamente vil e predatória.?

Mesmo com essa concorrência indiscriminada, a Braspress cresce e se destaca. Veja as lições de Urubatan para você:

Receita de crescimento

Ser grande não significa apenas espalhar infra-estrutura, proliferando investimentos. ””””Ser grande”””” significa também prosseguir, acreditando no que faz e, sobretudo, calibrar diariamente o foco do negócio. Há 29 anos persisto em meu negócio e não há um dia sequer em que não me sinto obrigado a repensar o foco e recalibrar posições. Se isso é ser grande, nós somos.

Força das pessoas

Em empresas de serviços como a nossa, em que o comprometimento das pessoas com os principais valores da organização é que fazem a grande diferença. Nada substitui as pessoas. Prova disso é que ao montar minha primeira empresa, em 1972, então com 22 anos, tínhamos três funcionários. Um deles era Milton Domingues Petri. Ao longo desses anos, ele foi mais do que meu mais fiel amigo, foi um irmão, e hoje é meu sócio na Braspress.

Gestão de negócios

Nesses anos todos, foram cerca de dez planos econômicos. No Plano Collor, muitas empresas fecharam as portas e, de um dia para outro, o dinheiro sumiu do mercado. Ou seja, não havia como pagar o transporte e poucas mercadorias para transportar. O segredo foi não me abater e insistir sempre. E aglutinar pessoas em minha volta, tão ou mais inteligentes que eu, para me ajudar. Erros foram cometidos e ainda são, mas penso e procuro sempre encontrar o rumo certo para continuar em frente. Por exemplo, tínhamos outra empresa de transporte, a Rodex. Ela e a Braspress tinham focos diferentes. Mas a necessidade cada vez maior de prover a Braspress de infra-estrutura me levou a fundir as duas, em maio deste ano. Ampliei, assim, os negócios da transportadora principal e mantive o foco de levá-la a ser a maior e melhor provedora de soluções logísticas em todo o Brasil.

Empreender

Empreender é subproduto da idealização, tendo ambas como resultante a materialização de resultados positivos para si e para a sociedade. Temos um País fantástico em população, território e recursos naturais. Isso é suficiente para, a médio prazo, superarmos a incompetência dos governos que se sucedem e transformam nossos negócios em ambiente hostil. Perseverança é a principal arma para superarmos tempos difíceis.

Exemplos a serem seguidos

· Campanha pela Vida, em 2004. Veiculação de outdoors adesivos em 782 caminhões e envio de 350 mil malas-diretas para clientes, referentes à doação de órgãos, em uma parceria com o Ministério da Saúde.

· Divulgação de fotos de crianças desaparecidas nos caminhões, entre 2003 e 2004, para colaborar com a ONG Mães da Sé.

Números da Braspress

· 66.455 milhões de quilômetros rodados por ano, suficientes para dar quase duas voltas no planeta.

· A cada mês, transporta em média 13.200 toneladas.

· Faz 35 mil entregas, por dia.

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