Antes do Marketing, a Ética e o Compromisso com o Futuro

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Tem sido sempre uma grande honra ser convidada pela revista Técnicas de Venda – agora Venda Mais – para escrever artigos sobre estratégias de marketing direto. Desta vez, porém, peço licença ao editor para conversar com você, leitor, na simples condição de ser humano e cidadã. Sim, porque antes de sermos dirigentes de empresas, profissionais de marketing ou vendas, somos pessoas nos relacionando com outras pessoas.
Observo que o mundo vem sofrendo o impacto de duas ondas que se movem em direções opostas. A primeira onda é uma busca por melhor qualidade de vida.
Sob a pressão cada vez maior da cobrança por mais eficiência, da necessidade de acompanhar de perto as rápidas mudanças que estão ocorrendo em todas as áreas e do acirramento da concorrência, vivemos hoje um dos períodos mais estressantes de nossa história.
Nunca tivemos tantos recursos tecnológicos à nossa disposição para o ganho de produtividade. Mas também nunca tivemos tão pouco tempo livre para aproveitar a vida e conviver com nossas famílias e amigos.
Navegando nesta onda, proliferam as academias de ginástica, spas, livros de auto-ajuda e espiritualidade, home-offices, lojas especializadas em banho (que prazer simples!) e em produtos ligados a esoterismo.
Queremos mais prazer e menos rotina em nossas vidas. Somos mais críticos na escolha dos nossos relacionamentos pessoais. Somos consumidores mais exigentes e queremos ser recompensados pela nossa fidelidade.
A estabilidade do emprego e o salário no final do mês já não nos basta. Não somos máquinas dedicadas à produção. Queremos ser tratados como seres humanos em nosso ambiente de trabalho. Queremos mais espaço e liberdade para criar e o direito de errar de vez em quando.
Enfim, estamos descobrindo que o trabalho é um meio de vida e não sua finalidade última.
A segunda onda que estamos atravessando – e que não é tão recente assim – é a do imediatismo, da falta de compromisso com o futuro e, infelizmente, também da falta de ética.
No arrasto dessa onda vem a concorrência desleal, a propaganda enganosa e a tendência de se tirar vantagem excessiva. Vem a falta de transparência e honestidade nos relacionamentos com os funcionários, clientes e fornecedores.
Vem também uma imposição aos funcionários para que ajam como verdadeiros “sócios” da empresa, suando a camisa e dedicando-se ao alcance de metas cada vez mais audaciosas, sem a reciprocidade de uma política de recursos humanos que reconheça seus valores e suas necessidades como seres humanos.
Esse imediatismo também vem sendo observado no relacionamento entre clientes e fornecedores.
São clientes que, não reconhecendo os investimentos que seus fornecedores precisam realizar para garantir alta qualidade em serviços, pressionam por preços cada vez menores e prazos cada vez maiores de pagamento. São fornecedores que, ávidos pela conquista de novos clientes, prometem aquilo que não estão preparados a cumprir. O resultado, nos dois casos, é um desastre. Nem o cliente conseguirá contar com fornecedores comprometidos com qualidade, nem o fornecedor conseguirá fidelizar seu cliente.
Se você está satisfeito com a sua qualidade de vida e a daqueles com quem se relaciona, e se você avalia que a sua empresa está realmente comprometida com elevados princípios éticos e com o futuro das próximas gerações, parabéns. Você faz parte de uma minoria sobre a qual pesa a grande responsabilidade de dar o exemplo e promover mudanças significativas em nossa sociedade. Vá em frente e torne-se um multiplicador.
Se, ao contrário, você acha que há sempre algo que pode ser feito para melhorar sua relação com a vida, com a sociedade, com seus funcionários, clientes e fornecedores, convido você agora a refletir sobre algumas questões essenciais.

1 – O que a sua empresa tem feito para melhorar a qualidade de vida da comunidade da qual depende para a sua sobrevivência? Patrocina alguma entidade de assistência social ou movimento voltado a melhorar a sociedade em que está inserida?

2 – Você trata seus concorrentes como gostaria que a sua empresa fosse tratada por eles? Pratica a ética na disputa pelo mercado?

3 – A satisfação dos seus clientes com os seus serviços e produtos é realmente o mais importante para a sua empresa ou é apenas um slogan bonito estampado na mídia? Suas promessas são honestas e seu atendimento pós-venda reflete essa filosofia de negócio?

4 – Você conhece realmente as pessoas que trabalham com você? Sabe como a vida delas é da porta para fora do escritório? Se importa com isso? Tem feito algo para melhorar suas vidas?

5 – O que vem primeiro: a saúde e o bem-estar de seus funcionários e suas famílias ou as metas e os prazos a serem cumpridos?

6 – O que é mais importante na administração de seus recursos humanos: o cumprimento de normas e procedimentos ou o senso de justiça caso a caso?

7 – Você deseja que seus funcionários demonstrem entusiasmo pela sua empresa no contato com seus clientes? O que você tem feito para que esse entusiasmo seja verdadeiro?

8 – Você é feliz no seu trabalho? Sente satisfação no relacionamento com seus funcionários, clientes e fornecedores? Qual é a origem dessa felicidade ou de suas frustrações?

9 – A cultura da sua empresa inspira o trabalho em equipe e o compromisso com o futuro ou inspira a competição interna, conspirações e mecanismos de defesa?

10 – O que é mais importante: o lucro a curto prazo ou a perenidade do negócio?
Talvez você esteja pensando que este é um discurso do mundo do “faz-de-conta”. Afinal, as coisas não são do jeito como gostaríamos que fossem, nossos concorrentes não são leais, nossos funcionarmos não se dedicam o bastante para merecerem tanta consideração e se a empresa não garantir o lucro deste mês, a qualquer custo, não haverá futuro com o qual se preocupar.
Se você pensa assim, reflita sobre estas três últimas questões:

I. Não seria o “futuro” o resultado direto do que fazemos no “agora”?

II. “Imagem” ou “força de uma marca” não seria construída com algo mais do que investimento publicitário, como ética, qualidade no atendimento e compromisso com as futuras gerações, por exemplo?

III. O cliente “encantado” é ou não é a nossa melhor propaganda?
Antes de culpar o governo, a economia, a concorrência, o funcionário ou o cliente por todas a mazelas do mundo, pense que você faz parte de tudo isso. Cabe a cada um de nós atuar como agentes de mudança, dar a nossa contribuição à sociedade e desfrutar o sucesso como o resultado natural do mérito.
Sandra Camelier, cidadã brasileira, 42 anos, é diretora da Camelier Marketing & Resultados, empresa de consultoria voltada ao planejamento e implantação de estratégias de Marketing Direto.
E-mail: sandra@camelier.com.br

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