Mentalidade milionária ou mentalidade pobre?

Sua mente está programada para ser milionária?

Sempre gostei de dinheiro. Quando criança, colecionava moedas, notas e selos esperando que um dia se valorizassem. Quando me perguntavam o que queria ser quando crescesse, sempre respondia: “Milionário”, o que irritava profundamente meu pai, que dizia que eu precisava escolher uma profissão primeiro, ser bom nela e aí, sim, seria milionário.

 

Não sabia bem responder por que queria ser milionário. Parecia muito legal ter dinheiro, por que não então ser milionário? Como disse Woody Allen, “é melhor ser rico do que pobre, nem que seja somente por questões financeiras”. A melhor coisa de ter dinheiro é não ter que se preocupar com a falta dele.

 

A verdade é que o dinheiro faz parte da vida, mas raramente se fala sobre ele. Não se fala de dinheiro na escola, o que acho um erro tremendo (basta ver uma pesquisa recente que mostra que mais de 60% dos brasileiros não sabem quanto de juros pagam numa compra parcelada). Os pais raramente ensinam os filhos a lidar com o dinheiro. Em alguns grupos sociais, o dinheiro é visto como “sujo”, algo muito próximo do pecado e do mal. E também algumas posturas, francamente hipócritas, quando se critica o dinheiro em público, mas nos bastidores faz-se de tudo para tê-lo.

 

Tudo isso faz com que parte do nosso dia a dia seja tão mal compreendido. Basta ver como a questão “dinheiro” é muitas vezes a maior fonte de conflitos em casamentos. Uma das primeiras coisas que as pessoas precisam começar a entender é o modelo mental que nos criaram quando crianças. Relembre a atitude de seus pais e família em relação ao dinheiro. Crescendo nesse ambiente, você acha que foi condicionado para o sucesso, a mediocridade ou para o fracasso financeiro?

 

Esse condicionamento influencia de maneira dramática o que significa dinheiro na sua vida. Status? Liberdade? Prazer? Segurança? Sucesso? Esse tipo de programação mental também leva você a tomar outras decisões importantes. Por exemplo, você foi condicionado a gastar, a guardar ou a investir dinheiro? A ter uma renda alta, média ou baixa? Qual destes pensamentos reflete melhor o que pensa sua família: quando tiver dinheiro vou administrá-lo melhor ou quando administrá-lo melhor vou ter mais dinheiro?

 

Isso é muito importante em vendas, porque já encontrei dezenas de situações em que vendedores subutilizavam todo o seu potencial ou as oportunidades que tinham para vender mais. É muito comum  encontrar vendedores que batem a meta no dia 25 e param de vender, atingem um patamar de comissões ou rendimento e param de vender, mesmo tendo potencial para vender duas ou três vezes mais, só que se acomodam.

 

O que determina isso é, na maioria das vezes, um modelo mental. As pessoas têm uma área de conforto mental em relação ao sucesso financeiro e, se saem dele, para cima ou para baixo, fazem de tudo para voltar ao estado de conforto. Se a pessoa está confortável e feliz com mil reais por mês, pode ter certeza de que é por ali que vai encontrá-la. É o que Harv Eker, autor de Os segredos da mente milionária, chama de “termostato mental”.

 

A mesma coisa acontece com o sucesso. Quando você vê o sucesso dos outros, isso te motiva ou desmotiva? Cansei de receber e-mails de líderes que não querem fazer campanhas de vendas e premiar os melhores porque isso pode desmotivar o restante. É a meritocracia de cabeça para baixo: não vamos falar dos bons porque os ruins podem se magoar. E acontece todos os dias! Como diz Eker em seu livro, “pessoas de mentalidade pobre ressentem-se com a riqueza e o sucesso dos outros. Pessoas de mentalidade rica admiram outras pessoas ricas e bem-sucedidas”.

 

Outubro é o mês dos vendedores. E o que eu gostaria de propor, mais do que parabenizar pela data, seria uma grande reflexão: estamos realmente condicionados para o sucesso em todas as áreas da nossa vida? Precisamos trabalhar isso melhor se quisermos que a palavra “vendedor” seja realmente uma referência de sucesso, prestígio e reconhecimento.

 

Abraço, boas vendas e parabéns!

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