“A felicidade está nas pequenas coisas”. Aquele antigo ditado que se encontrava nas embalagens de balas compradas na infância foi muito lido, mas o conceito se apagou depois que crescemos e nos enchemos de responsabilidades. Roberto Shinyashiki, psicanalista e autor de vários livros na lista dos best-sellers, fala nesta entrevista a Técnicas de Venda sobre a fonte intensa de beleza e força que todos têm dentro de si para buscar a felicidade. Ele propõe a revolução pela felicidade, uma reviravolta acessível, que pode estar mais próxima do que imaginamos. Mais que a realização financeira obtida pelas boas vendas, o cargo ou status, ele afirma que o verdadeiro sucesso é mesmo ser feliz”. Nara Damante
Todo mundo conhece a história de alguém que chegou ao fim da vida frustrado por não ter vivido aquilo que queria ou por não ter tido coragem de viver seus sonhos plenamente. Muitas dessas “encucações” estão ligadas a coisas bem simples, muito distantes da sorte de ser rico e bem-sucedido ou ter poder e fama. Esses empecilhos da felicidade são inibidores de momentos de breve contentamento, normalmente relegados a um futuro distante.
Assim, abraçar um amigo, estender a mão para alguém que precisa de ajuda no trabalho, brincar com o filho, dar mais atenção à mulher (ou marido) e acompanhar o filho ao jogo de futebol são atividades que fazem a diferença em nosso bem-estar emocional ao longo da vida. O consultor organizacional Roberto Shinyashiki, autor de vários livros de auto-ajuda, começou a observar esse comportamento humano quando trabalhou com pacientes terminais.
Como resultado dessa análise, ele desenvolveu “O sucesso é ser feliz”, uma obra que propõe a revolução pela felicidade e chega às livrarias neste mês, pela Editora Gente. O autor fala com a autoridade de quem já vendeu mais de 2 milhões de livros no Brasil e no exterior com os títulos “A carícia essencial”, “Amar pode dar certo” “Pais e filhos – Companheiros de viagem”, “Mistérios do coração”, “Sem medo de vencer” e “A revolução dos campeões”.
Para Shinyashiki, qualquer ser humano pode ser feliz. E a “tal felicidade” está nas coisas simples, que todos sabem o que fazer para obter, mas poucos põem em prática. Se esse comportamento é difícil de estabelecer na vida pessoal, na profissional também se faz presente. Sua educação oriental já o levava a perceber que o ocidental vê o sucesso como o fim de quem obtém lucro em seus negócios. Para alguns empresários japoneses, a consciência de lealdade e de que se está construindo uma Nação também é motivo de prosperidade.
Partindo desse princípio, ele costuma dividir o empresariado entre os 20% campeões, aqueles que estabelecem parcerias de compromissos com seus funcionários, e o restante, “dinossauros” comprometidos com ações oportunistas e imediatas. Shinyashiki afirma que em países como o Brasil essa proporção é bem notada, enquanto que no Japão os vencedores tendem a ocupar uma faixa maior, de 30%. O motivo desse sucesso seria a educação formal cuja média por lá é de 10 a 12 anos, enquanto aqui se situa na média de 3 anos e 7 meses – e também a questão cultural.
Embora garanta que o brasileiro tem a melhor vida afetiva e sexual do mundo, há o espírito imediatista, de saciedade imediata e da famosa “lei da vantagem”, o que acaba gerando crises que refletem principalmente na economia. Não é à toa que as negociações nos países orientais levam anos e no Brasil há a cultura do curto prazo.
Com tanta rapidez, Shinyashiki calcula que 80% dos executivos têm problemas físicos gerados por stress, sejam eles insônia, má digestão, prisão de ventre ou outros semelhantes. A doença mais comum no país é a hipertensão, sintoma de que o brasileiro ainda precisa levar uma vida melhor orientada e ter base de como trabalhar para isso.
Pobre homem forte
Shinyashiki classifica três tipos de profissionais baseados na mitologia: o rei Midas, que onde toca vira ouro, mas que é um ser humano infeliz; Sísifo, aquele que nunca chega a realizar nada em todos os aspectos de sua vida e Dâmocles, súdito do rei Dionísio, que fez dele imperador por um dia e que mandou colocar uma espada presa a um fio de cabelo sobre a sua cabeça durante um banquete. Se l% da população consegue ser Midas, a imensa maioria é do tipo Sísifo. Em seu livro, Shinyashiki direciona esses tipos humanos para que cada um possa entender suas limitações. Para um vendedor Sísifo ele indica o caminho do amor a si mesmo e a conscientização da força interior. Já para o gerente de vendas Dâmocles ele ensina a acreditar na vida, no amor e na empresa e a convencê-lo de que a única coisa que tira o seu talento é o medo de usá-lo. E para o patrão Midas ele mostra que além de colecionar dinheiro há o fator humano, como descobriu Schindler, que, durante a Segunda Guerra Acolheu judeus em troca de dinheiro e depois se viu envolvido com a causa deles.
“As melhores idéias e a qualidade vêm quando o vendedor está de bem com ele mesmo, com a equipe e a chefia. O conceito de exploração do funcionário nada tem de produtivo”, recomenda Shinyashiki. Para ele, a empresa deve se preocupar com a felicidade do funcionário como um composto, investindo em educação, não em adestramento. Desta forma, de nada adianta formular um script de vendas sem que o vendedor conheça o que está vendendo e o que está argumentando. O segredo para a integração do vendedor e seu produto estaria em não tentar embutir palavras, mas em apresentar os conceitos e criar uma mentalidade própria nos funcionários.
Caminhos para a felicidade de um vendedor
– Os desafios devem estar à altura de sua capacidade;
– Percepção de que se está crescendo na estrutura da empresa;
– Reconhecimento dos investimentos da empresa com sua formação e desenvolvimento;
– Salário compatível;
– Bom ambiente de trabalho;
– Poderes para negociar.
O caminho da infelicidade
Mas como a empresa descobre que seus funcionários são infelizes? Empregadores de funcionários infelizes têm muito em comum. Shinyashiki diagnostica a infelicidade num ambiente quando há muito absenteísmo, alto turnover e um excesso de metas não cumpridas.
O mais freqüente é que haja também a “síndrome do líder solitário”. Isso acontece com aquele chefe que acredita que sua equipe está bem porque na frente dele todos são bonzinhos, mas ninguém faz nada para reverter a queda das vendas, por exemplo.
Poucas são as empresas que se liberam do medo e estão dispostas a enfrentar a infelicidade de seus empregados. Em outra vertente, mais rara, estão as organizações mais modernas, que fazem uma análise concreta e desmedida sobre a felicidade de seus funcionários.
Shinyashiki cita como exemplo uma grande companhia que incentiva seus funcionários a externar seus sentimentos relacionados à vida pessoal. Quando uma pessoa está bem afixa uma plaquinha verde em seu quadro pessoal de avisos.
Ao contrário, quando algo não caminha satisfatoriamente, prende uma placa vermelha. Por trás dessa iniciativa está a filosofia de que a aparição do sinal vermelho não quer dizer que alguém se revele incapacitado para o trabalho.
Trata-se de um sinalizador para os colegas posicionarem-se de forma mais compreensiva em relação a possíveis comentários ou atitudes de distanciamento e animosidade. Isso gera cumplicidade e aumenta o grau de entrosamento na equipe. Nessa empresa, a revelação do estado emocional nada tem a ver com desempenho ou termômetro para avaliar capacitação.
Apesar do apoio oferecido pelos colegas, da chefia e até de um profissional especializado, o funcionário não pode ser prejudicado pelo que manifesta em seu quadro de avisos. “A empresa clássica trabalha sobre punições de erros e a vencedora estimula os acertos”, explica ele. Shinyashiki afirma que empresas que realmente se preocupam nesse nível com seu pessoal são exceção no mercado brasileiro. Um dos primeiros movimentos para a percepção mercadológica de que é necessário algo mais que salário para alimentar a felicidade dos funcionários pode ser a divulgação de um ranking das melhores empresas para se trabalhar, que será publicada em breve pela revista Exame.
Deixar os problemas “do lado de fora do escritório” não corresponde à realidade globalizada do comportamento humano. Mas em sua visão oriental Shinyashiki acredita que com algum treinamento e concentração alguém pode dominar a mente e manter seu trabalho com qualidade idêntica ao que teria em situação normal. Essa concentração é obtida quando se consegue ser dono de sua própria atenção, mobilizando-se para o momento que está vivenciando. “Poder é a capacidade de ter concentração sobre seu domínio, o que leva a uma atenção exclusiva ao que se está realizando”, ensina. Curiosamente, essa atenção pode ser obtida integralmente no trabalho, porém, pode falhar quando alguém tenta voltar esse treinamento para a diversão. Há sempre a tendência de pensar no trabalho e não absorver totalmente a descontração que se pretende proporcionar.
Dessa forma, será que um profissional que só pensa em trabalho pode ser feliz? Segundo Shinyashiki, dá para viver como workaholic e ser feliz, desde que essa se revele uma opção verdadeira, sem enganos que escondam frustrações em outras áreas. “A sociedade tende a definir padrões de felicidade. Cada um tem que descobrir o seu jeito de ser feliz”, diz. Para ele, a chave para definir a felicidade pessoal de um gerente e de qualquer profissional está canalizada nos três s: saúde, sexo e sono, que podem ser compatíveis com o gosto pelo trabalho.
Motivação
A felicidade na empresa depende basicamente de motivação. Shinyashiki enumera como condições básicas para a alegria no trabalho os desafios, que devem estar à altura da capacidade de cada um; a percepção de que se está crescendo na estrutura da empresa; e o reconhecimento do investimento da empresa no funcionário, além do salário compatível. Ele reforça que a empresa que muito investe em programas de motivação e não oferece salário satisfatório compromete sua produtividade.
Para muitas pequenas empresas, vale mais pegar o dinheiro da festa anual de final de ano e repartir entre os funcionários do que utilizá-lo para uma reunião formal e enfadonha. Shinyashiki afirma que o dinheiro simboliza para o empregado a tradução do valor que a empresa dá a ele. Quando essa relação está comprometida, dificilmente qualquer programa motivacional será bem-sucedido. O dinheiro, assim como o ambiente de trabalho e a delegação de poderes, confere importância ao funcionário.
Shinyashiki acha que a rotatividade é improdutiva, contrariando a teoria de que um profissional com experiência em muitas empresas tende a ser melhor do que o que atua há anos na mesma. Lealdade é um conceito básico na empresa. É preciso ter uma equipe em que se confie”, alerta.
Liderança abalada
Na análise de Shinyashiki, os lideres devem entender que as pessoas da empresa vão fazer o que ele faz e não o que ele manda. Por vezes, os programas de Qualidade Total valorizam o poder do gerente em detrimento do entendimento de que ele tem que participar intensamente das atividades e não apenas comandar. Ainda é usual acharmos nas empresas aquele líder que administra de portas literalmente fechadas. Shinyashik defende que os chefes devem ir até os funcionários e ver o que está acontecendo. “Dificilmente alguém entra na sala do chefe para dizer espontaneamente que as coisas vão mal”, assegura.
Dicas para a felicidade de um líder
? Manter olhos para ver o trabalho e ouvidos para escutar a sua equipe;
? Ter as portas abertas e ir à frente de batalha;
? Os campeões de vendas têm como missão: velocidade, polivalência, visão, capacidade de realização e entendimento do pessoal;
? Salário compatível;
? Bom ambiente de trabalho, equipe motivada;
? Delegação de poderes.
Sobre a figura do líder no trabalho paira também a responsabilidade sobre a felicidade da equipe. Um líder emburrado, nervoso e inseguro não gera positividade em sua equipe. Da mesma forma, fica enfurecido ao perceber o bem-estar natural de seus subordinados. Shinyashiki aponta para algumas pistas indicativas de quando um gerente não poderá colaborar para a integração e felicidade de sua equipe. Em sua opinião, um pai que bate em um filho dificilmente vai respeitar o contrato com um fornecedor, por exemplo. Da mesma forma, um marido (e pai) acomodado tende a ser um chefe desinteressado. Superficialmente, um “Midas” no trabalho pode vir a ser um “Dâmocles” em casa, assim como a mulher que é chefe pode ser submissa em casa.
Porém, ele reforça que um “Midas” tende a lidar com a mulher, os filhos, a amante e todos os que habitam seu universo como objetos. Um “Dâmocles” sempre será um gerente ou empresário medíocre porque não sabe lidar com o cíume e, geralmente, é também hipocondríaco. Já uma mãe assustada tende a ser ditadora com o filho e uma secretária “Dâmocles”.
A diversidade da personalidade dos gerentes deve ser considerada numa empresa. Nem sempre o líder é aquele que mais realiza ou mais vende. Inegavelmente, um supervisor que faz vendas espetaculares motiva a equipe pela competência.
Da mesma forma, o chefe que sabe dialogar e ser compreendido se transforma num “paizão”. Para cada tipo de equipe cabe uma personalidade de chefe.
O líder ditador pode ser bom para o pessoal de baixo comprometimento intelectual, assim como o paizão é bom para funcionários com pouca experiência. Mas por outro lado favorece a acomodação dos que já estão mais seguros de sua performance. “O bom motivador é aquele que engloba os vários tipos de liderança, o que promove a expansão de talentos, confia na equipe, delega e é afetivo”, conclui Shinyashiki.
O roteiro da felicidade, segundo Shinyashiki
– Felicidade não tem classe social, todos podem obtê-la;
– A felicidade depende de coisas simples que você esquece ou não tem tempo de realizar;
– Não é preciso abrir mão de tudo para ser feliz. O que conta não é o que você faz, mas como procura realizar suas metas, com alto-astral;
– Garanta o bom funcionamento dos três S: saúde, sexo e sono.
Roberto Shinyashiki é psicanalista e autor de vários best-sellers.
Se último livro, recém-lançado, chama-se “O sucesso é ser feliz”. A seguir, alguns de seus sucessos facilmente adptaveis à sua realidade, seja qual for o caso: vida pessoal ou profissional.
? A carícia essencial
? Amar pode dar certo
? A revolução dos campeões
? Sem medo de vencer
? O sucesso é ser feliz
Todos os livros publicados pela Editora Gente.
Esses livros fazem parte do catálogo Venda Mais. Para adquirí-los ligue para (041) 336-1613 e fale com Cláudia.


