As mudanças são inevitáveis e, às vezes, imprevisíveis. Elas acontecem em nossa vida pessoal, profissional, social. Não adianta se esconder, fingir que não acontecerá. Quando menos se espera, elas invadem a nossa vida, sem nenhum aviso prévio, e colocam de cabeça para baixo toda uma vida ou uma família inteira. Que novo tempo é esse? São as mudanças, implacáveis mudanças, sinais de um novo tempo.
Quando nos deparamos com uma mudança, a primeira reação é a negação, a resistência em aceitá-la ou entendê-la. Colocamo-nos como vítimas de um sistema organizacional, social e até divino. No papel de vítimas da mudança, só enxergamos ameaças, complôs e sentimos muito medo do que há por vir. O medo constrói imagens e situações inexistentes, ou melhor, existentes apenas na imaginação de cada um. Faz com que tenhamos atitudes ríspidas e defensivas diante do desconhecido e também perdemos grandes oportunidades de crescimento e aprendizado.
A mudança, independentemente da sua intensidade, causa instabilidade porque nos tira de uma situação razoavelmente confortável, ou no mínimo aceitável e conformista, para outra em que não há definição clara de como será.
Mas qual deve ser o nosso papel diante da mudança? É simplesmente uma questão de atitude. Lembrem-se daquela máxima: “Não há males que não venham para o bem”. Existem acontecimentos terríveis que, só após alguns anos, enxergamos o que de bom trouxe para nos. Mas atenção: essa não e uma atitude conformista, é uma atitude inteligente, que nos ajuda a enxergar oportunidades nas grandes ameaças. Porque nos mantêm com a mente serena. Atordoados, não pensamos. Agimos irracionalmente contra nós mesmos. O novo tempo surge primeiro dentro de você!
A capacidade de resiliência (capacidade de adaptação às mudanças) é diretamente proporcional ao positivismo e inversamente proporcional à descrença. É preciso controlar nossas emoções diante do inusitado. Não adianta gastarmos nosso nível de residência com fatos pequenos. Guarde suas energias para aquilo que é relevante, seja pessoal ou profissionalmente. Portanto, não se esqueça de:
1- Aceitar a mudança como um fato: A aceitação é o primeiro passo para nos prepararmos para a mudança. Se a negarmos, nunca tomaremos uma atitude perante ela. E a passividade diante da mudança é fatal.
2- Procurar entender a mudança: O entendimento da mudança passa pela comunicação com as pessoas que viveram uma situação similar ou que entendem melhor o assunto. Isso o ajudará a esclarecer pontos obscuros, a clarear sua mente sobre o acontecido e a encontrar a sua atitude diante da situação.
3- Manter atitude positiva, com pés no chão:É difícil, mas não é impossível. Acredite, acredite sempre, mas não tire os pés do chão.
4- Acredite em você: Sem a crença em si mesmo, não se vencem grandes batalhas nem encontram-se aliados pelo caminho.
5- Encontre o seu equilíbrio no caos: Buscar o equilíbrio, mesmo quando o mundo desaba na sua frente ou sobre sua cabeça, é factível, mas é preciso uma dose de espiritualidade forte.
6- Ação: É a atitude. Buscar alternativas, soluções para o momento e nunca “esperar sentado” o resultado da mudança. Aconteça o que acontecer, laça alguma coisa, movimente-se e faça a diferença!
A mudança, independentemente da sua intensidade, causa instabilidade porque nos tira de uma situação razoavelmente confortável
As mudanças são sempre sinal de um novo tempo. Esse novo tempo poderá ser muito bom, muito ruim, ou simplesmente nem acontecer. Tudo dependerá de nós e da nossa capacidade de construir, de começar de novo, se for preciso. Como Ivan Lins disse:
“Um novo tempo apesar tios castigos, estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas para nos socorrer… Um novo tempo apesar dos perigos, de todos os pecados, de todos os enganos, estamos marcados para sobreviver… Um novo tempo apesar dos perigos, a gente se encontra, cantando na praça, fazendo pirraça para sobreviver… Um novo tempo para que nossa esperança seja mais que vingança, seja sempre o caminho que se deixa de herança…”
Lília Barbosa é consultora master da JCR & Calado Consultores, empresa associada à Deloitte Touche Tohmatsu. E-mail: lbarbosa@jcr.com.br


