Lideres Obsoletos – GV n. 178

Os Líderes Estão Obsoletos?

 

 


Essa pode parecer uma pergunta estranha, mas ela é muito válida, e vou contar porquê. Há no mundo dos negócios basicamente duas frentes sobre a importância de um bom líder na empresa.

 

Uma destas frentes diz que um bom líder faz uma enorme diferença no sucesso de uma empresa. Ela defenda que as empresas crescem e prosperam porque existe alguém excepcionalmente bom liderando todo o sistema, e este líder consegue fazer isso independentemente das turbulências do mercado. É como se o líder fosse a base da empresa, o núcleo que segura a organização – faça chuva ou faça sol.

 

A frente oposta diz justamente o contrário: ela afirma que o líder não faz a menor diferença no sucesso ou fracasso de uma empresa. Essa frente defende a idéia de que a empresa é um ser vivo completamente dependente do meio em que está inserida. Ou seja, que o destino dela não está na mão das pessoas que trabalham nela, nem do líder principal, mas sim na complexidade do sistema externo – coisas que ninguém pode controlar.

 

Neste caso, quem domina é o sistema, e não o líder. Esta frente defende ainda que é impossível prever e, principalmente, se preparar para o futuro. Dizem que todas as empresas vão morrer, só que em momentos diferentes.

 

A idéia basicamente é esta: se o líder determina o destino de uma empresa, então por que uma boa gestão, uma boa estratégia e muitos recursos disponíveis não são suficientes para garantir uma excelente performance e até a sobrevivência da empresa? Por que tantas empresas teoricamente gerenciadas com competência acabam fracassando mesmo assim? Os defensores dessa frente dizem que é justamente porque os líderes não fazem diferença.

 

Howard Sherman e Ron Schultz, autores do livro Open Boundaries (livro sem tradução no Brasil), dizem que as empresas que são gerenciadas pelos modelos tradicionais, com executivos desenvolvendo análises e formatando a organização para atender as necessidades que eles mesmos previram, estão obsoletas. Esses líderes são lentos para as rápidas mudanças de hoje. Um novo tipo de empresa ganha agora – aquelas que emergem do novo sistema e não apenas se adaptam a ele.

 

Os autores argumentam ainda que os negócios hoje não estão somente mais rápidos, mas também muito diferentes: eles acontecem de forma não linear. Não há continuidade no fluxo dos acontecimentos e não há nenhuma forma de predizermos quais os produtos, serviços ou empresas irão ter sucesso. As vantagens competitivas de um são rapidamente copiadas pelos outros e o mercado muda tão rápido que o que alcançamos hoje já não vale mais nada amanhã.

 

 

Mas então, será o fim dos líderes?

 

Esses mesmos defensores de que um líder não influencia o sucesso de uma empresa dizem que a organização precisa sim de gerenciamento. Mas o que eles sugerem então que o líder faça?

 

Eles querem que os gerentes façam tarefas simples, como recrutar bons profissionais e colocá-los dentro dos times auto-suficientes (que não dependem deste líder). Não existe uma hierarquia bem definida pois as decisões são tomadas em conjunto e o voto de todos na equipe tem o mesmo valor.

 

Os autores assumem que as pessoas que trabalham neste novo modelo de empresa são brilhantes, motivadas e com uma grande capacidade de trabalhar em grupo, e por isso, não precisam ser gerenciadas.

 

Mas você não acha que esta idéia está errada? Eu acho que sim. Uma empresa em rápido crescimento e com profissionais ágeis, espertos e ambiciosos depende ainda mais de um bom gerenciamento. Geralmente, nessas equipes, vemos muitos conflitos pessoais, colegas que querem ganhar mais dinheiro e mais reconhecimento que os outros, minando completamente o clima e causando uma alta rotatividade de funcionários.

 

A verdade é que quando uma empresa é nova, ela tem energia do seu fundador e sua missão e seus objetivos são claros. Mas conforme ela vai crescendo, esses objetivos vão se misturando com tantas outras prioridades que seus funcionários começam a trabalhar sem foco. A eficiência da empresa diminui. A não ser que… (adivinhou) ela seja muito bem gerenciada.

 

Se um grupo de profissionais vai trabalhar unido em busca de objetivos comuns, independentemente do crescimento e das rápidas mudanças da empresa, será preciso bons líderes que saibam recrutar e selecionar os melhores talentos para as devidas tarefas, remunerar e incentivar corretamente essas pessoas, supervisionar e resolver conflitos, e avaliar todo o time para que as pessoas que não estão trazendo os resultados esperados possam ser treinadas para superar suas deficiências ou recolocadas no mercado.

 

 

Sim, nós precisamos de líderes!

 

Veja que todas estas tarefas só poderão ser executadas corretamente se o líder for realmente bom. Algumas pessoas até hoje nunca tiveram a chance de trabalhar com um líder deste tipo e por isso acredito que talvez sejam estas pessoas que acreditam que o líder não é tão necessário. Você precisa ver um grande líder em ação para realmente acreditar e comprovar a diferença que ele faz no curso de uma empresa.

 

Um grande líder se preocupa com seus funcionários, conversa com várias fontes para descobrir o que está acontecendo e enxerga um pouco mais à frente sobre as ações – e reações – que a empresa deve ter. Ele/ela então usa essas informações para desenvolver sistemas e processos para resolver os problemas atuais, e também para evitar que outros apareçam. Esse é um trabalho que tem que ser feito todos os dias para que a empresa possa continuar eficiente, mesmo crescendo e se tornando mais complexa.

 

As pessoas fazem uma grande diferença no mundo dos negócios (e em todos os outros, não é mesmo?). Hoje, temos muitos exemplos de grandes líderes que conseguiram levantar suas empresas, independentemente da dificuldade do mercado em que estavam inseridas. Os exemplos mais comuns e debatidos no mundo do gestão hoje em dia são Michael Dell, da Dell Computers. Steve Jobs, da Apple. Lou Gerstner, da IBM. A. G. Lafley, da Proctor & Gamble e Jack Welch, da GE.

Tenho certeza que existem mais grandes líderes do que podemos imaginar, guiando empresas das mais diversas áreas e dos mais diversos tamanhos, em todo o mundo.

 

Realmente é difícil projetar o futuro, mas certamente, se os líderes estiverem preparados para reagir de maneira rápida, tiverem uma estratégia forte e os melhores profissionais que puder ter, ela vai sobreviver – e prosperar – a quase qualquer tipo de futuro. Selecione melhor que seus concorrentes, remunere melhor que os seus concorrentes, gerencie melhor que os seus concorrentes e você certamente terá uma chance bem maior de vencer.

 

Além disso, se estivermos preparados, tivermos os conhecimentos, as habilidades e as atitudes certas, o futuro jogará a nosso favor. Como Alan Kay, diretor do núcleo de pesquisa e desenvolvimento da Disney, disse “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.”

 


No final das contas, as empresas da nova geração – que atuam em mercados turbulentos e de rápidas mudanças – são muito parecidas com quaisquer outras empresas: elas precisam de uma excelente liderança ou não terão capacidade para agüentar as tempestades do mercado.

 

E você, vai escolher ser um líder que realmente influencia o futura da sua empresa e da sua equipe? Ou vai apenas ser levado pelas ondas do mercado? Você pode fazer a diferença e o fato de você estar agora, lendo este artigo, procurando formas mais eficazes de trabalhar e vender mais, já me diz que você deu o primeiro passo.

 

Agora não deixe a rotina abalar sua iniciativa. Influencie positivamente sua empresa, sua equipe e suas vendas!

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