Você sabe vender o inusitado?

Saiba como a psicóloga Márcia Jorge conseguiu vencer os desafios do mercado e alcançou sucesso em sua autogestão como personal stylist

Quem nunca ouviu falar em serviços como marido de aluguel, dog sitter, rezadeiras de velórios, dançarinos de aluguel, contador de histórias, personal trainer e, agora, até personal stylist? Serviços um dia desconhecidos e sem credibilidade que, aos poucos, não só conquistaram o mercado, mas também conseguiram manter seu posicionamento em meio a tantas ofertas inusitadas.  Se você também tem uma dessas ideias e não sabe como colocá-la em prática, acompanhe como a personal stylist Márcia Jorge desenvolveu seu talento e alcançou o sucesso profissional!

 

Como surgiu a ideia

Os mais de dez anos em contato com sua paixão de infância – o mundo da moda – fez com que Márcia Jorge entrasse para o time de bookers de uma tradicional agência de modelos em São Paulo. A rotina de acompanharmodelos em desfiles, editoriais, provas de roupa e negociação de cachês fez com que ela vivenciasse a moda em todas as suas etapas, até surgir a ideia de investir em um negócio próprio.

“A moda sempre foi a minha paixão desde a infância. Gosto de me vestir bem, compor o meu guarda-roupa e criar muitasproduções pra lá de imprevisíveis! As pessoas, sabendo disso, sempre me requisitavam para escolher suas roupas, fazer compras, dar minha opinião, montar suas produções para as ocasiões. Então, pensei comigo: por que não usar toda essa vivência, esse conhecimento, esse feeling, e transformar tudo isso em um bom negócio?”, refletiu Márcia.

Há seis anos, ela iniciou informalmente como personal stylist das amigas, colegas e familiares e, há pouco mais de um ano, decidiu se profissionalizar no serviço, buscando formação técnica em um curso particular com duração de três meses e aulas práticas e teóricas. “Atualmente, faço a consultoria de estilo pessoal e imagem, que é o personal styling tradicional, mas também criei o método psicostyling, em que associei a psicoterapia individual com o styling. Como psicóloga, me especializei em questões de autoimagem, imagem corporal e autoestima, e uso isso em meus atendimentos, pois acredito que não adianta cuidar da imagem exterior de uma pessoa se, na verdade, muitas vezes as mudanças devem começar internamente. Depois disso, sistematizei minhas frentes de atendimento”, ressalta.

 

Que serviços abrangem uma personal stylist?

  • Consultoria de imagem e estilo (análises de perfil, estilo pessoal, biótipo, etc.).
  • Orientação sobre peças de roupa que mais valorizam a pessoa e o que deve ser evitado, assim como acessórios, maquiagem, corte e cores de cabelo mais adequados ao tom de pele e formato de rosto.
  • Organização de guarda-roupas.
  • Personal shopping.
  • Montagem de looks e lookbooks.
  • Dicas específicas de moda para festas, viagens e trabalho.

 

Visibilidade e credibilidade

Adolescentes e mulheres entre 12 e 80 anos são o maior público-alvo de Márcia Jorge – e, eventualmente, alguns homens já procuram seus serviços. Para gerar visibilidade ao seu trabalho, ela inicialmente montou um escritório dentro de uma das maistradicionais agências de modelos e atores do Brasil e lá promoveu amostras gratuitas do atendimento atreladas à criação de website/blog, parcerias e contratação de assessoria de imprensa. “Em meu blog, que é constantemente atualizado e ligado ao meu website, há todas as informações sobre os serviços que presto. Além disso, contratei uma assessora de imprensa e firmei parcerias que foram essenciais na minha trajetória. Termeu nome ligado ao de pessoas e empresas bem estabelecidas no mercadogerou não apenas visibilidade, mas, principalmente, credibilidade ao meu trabalho”, reconhece a empresária.

 

Vantagens e desvantagens da autogestão

Como em tudo na vida há sempre os dois lados, no autogerenciamento não seria diferente. Para Márcia, que não é apenas a idealizadora do negócio, mas também quem vende e gerencia o atendimento de seus clientes, organizando sua agenda de acordo com as necessidades de ambas as partes, fica mais fácil identificar as vantagens e desvantagens da autogestão. “Sem dúvida, o lado bom é ter um maior controle sobre o que está acontecendo, sem falar que o fato de eu mesma fazer tudo deixa o trabalho bem menos impessoal, o que me torna mais acessível aos olhos do cliente. Por outro lado, quando você faz tudo, precisa aprender a estabelecer limites para o consumidor. Deve-se deixar bem claro que é um serviço, que tem um preço e um tempo de duração predeterminado, pois esse caráter de informalidade eventualmente pode confundir as pessoas”, considera.

Questionada sobre situações delicadas, como solicitação de descontos, clientes querendo o mesmo horário para atendimento, divisão do tempo entre os clientes da carteira e a prospecção de novos, ela afirma: “Eu mesma faço tudo!”. Mas Márcia antecipou que, no futuro, pretende contar com uma equipe para gerenciar sua agenda, “embora consiga fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, frisa a executiva. “Tenho um limite de clientes para atender simultaneamente, de maneira que  não comprometa o meu tempo para prospectar novos nem a qualidade dos atendimentos. Sobre os pedidos de desconto, nãoacho ruim nem delicado. Sou muito flexível, generosa e absolutamente aberta a negociações. Cada trabalho é um novo desafio, mas tudo tem limite. A paixão pelo que faço é grande, mas o meu serviço tem valor. A gentileza deve ser bem dosada para que não vire exploração. Épreciso ser firme, aprender a valorizar o próprio trabalho e cobrar por ele”, justifica.

 

Os diferenciais e a concorrência

A experiência e a qualificação profissional provenientes de cursos e especializações no ramo da moda e da psicologia tornaram-se hoje o grande diferencial de Márcia Jorge entre os profissionais da área. De acordo com ela, para se destacar no mercado, é preciso ser verdadeiramente competente e estar disposto a trabalhar muito, além de criar um diferencial entre os concorrentes. “O grande segredo é saber criar o diferencial do seu produto e/ou serviço. Eu, por exemplo, se fosse batalhar meu espaço apenas como personal stylist, poderia ser engolida por profissionais com mais de 30 anos de mercado em suas já bem estabelecidas empresas de consultoria. Por isso, criei o método psicostyling, que associa psicoterapia com consultoria de imagem e faz de mim a única profissional do mercado que, além de personal stylist, é psicóloga formada com especializações em psicoterapia breve, acompanhamento terapêutico e psicologia comportamental voltada ao tratamento de transtornos psiquiátricos. Assim, a pessoa que me procura certamente não busca somente ideias para a mudança no próprio visual, mas também no que diz respeito a si própria”, enfatiza.

 

Cobrando o preço justo

No início de qualquer negócio, é preciso fazer uma pesquisa de mercado, de público-alvo, de estratégias de vendas, marketing e também de preço. Como ajustar o preço compatível com o mercado quando se inicia um novo projeto? De acordo com Márcia, é fundamental conversar com outros profissionais da área antes de divulgar sua tabela de preços. “Quando comecei, conversei muito com meus colegas do ramo até chegar ao valor atual, que gera em torno de R$2 mil por atendimento, dependendo dos serviços que o cliente contratar. Esse valor está na média do mercado e hoje já posso cobrar o valor justo. No início, comecei com valores abaixo da média até que me tornasse suficientemente experiente e confiante para cobrar o meu valor de fato”, afirma.

 

As formas de vendas

Quando nos dedicamos de corpo e alma a uma atividade, dificilmente sai errado. Consequentemente, quando prestamos um serviço com excelência, os resultados são facilmente previsíveis. Com uma carteira de aproximadamente 30 clientes, a personal stylist afirma que não faz nenhum tipo de promoção e que o blog e a indicação de novos clientes são suas maiores fontes de propaganda. “A venda dos meus serviços ocorre por meio do blog e de indicações de conhecidos ou clientes. A indicação acaba acontecendo naturalmente, como consequência da qualidade do atendimento e serviço que proporciono. Tendo os seus objetivos alcançados, os clientes, por satisfação, acabam me indicando a amigos e conhecidos. Não é um processo premeditado ou forçado. Não faço nenhum tipo de promoção, é apenas uma consequência”, destaca.

 

Lidando com desafios e objeções

Em todo empreendimento, seja em negócios que envolvam a venda de produtos ou em serviços, há desafios a serem enfrentados. Podem ser objeções dos clientes, interferência da concorrência, conflito de horários na agenda ou contratempos pessoais, entre tantas outras oposições aos seus objetivos. Como lidar com tais eventualidades? Na opinião de Márcia, manter a transparência é sempre imprescindível em qualquer negociação. “Quando me vejo diante de uma objeção do cliente, faço questão de estabelecer um tipo de relação em que ele tenha total liberdade para exteriorizar sua opinião a respeito de tudo. O feedback do cliente é muito importante para mim. Tudo deve ser conversado e deixado bem claro por ambas as partes”, sugere.  

Para ela, que venceu os desafios de driblar a concorrência e o preconceito do mercado, dedicar-se o quanto for preciso para atender o cliente da melhor maneira possível funcionou como autorreconhecimento de que estava no caminho certo. “Sem dúvida, a concorrência e o preconceito foram meus maiores desafios. Sei o valor de tudo isso e, por essas e outras, continuo disposta a trabalhar o quanto for preciso para que o objetivo do meu cliente seja atingido. Por haver muitos profissionais antigos no mercado já altamente conectados com empresas, com outros profissionais do meio da moda e com ampla clientela fixa, a concorrência era grande e foi difícil conquistar meu espaço no mercado, mas consegui. Além disso, embora não seja meu público-alvo, muitas pessoas ainda associam trabalhos que envolvem imagem e moda como algo fútil e desnecessário. Por isso, digo a todos aqueles que querem iniciar um projeto que dificuldades aparecerão, mas é preciso vencê-las, sobretudo a ansiedade de ter retorno financeiro rápido. Trabalhe, trabalhe, trabalhe muito e o sucesso virá!”, conclui.

 

10 dicas para investir em uma ideia inusitada

  1. Arrisque! Você só pode saber se uma ideia será bem-sucedida colocando-a em prática.
  2. Acredite no seu potencial e conhecimento. Às vezes, um know-how que seja absolutamente corriqueiro para você pode ser transformador para outra pessoa.
  3. Seja pontual e profissional.
  4. Tenha um belo website, um blog sempre atualizado e esteja presente nas redes sociais – Facebook, Twitter, etc.
  5. Fale sobre o seu trabalho e como ele funciona para todos os seus familiares, amigos e conhecidos. É indicação garantida!
  6. Apareça o máximo que puder nos veículos de mídia.
  7. Faça da sua imagem pessoal o seu maior cartão de visita.
  8. Faça parcerias com pessoas e empresas que já estejam bem estabelecidas no mercado.
  9. Seja transparente. O cliente deve saber exatamente o que está comprando. Nada de surpresas, sustos ou imprevistos.
  10. E, finalmente, não desista diante das dificuldades. Acredite na sua ideia e mãos à obra!

 

Para saber mais:

Acesse o site: www.marciajorge.com.

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