Vendedor guerreiro

Júlio César venceu a dificuldade de falar, de se locomover e outras adversidades para se tornar um grande vendedor

Vendedor guerreiro

Júlio César venceu a dificuldade de falar, de se locomover, além de outras adversidades da vida para se tornar vendedor

A história deste mês é sobre superação. Para se tornar vendedor, Júlio César Silva do Nascimento teve de vencer obstáculos muito maiores do que bater metas ou fidelizar clientes. Ele é deficiente físico e tem dificuldades para falar, sequelas de uma queda que sofreu na infância. Ainda assim, o contato com o público é sua maior satisfação; atualmente ele é vendedor de brindes.

História

A mudança radical na vida de Júlio aconteceu em 1990, quando tinha 11 anos de idade e morava em Maringá (PR). Enquanto brincava com amigos, caiu e bateu a cabeça no chão. Horas mais tarde, sentiu dores horríveis e foi levado ao hospital.

Em decorrência da demora dos médicos em diagnosticar o problema, ele entrou em coma. Foi realizada uma tomografia e constatou-se que o problema era dois coágulos de sangue na cabeça, e não meningite como havia sido suposto inicialmente.

A cirurgia para a retirada dos coágulos foi realizada, porém, Júlio César ficou com sequelas no braço e na perna esquerdos, o que fez que ele perdesse parcialmente os movimentos desses membros, além de ficar com dificuldades na fala.

Os meses que se seguiram à operação foram de muito sofrimento. A recuperação era ainda mais dificultada por seu pai, que o agredia com frequência. Aos doze anos, decidiu, com a ajuda de seu avô, investigar o porquê de ter ficado naquelas condições depois da cirurgia. Procurou advogados e pediu laudos do hospital em que foi atendido. Seus advogados desistiram da causa, alegando falta de informações.

A oportunidade

Ainda adolescente, sua primeira ocupação foi carregar as compras das senhoras do bairro até suas casas, mas algum tempo depois foi impedido pelos seguranças do comércio. Foi então que, em uma tarde comum, ouviu uma conversa entre duas pessoas que precisavam fazer a divulgação de uma loja recém-inaugurada e pensavam em distribuir panfletos. Júlio logo se prontificou para realizar o trabalho e foi ali que nasceu a marca que o tornaria vendedor: a Garoto Propaganda.

Para divulgar seu trabalho, mandou fazer um carimbo com a marca e o telefone do orelhão ao lado de sua casa. “Além de trabalhar durante o dia entregando os panfletos, passava madrugadas inteiras carimbando o verso dos panfletos, um a um, até o meu braço bom não aguentar mais”, relembra.

Os negócios iam bem e aos 18 anos Júlio César embarcou rumo a um sonho antigo: retornar para a cidade em que nasceu, Curitiba (PR). Fez bons contatos, chegou a publicar algumas edições de seu classificado, também chamado  Garoto Propaganda, mas, com a saúde debilitada, ficou impossibilitado de trabalhar e pagar o quarto da pensão onde morava. Sem ter para onde ir, chegou a dormir na rua. Com o auxílio de pessoas que decidiram ajudá-lo, conseguiu voltar para Maringá (PR). Com a mãe e os irmãos, tentou a sorte novamente em Curitiba, onde a família trabalhava com serviço de telemensagem.

Em 1999, Júlio começou a revender brindes, atividade que exerce até hoje, sob a marca Garoto Propaganda. Apesar da dificuldade para, muitas vezes, convencer as secretárias a deixá-lo falar com os empresários – que acham que por sua deficiência física está em busca de esmola – a Brindes GP finalmente decolou em 2007. Atualmente, ele vende para o Paraná e para outros estados do País.

Paixão por vender

Júlio César diz que descobriu na profissão de vendedor uma grande válvula de escape para suas dores e desempenha suas atividades com muito prazer, dando o melhor de si. “Adoto como missão na empresa uma frase significativa e verdadeira: ‘Não vendo brindes, vendo atendimento, qualidade e resultado’. Por isso os clientes optam por comprar comigo. Em todas as vendas dou o suporte necessário para que o cliente alcance o sucesso”.

Uma das técnicas de vendas que utiliza é abusar do bom humor – característica muito forte em sua personalidade. “É uma maneira mais fácil de obter sucesso com o cliente, com quem, muitas vezes, devemos rir, dar boas gargalhadas. É infalível!”, conta. Júlio César não se esquece de que é vendedor nem nos momentos festivos. Conta que, em sua festa de aniversário de 28 anos, em Londrina (PR), levou na bagagem um bloco de pedidos e amostras de brindes, o que resultou em novos negócios e clientes.

O dia a dia do supervendedor inclui visitas de prospecção e atendimentos a antigos clientes, sempre que possível. Quando não está na rua, responde às solicitações de pedidos e orçamentos pelo computador. Uma de suas dificuldades está na pós-venda. “No meu caso, é complicado fazer pós-venda por causa da minha dificuldade para falar. Evito entrar em contato com o cliente justamente para não perdê-lo, como já aconteceu algumas vezes. Mas sempre que possível passo para tomar um café com o cliente e saber como foi a aceitação dos brindes”.

Júlio César escreveu um livro contando sua história, intitulado Do céu ao inferno… Do inferno ao céu, e sonha em se tornar palestrante, contar sua história e poder inspirar as pessoas, mostrando que é possível superar as dificuldades. “A vontade de vencer o preconceito é o que me motiva a me destacar cada vez mais para ter sucesso e mostrar que não sou apenas mais um deficiente”, finaliza o supervendedor.


Contato: www.brindesgp.com.br e [email protected]

Perfil

  • Nome: Júlio César Silva do Nascimento.
  • Cargo: diretor comercial da GP Brindes.
  • Há quanto tempo trabalho com vendas: quase 12 anos.
  • Minha primeira venda foi: difícil, pois estava nervoso e o cliente desconfiado de um vendedor inexperiente. Mas com bom humor consegui vender mil canetas.
  • A venda mais importante foi: todas as vendas são importantes, pois são o início de uma parceria.
  • Minha maior motivação: a vontade de vencer.
  • Minha maior decepção: quando sou mal recebido por falar e andar com dificuldade.
  • O que ainda preciso melhorar: a comunicação com os clientes.
  • O cliente ideal: aquele que não deixa o vendedor esperando horas na recepção e depois fala que não pode atendê-lo.
  • Objetivo para daqui a cinco anos: ser um palestrante conhecido em todo o Brasil.

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