Tenha causas em vez de tarefas

Qual é o segredo para continuar motivado até depois de bater a meta?

Motivação não existe quando nosso trabalho se resume à execução de tarefas e ao cumprimento de metas da empresa. É preciso ter causas para ser uma pessoa automotivada e que não se limita a números predefinidos.

Em vendas, vale muito aquela expressão: “O céu é o limite”. Afinal, o vendedor faz seu tempo e salário. No entanto, isso pouco ocorre na prática e posso assegurar a você que a maioria das equipes de vendas é formada por pessoas que não ultrapassam seus limites, tampouco ousam superar as metas impostas pela empresa, temendo que, se o fizerem, no mês seguinte o chefe irá aumentá-las em definitivo. É um desperdício ver tanta gente talentosa em vendas, que pode muito mais, ficando na zona de conforto e evitando seu próprio bem, com mais dinheiro no bolso, reconhecimento e ascensão na carreira.

Quando iniciei como vendedor em uma empresa de informática, fui logo investigando com meus colegas vendedores qual era a média de vendas de quem mais vendia e, nos primeiros três meses, coloquei aquilo como objetivo. Em 90 dias, estava prestes a superar essa média, porque me dediquei demais e fiz um bom trabalho com clientes que já tinha de outras empresas do ramo.

No entanto, era muito jovem e ambicioso e fui surpreendido por um vendedor mais velho, que estava entre os que mais vendiam, e que me disse: “Marcelo, nem pense em colocar todos estes pedidos neste mês, porque irá superar a meta que a empresa nos dá e, portanto, correremos o risco de ter nosso objetivo mensal aumentado”. Daí, ele mesmo me explicou que, por diversas vezes, deixava para pôr o pedido de alguns clientes no mês seguinte, evitando tal problemática.

Desse dia em diante, entendi que ambição e superação nunca podem terminar para o vendedor e que, se eu desse ouvidos ao veterano naquela empresa, ficaria no time dos acomodados e não cresceria pessoal e profissionalmente. O que me fez decidir por isso foram as causas que eu tinha para fazer meu trabalho: precisava pagar meus estudos, ir para a faculdade, ajudar minha mãe em casa, fazer viagens, comprar meu carro, vestir-me bem, etc. Mas a mais importante causa era o prazer de vencer barreiras, de fazer benfeito e ser reconhecido.

Em menos de um ano na empresa, eu me tornei gerente comercial e chefe de pessoas que tinham mais tempo em vendas do que eu tinha de vida. E mais: fui, para alguns deles, uma inspiração para mudarem suas zonas de conforto, ajudando-os a retomarem a paixão por vender, o prazer de crescer e a motivação – um motivo para a ação.

Ninguém levanta todo dia e sai para vender se isso for um sacrificante trabalho, realizado somente para pagar dívidas. Essencialmente, todos devem se perguntar: “O que me motiva?”.

Uma vez, um grande vendedor que conheci em uma das minhas palestras me falou: “Nenhum garoto novo aqui na empresa é mais motivado que eu quando meus três filhos pulam na minha cama e me acordam dizendo: ‘Papai, vamos acordar que o senhor precisa trabalhar e vender muito!’”. O pior, dizia ele, era quando o mais novinho, que mal falava, espontaneamente lhe perguntava quando chegava em casa: “E aí, papai, vendeu hoje?”. Ele me disse que isso o corroía por dentro nos dias que não tinha vendido.

Portanto, mesmo com metas batidas, você acha que esse vendedor pararia? Ele mesmo me disse que nunca limitava suas metas. Afinal, tinha três motivos para a ação que o acordavam logo cedo, sem se preocupar se já havia conseguido ou não.

Qual é seu motivo para a ação? Quais são as causas que te impulsionam ou que te acomodam? Desejo que suas vendas nunca cessem nem que pedidos se retardem por sua vontade. Afinal, o sucesso em vendas é algo que demanda inspiração, motivação e ação.

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