O rei de Nova York

Marcos Cohen, brasileiro, é o corretor que mais vende apartamentos na “capital do mundo”

O ano é 1987 e Marcos Cohen, como muitos outros brasileiros, busca alternativas para escapar de um país que vive de planos econômicos sofríveis, inflação alta, desemprego e, principalmente, falta de perspectiva para crescer profissionalmente. Larga a faculdade e, com a cara, a coragem e muitos sonhos, compra uma passagem para Nova York.

O jovem carioca da Tijuca não podia imaginar o que o futuro reservava para ele: tornar-se o corretor que mais vende imóveis nessa cidade. E não foi por acaso. Para quem acha que seu sucesso é consequência do crescimento econômico do Brasil e, por extensão, de muitos brasileiros comprarem imóveis em Manhattan, Marcos é fluente em inglês e espanhol, entende-se bem em francês, italiano, russo e chinês. Não à toa, sua carteira de clientes é recheada de clientes de todas essas nações.

Sempre trabalhou na área comercial. No Brasil, era representante de vendas de relógios. Ao chegar à Big Apple, empregou-se em uma loja de artigos eletrônicos. Entre suas principais qualidades, podemos destacar a simpatia, ser franco na comunicação, conhecer a cidade como poucos (inclusive americanos), entender os desejos e as expectativas dos clientes e, claro, muita fé e perseverança.

Em 1994, iniciou-se na corretagem. Dezenove anos depois, tornou-se o maior corretor de imóveis de Nova York. Em fevereiro deste ano, Marcos Cohen foi eleito e premiado – entre outros quatro mil corretores – pela Douglas Ellimann, a maior imobiliária da região, o campeão de vendas. Um feito admirável.

Em maio tivemos a oportunidade de conhecê-lo e entrevistá-lo. Nas linhas a seguir, um pouco mais de Marcos Cohen.

Início

“Em 1986, no Rio de Janeiro, já trabalhava como representantes de vendas de relógios. Tinha 22 anos. Em um período de férias, aproveitei para passar dois meses em Nova York. Quando retornei ao Brasil, encontrei um país deprimido financeiramente e triste com a implantação do Plano Cruzado 2. Isso me impulsionou a vir tentar a sorte nos EUA. Larguei a faculdade de jornalismo, o emprego de representante e vim para cá. Cheguei aqui com a cara, a coragem e muitos sonhos, como tantos outros imigrantes. Trabalhei em vários subempregos. Comecei a corretagem em 1994. Antes disso, tive uma carreira de 5 anos em uma loja de eletrônicos, na quinta avenida. Vendia muito bem e fui promovido a gerente. Devido a grande admiração que tenho pela arquitetura da cidade, decidi apostar em imóveis. Foi uma forma de ter uma pequena participação na história da cidade.”

Número 1

“Ao longo da minha carreira, sempre estive entre os 20% melhores, ou seja, sempre fui muito consistente em vendas. Porém, nos últimos anos, o poder de aquisição da moeda e a grande procura dos brasileiros por apartamentos, possibilitaram um influxo maior nos meus negócios. Não fiz nada de diferente, foi só uma culminação de anos de trabalho que acabou me colocando como número 1.”

Diferencial

“Não sei o que fiz de diferente, mas acho que o que me ajuda é a franqueza, a honestidade e a facilidade nata em me comunicar. Trabalho árduo e honestidade são meus lemas. Acho que os clientes veem isso e sempre me recomendam aos amigos. Raramente anuncio meus serviços, os clientes aparecem por causa da propaganda boa a boca. Nada é mais gratificante para mim do que ver clientes satisfeitos. É um testemunho do meu trabalho.”

Perder clientes

“Acho que todos os vendedores, de qualquer ramo, sempre perdem clientes. Particularmente, nunca perdi um por culpa minha. Quando isso acontece, o que é raro, é por circunstâncias e decisão do próprio cliente. Jamais me culpo, pelo contrário, sempre mando um cartão desejando ao cliente a melhor sorte para a decisão que tomou.”

Desistir

“Nunca pensei em desistir. Nunca! Toda venda tem seus desafios e estresses. Porém, sempre procuro me manter focado e entender que não posso controlar tudo no processo. Aprendi a deixar a bola rolar e saber que estou dando o melhor de mim. Jamais desistir!!”

Inspiração

“Minha maior inspiração é, e está sendo, minha própria história. Sair do Brasil, aos 22 anos, passar por vários subempregos, sofrer no começo com o frio e a falta da família em um lugar estranho, hoje, quando acordo, costumo agradecer pelo que tenho e pela carreira que construí. Sei que trabalhar com vendas é sempre uma constante corrida. Não acredito em reclamar, pensar negativamente ou dramatizar uma situação. Já fiz isso, mas aprendi que isso só traz ainda mais negatividade. Hoje, encaro tudo com mais calma e sempre agradeço pelas oportunidades. Procuro ver o melhor lado da vida. Escolhi olhar para todas as minhas vendas como um desafio. Se vendo, é mais uma conquista. Se, por razões diversas, não vendo, olho para a situação como um aprendizado e que isso faz parte do meu trabalho.”

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