O homem que vendeu sonhos ao mundo

Por Raul,  Brasilio e Equipe VendaMais

Esqueça os filmes que batem recordes e recordes de bilheteria. Não ligue para os videogames que fazem a criançada passar noites em claro. Ou os brinquedos que levam pessoas do mundo inteiro aos parques da Flórida. Ou às incontáveis quinquilharias. Esqueça, se puder, os gibis, incontáveis gibis escritos por décadas e décadas.

Esse não foi o maior feito de Stan Lee, criador de boa parte dos Super-Heróis da Marvel. Nem de longe.

Sua grande façanha foi ter povoado nossa mente com tantas personagens incríveis. Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Mulher Aranha, Homem de Ferro, Doutor Estranho, X-Men. Todos temos na cabeça um ou outro fato sobre cada um deles. Poderíamos dizer apressadamente que Stan Lee ocupou o nicho dos Super-heróis na imaginação de cada um de nós.

Isso não é verdade.

No início da carreira, Stan Lee desenhava histórias “eu-também”. Ou, no caso, “minha-editora-também-faz-histórias-de-super-herói” como as grandes da época. E não iam a lugar nenhum. Tanto que se escondia. “Stan Lee” é um pseudônimo que ele criou partindo seu nome, Stanley, ao meio. Ele só assinaria “Stanley Lieber” quando conseguisse publicar romances sérios, ora essa. E não era só ele que cambaleava na época. A então Timely, naquele finalzinho da década de 1930, via suas vendas patinarem em frente às grandes da época. Mesmo assim, pediu para Stan Lee escrever mais um “eu-também”. Um grupo de super-heróis que rivalizasse com o campeão de vendas da época, a Liga da Justiça.

Ele foi meio assim-assim com a tarefa nas costas, quando decidiu arriscar tudo. Se a maior parte das pessoas da Timely iam ser demitidas de qualquer forma, era hora de escrever as histórias que ele realmente queria contar. E assim, surgiu o Quarteto Fantástico. Mais do que isso, surgiu um jeito novo de se olhar para o mercado dos gibis.

Stan Lee foi o primeiro a esquecer o “super” e escrever sobre o “herói”, a “heroína”. Pessoas comuns, com falhas e inseguranças, com seus medos e hesitações. Personagens com quem a garotada da época podia se identificar. Se deu certo? Com o Quarteto Fantástico, a Timely – hoje Marvel – recebeu suas primeiras cartas de fãs.

Agora, imagine se Stanley tentasse apenas fazer um clone de Liga da Justiça. Hoje provavelmente não haveria Homem-Aranha, X-Men, Feiticeira Escarlate, Homem de Ferro. Nossa imaginação seria menos povoada de feitos de heroísmo, humor, drama, vida quase real desenhada página após página.

Se fôssemos fazer um artigo de gestão, essa seria a primeira grande lição do Mestre Stan Lee: ache seu posicionamento. Descubra nichos inexplorados e os ocupe.

Lee também era mestre em manter a sua equipe motivada. Sempre fez questão de ter os melhores artistas desenhando seus roteiros, mesmo quando a Timely não podia pagar o mesmo que as outras. Em vez disso, os envolvia no processo, trocava ideias, fazia o que fosse possível para manter o trabalho desafiador e divertido. Stan Lee provou que talentos são mantidos por outros fatores além do dinheiro.

E há muito mais que Stan nos ensinou.

Mas, principalmente, que a força não está no “super”, está no “homem”. Na pessoa com sentimentos e problemas comuns. Que, mesmo assim, dá tudo de si para ajudar os outros, para salvar os civis, para cumprir a missão. A força, força mesmo, está na Pessoa. No herói e heroína comum. O “super” vem muitas vezes de um acidente, de uma bomba gama, de uma aranha radioativa. Ou vem porque nascemos assim (Stan Lee revelou certa vez que todo conceito de “mutantes”, de pessoas que nascem com superpoderes, surgiu porque ele estava com preguiça de criar uma origem mirabolante para todo novo personagem). O super vem, muitas vezes, sem merecimento. Sem meritocracia. O herói, a pessoa, nós fazemos todo dia.

Obrigado por ser um desses heróis, Stan.

Vamos seguir o exemplo?

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