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Motivação ou Auto-motivação?

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Lendo um artigo recente sobre produtividade, publicado na revista Management Today, comecei a pensar seriamente (mais uma vez) nas forças que motivam um ser humano a agir (ou não). Parece que havia uma fábrica americana de componentes metálicos que não ia lá muito bem das pernas. Seu dono e principal executivo, já meio desesperado, queria que seu pessoal aumentasse a cota diária produzida de 80 para 100 peças – e ofereceu pagar um bônus a quem conseguisse atingir a cota.

Os empregados, muito “malandros”, pensaram: “A gente faz 100, ele paga algumas vezes o bônus e pronto! – vamos ter que ficar o resto da vida fazendo 100 peças por dia. Se não fizermos, ele vai nos jogar na cara que poderíamos produzir mais, que somos uns molengas”.

Moral da história: a proposta foi um fracasso.

Aí o executivo teve uma idéia brilhante: reuniu os trabalhadores e disse: “A partir de hoje a cota diária é de 120 peças. Quem acabar pode sair e ir para casa mais cedo, não importa que horas sejam. Também vou começar a pagar o salário diariamente. Prometo não aumentar as cotas nem mudar as regras. Topam?”

Os funcionários toparam e, para surpresa geral, tinha gente produzindo as 120 peças e saindo 2 horas antes de acabar o expediente. Matematicamente, isto significa um aumento de produção de 50% (de 80 para 120 peças) com uma redução de 25% no número de horas trabalhadas (de 8 para 6 horas) – um aumento de produtividade de 100%!

Eu conheço gente que diria “Tem que matar! Chicotear!” ou “São todos iguais – cambada de vagabundos! Porque não produziam mais antes?”

A verdade é que você pode berrar até ficar rouco ou ter uma convulsão (ou não berrar e ter uma úlcera), mas as pessoas só fazem o que querem fazer e ponto final. Mesmo o dinheiro tem um poder de persuasão limitado, pois as pessoas podem se “prostituir” (no sentido figurado) até certo ponto depois mandam tudo às favas. Ou porque você acha que alguns funcionários somem depois de receber o salário?

Foi Bertrand Russel um dos primeiros pensadores modernos a defender a carga horária de meio-período, ou seja, trabalhar de 4 a 6 horas por dia. Ele defendia que haveria maior produtividade, menor desemprego e muito mais alegria de viver (ele inclusive ganhou o Nobel de Literatura com este livro).

Embora pequeno, existe hoje um movimento de pessoas abandonando a “workaholismo” para se dedicar ao que realmente querem – mas são uma minoria, simplesmente porque poucas pessoas sabem realmente o que querem de sua vida.

Segundo Mark Twain, a diferença entre trabalho e diversão é que um deles você é obrigado a fazer, o outro não.

Infelizmente, muitas pessoas são como os tubarões: não podem parar de nadar porque senão afundam. Na área de Vendas, principalmente, existe um “turn over” gigantesco, porque poucas pessoas escolheram realmente esta profissão. A maioria caiu ali de pára-quedas, já fazendo planos para o próximo passo ou emprego.

No final das contas, acabamos no seguinte: ao escolher uma profissão, seja lá qual for, uma pessoa tem toda uma carga de expectativas que, com o passar do tempo, ou se realizam ou são frustradas. Dinheiro, reconhecimento, pressões sociais e da família também entram nesta conta, fazendo o sujeito, coitado, um marionete nas mãos do destino.

Se você trabalha com alguém que anda “com o freio de mão puxado”, pergunte a si mesmo se você não está vendo um pássaro preso numa gaiola. Não importa quão bonito ou bem-cantante seja o seu pássaro, o lugar dele não é ali.

A visão que se tem hoje do “Patrão” no Brasil (de explorador) é muitas vezes bem merecida – existem milhares de patrões (e patroas) por ai dizendo: “Não posso dar moleza que senão vira uma bagunça”. É uma visão burra.

Escolher melhor a equipe é que é o segredo do sucesso – e não o tamanho do chicote. Como disse Nietszche, em “Assim Falou Zaratustra”: o seu destino não é ser um enxota moscas. Você simplesmente não pode passar a sua vida tentando estimular todos ao seu redor (ou pior, sendo estimulado). Ao selecionar melhor o seu pessoal e as tarefas que terão que cumprir, você vai ver que existirão pessoas que começarão a fazer horas extras por conta própria e com um sorriso (de verdade!) na cara.

É porque não estarão trabalhando, estarão se realizando. E se realizar não significa a mesma coisa para todo mundo (felizmente nem todos querem uma BMW), por isso não seja preconceituoso. Cada pessoa tem um dom próprio, que pode ser utilizado numa função produtiva. Mas, como no caso do passarinho na gaiola, muitas vezes você abre a porta e o pássaro, acomodado, se recusa a sair. Jogue ele para fora! Com força!

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