Família na Empresa?

Não existe funcionário que não esteja constantemente dividido entre a família e o trabalho, independente do porte da empresa. Veja como diminuir esta divisão natural.

Angústia. Esta é a palavra que mais define quem precisa trabalhar, mas também necessita atender sua família ou amigos próximos, principalmente em momentos cruciais como doenças ou falecimentos.

Infelizmente não existe uma fórmula mágica para extinguir este sentimento de todos os colaboradores, nem mesmo extirpar os problemas pessoais de cada um. Embora já se saiba que este conflito seja algo normal e faz parte do cotidiano de quem passa o dia trabalhando, existem algumas ações que a empresa pode promover para aproximar os dois elementos: o funcionário e sua família.

Pequenos ajustes já promovem uma melhor qualidade de vida dos colaboradores, afinal, de nada adianta criar ambientes agradáveis, com salas de descanso, excelentes salários e cafezinho diversificado se a jornada é massacrante e a empresa estimula a competição ao invés da colaboração.

Segundo Cesar Tadeu Dominguez, diretor da SulAmérica Seguros, é de suma importância contemplar todos os itens que fazem parte da vida do colaborador. “Sua vida  familiar, financeira, saúde, afetiva está intimamente ligada ao seu trabalho”, diz, completando que, se pensarmos no ser humano integral, no equilíbrio e produtividade, não se pode deixar de dar importância à família do colaborador.

Seguindo esta linha de raciocínio, fica óbvio que de nada adianta palestras motivacionais se as relações humanas estão deterioradas ou se a comunicação inexiste. Estabelecer uma “guerra de braço” entre a empresa e a família não é produtivo e nem muito esperto, porque as pessoas, por mais que estejam tentando, ainda não conseguiram se robotizar por completo e possuem sentimentos e necessidades.

Para Dominguez, aproximar a família do colaborador significa um apoio e incentivo para atingir e superar os resultados pessoais. “Nunca presenciei resistências para o envolvimento familiar x profissional”, diz o experiente diretor.

Ações Pontuais

Paul Spiegelman, autor do livro “Por que todos estão sorrindo?”, conta sua história de êxito nos negócios, que começou com os três irmãos na década de 80.  Com base na valorização do funcionário e seus familiares, ele afirma quanto mais às famílias estiverem envolvidas nas ações de sua empresa, mais enriquecida fica a vida de seus colaboradores e familiares.

E não precisa ser nada caro ou inimaginável: vai desde doces para o pessoal do Call Center, para diminuir o estresse do trabalho, até o Dia da Família, que acontece anualmente. Para este empresário, diversão é a alma do negócio, e seus esforços para criar uma cultura e fazer os empregados entenderem que são parte do sucesso da empresa têm sido reconhecidos.

O diretor da Sulamerica Seguros concorda com as afirmações de Spiegelman, e comenta que justamente na busca deste equilíbrio e entendendo que todos os fatores da roda da vida do colaborador são essenciais para sua produtividade e aumento de performance é que está o sucesso. “Projetos voltados para os familiares como, por exemplo, um que patrocinei onde os filhos dos funcionários participavam de palestras para orientação vocacional, ou ainda proporcionar uma festa de final de ano na qual os colaboradores podem trazer seus filhos, oferecendo atividades voltadas para cada faixa etária”, são fundamentais para esta proximidade”, além da possibilidade de conhecer a empresa onde os pais trabalham, que é uma curiosidade natural dos filhos”, completa Dominguez.

Ações como esta geram fortalecimento da marca, orgulho de pertencer e, sobretudo, aumento de produtividade, segundo o diretor da SulAmérica. E os resultados de mercado também são visíveis. Ele conta que, na última convenção de vendas, no ano passado, o evento foi fechado com cartas dos familiares aos participantes: “foi um momento de grande emoção, e resultados expressivos pós-evento”.

Projetos de Relacionamento

Marília Cândida Martins da Costa, psicóloga clínica de formação, com especialização em psicanálise e com mais de 20 anos de experiência no mercado de vendas, hoje atua na capacitação de profissionais do mercado de planos de saúde, com diversos programas voltados a ele, bem como para toda cadeia produtiva de vendas.

Na área de Desenvolvimento Comercial da Unimed-Rio de Janeiro, Marília tem obtido muitos resultados com estes programas. “O objetivo principal deles é a melhoria na qualidade das vendas e a capacitação dos profissionais da área”, diz, frisando que o empenho vai além da capacitação, almejando o relacionamento, que leva à maior proximidade.

“Entre todos esses projetos, existem dois que criam laços ainda mais profundos. São eles: Projeto Curumim (filhos de vendedores de 05 a 12 anos) e o Arqueiro do Amanhã (filhos de vendedores de 13 a 17 anos)”, conta Marília. Segundo ela, o primeiro tem o objetivo de destacar e reconhecer os filhos dos melhores vendedores da empresa e, para isso, há o acompanhamento do rendimento escolar e a oferta, no período de férias, de oficinas e atividades culturais como aulas de dança, circo, teatro, produção de trabalhos manuais, reciclagem, aula de música com instrumentos e passeios educativos, entre outros. 

Já o Arqueiros do Amanhã, que também faz o maior sucesso com os pais, oferece em julho oferece oficinas voltadas para adolescentes e jovens, entre elas a Escola de Empreendedorismo que trabalha com perfis profissionais, ferramentas de internet, preparação para processo de seleção em empresas, planejamento financeiro, criação de projetos, encontro com profissionais do mercado e teste vocacional, entre outros.

Iniciativas como esta acabam sendo fatores de comprometimento, gratidão e motivação dos funcionários. Vale a pena tentar algo novo!

Dicas Práticas

Você já sabe o quanto as empresas estão investindo em relações mais pessoais com seus colaboradores, inclusive envolvendo os familiares, e Cesar Tadeu Dominguez inclui 4 itens fundamentais para que esta nova missão renda bons frutos:

  • Todo projeto que implantar, mensure os resultados.
  • Busque o efetivo envolvimento dos familiares e não faça algo pró   forma.
  • Contextualize essa ação no meio corporativo
  • Explique a importância do trabalho do ser humano integral e nos resultados apresentados à companhia.

Além destas dicas do diretor da SulAmérica Seguros, você ainda pode incluir:

  • esteja aberto a idéias e sugestões dos seus colaboradores;
  • reconheça o trabalho de seus colaboradores. Dê feedback e diga “obrigado”;
  • aproxime a equipe;
  • conheça os funcionários e suas famílias em um nível pessoal, conhecendo sobre os cônjuges, filhos e hobbies;
  • estimule a participação dos funcionários;
  • celebre as conquistas e
  • ofereça desenvolvimento profissional e pessoal.

Todas estas ideias e procedimentos são simples de serem implantados. Se você é o colaborador, quem sabe pode ajudar sua empresa a ser mais produtiva, divertida e participativa.

Você está feliz?

É mais do que sabido que funcionário feliz é mais produtivo. Se levantar da cama anda sendo um problema maior do que de costume, ou se suas atividades profissionais entraram no “piloto automático”, talvez seja hora de rever as coisas.
Faça o teste e veja o quão feliz você está com seu trabalho atual. Mas, lembre-se: ninguém é feliz 100% do tempo, ok?

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