Eu faço tudo pelos meus funcionários

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Ampliar a capacidade de se relacionar e ser sábio em muitas ocasiões requer vontade e prática firme de propósito. Certa ocasião, um rei acreditou ser uma vaca e recusou-se a comer. Ele desejava que o abatessem. Ninguém o demovia da triste idéia. Foi então que convocaram o sábio médico persa Avicena (980?1037). Ele decidiu se passar por açougueiro e apalpou o rei para verificar a qualidade da carne. Protestou, alegando que aquela vaca estava muito magra e que só a abateria quando engordasse. O rei, envolvido por aquela circunstância, aceitou ser alimentado e assim recuperou a saúde integralmente.

Constantemente precisamos ser mais sábios do que técnicos, ao lidar com as pessoas. É importante ter domínio sobre determinado conhecimento, mas ele não alcança o ser humano em suas necessidades mais íntimas. Avaliamos superficialmente como entender e motivar os colaboradores de nossa empresa e, dessa forma, propomos soluções equivocadas para situações que merecem maior aprofundamento diagnóstico.

Líderes bem-intencionados promovem festas e reuniões descontraídas, a fim de agradar o seu pessoal. Criam ambientes aconchegantes e oferecem farta e apetitosa alimentação. Nos finais de semana, viajam juntos para parques de lazer ou assistem a filmes no cinema. Investem no aperfeiçoamento por meio de cursos e palestras. Ajudam em despesas pessoais. Em suma, estendem o tapete vermelho. Esses líderes lêem livros, revistas, jornais, bulas, hieróglifos e tudo que lhes pareça ensinar a receita dourada de como gerar um excelente ambiente de trabalho. Chegam mesmo a forçar sua personalidade a mudanças radicais. O tipo explosivo tenta ser um monge tibetano. O acanhado impressiona pelas poucas mas inusitadas palavras que consegue discursar. De comportamentos mais gélidos, podem sair poemas a respeito do calor humano nas organizações. É um contraste pitoresco.

Mudanças bruscas dificultam a adaptação, e tentativas de acompanhá-las contemplam esse manancial de estratégias. No entanto, mesmo empregando ?pacotes de gestão humana?, a resposta não é satisfatória ou pelo menos não dura. É nessa hora que se ouve a queixa do milênio: ?Eu faço tudo para os meus funcionários, mas eles não estão nem ai!? E continua: ?Acho melhor voltar ao tempo do pelourinho e senzala, parece que eles preferem?. Mesmo diante de tantos ?presentes?, os colaboradores demonstram ingratidão, chegando atrasados, não entregando as atividades nos prazos, enrolando no cafezinho, atendendo com displicência os clientes, demonstrando irresponsabilidade, falta de comprometimento, etc. Mudança no tipo de convívio não ocorre magicamente. É preciso respirar fundo e avançar em direções talvez nunca percorridas, aprendendo novamente.

&raquo Mude hábitos ? O hábito é resultado de prática constante. Esse é um entendimento a ser considerado, pois ele indica que novo tipo de relacionamento ocorrerá para obter nova resposta. A liderança é um modelo e, portanto, o que ela expressar será entendido como filosofia local pela maioria.

&raquo Mude conceitos ? O líder precisa modificar alguns conceitos, e não o seu temperamento, canalizando suas energias para tais fins. As pessoas desconfiam de quem se despede batendo a porta à noite e, na manhã, seguinte distribui balas de caramelo.

&raquo Envolva e desafie ? Participar mais e ter desafios motiva a um melhor desempenho e ao aumento de responsabilidade. Todo trabalho tem sua rotina, porém ela desmotiva e pode murchar a auto-estima, se não houver provocações. Os colaboradores têm capacidades que, se desenvolvidas, resgatam o moral e aumentam a crença no futuro.

&raquo Reconheça valores ? Ser reconhecido é uma aspiração de elevado número de profissionais já estabilizados financeiramente, mas dignidade e respeito são prioridade. Reconhecer a grandeza e o potencial humano ressaltam valores de toda ordem.

&raquo Seja solidário ? Solidariedade à diversidade e não apenas aos mais chegados faz parte da alma desse conjunto de formas de relacionamento qualitativo. Um olhar de compaixão é capaz de dar esperança a quem se encontra em desespero.

Ampliar a capacidade de se relacionar e ser sábio em muitas ocasiões requer vontade e prática firme de propósito. Mas é preciso compreender isso, primeiramente, para que a persistência ganhe em qualidade e não apenas em quantidade de tentativas. A frase: ?Eu faço tudo para os meus funcionários…? é válida, contudo, ela deve estar acompanhada da aprendizagem de nova filosofia de se relacionar.

Ser ?açougueiro? se a situação assim o exige não é se humilhar ou experimentar o ridículo. Muitas vezes, é a única forma de superar obstáculos. A técnica e a experiência não bastam por si só. Ser sábio implica em adentrar o universo particular humano utilizando a estrada disponível que cada um possui. Para acessá-la é preciso estar sintonizado, e essa freqüência só se estabelece através das boas relações.

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