O PROJETO CORVO

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Fui chamado numa empresa. Conversando com a diretoria e com os funcionários, logo vi que no meio deles existia um grande número de pessoas que tinha uma visão extremamente negativa da empresa, do mercado, das pessoas, dos concorrentes, dos fornecedores, etc., e que tudo faziam para que nada fosse feito de inovador, de criativo, de novo.

Várias idéias interessantes, projetos inéditos e arrojados foram apresentados, e boa parte dos funcionários e gerentes diziam:

– Aqui isso não dá certo!

– O senhor não conhece esta empresa…

– Nossos clientes não aceitam isso…

– Nesta cidade nada vai prá frente…

– Não adianta tentar mudar…

Logo percebi que a empresa estava cheia de “corvos”. Pedi uma reunião separada com a diretoria e propus fazermos um “Projeto Corvo” que em última análise era dispensar (mandar embora) todos os “corvos” da empresa. Fizemos o tal projeto e mandamos para a rua mais de 15 funcionários, entre engenheiros, administrativos e pessoal de vendas todos “corvos”.

Seis meses depois voltei à empresa. Era outro clima. O astral era positivo. As inovações haviam sido postas em prática – e estavam dando certo! A diretoria e os próprios funcionários remanescentes estavam surpresos ao ver como tudo ficou muito mais fácil sem os “corvos” que puxavam a empresa para baixo e para trás. As coisas começaram a fluir. A comunicação melhorou entre todos os níveis. As pessoas estavam todas mais felizes no trabalho. As vendas cresceram!
O poder dos corvos – Às vezes nos iludimos com “excelentes técnicos”, pessoas que entendem muito do produto que se fabrica ou da área em que trabalham. Meu conselho, mesmo com relação a esses “excelentes técnicos” é o de livrar-se deles. Você não imagina como será diferente e melhor para a empresa, o seu departamento, a sua diretoria, sem aquele “corvo” dizendo a todo o momento que as coisas não vão dar certo, que já viu esse filme antes, que é bobagem tentar, etc, etc.

“Corvo” é aquele que mão acredita. Que não quer tentar nada novo. Que vive no “quanto pior, melhor”. Que tem uma visão extremamente negativa do mercado, dos clientes, dos fornecedores, da cidade, do país.

Essas pessoas são mentalmente insanas. São as chamadas “fronteiriças”. E já que estão em uma fronteira meio cinzenta e pouco estudada pela medicina, não podemos colocá-las em um hospital psiquiátrico. Se estivessem lá dentro não conseguiriam sair, e ainda reclamariam que não ganham alta porque o hospital é uma porcaria, o psiquiatra comprou o diploma no Paraguai, a comida é horrível e as enfermeiras são feias de doer.

Meu conselho, na verdade, é o seguinte: ser “corvo” não é motivo para dispensa por justa causa (infelizmente), mas se você tem essas aves no seu escritório ou fábrica, seja quem for, mande-os embora. Faça uma carta de recomendação ao seu maior concorrente e mande-os para a lá. Não dá para viver e trabalhar hoje com gente puxando você para baixo ou para trás.

A energia que essas pessoas “sugam” dos outros e da própria empresa faz falta no mercado, na inovação, na criatividade, no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Não há como crescer, sobreviver se há sempre alguém que diz “não vai dar certo”.

Vemos essa realidade em muitas empresas, organizações, associações. Pessoas com as quais não temos prazer em conviver. Pessoas que “espantam” nossos clientes e nossos melhores funcionários, os mais motivados e com uma visão positiva do mundo e das coisas.

A empresa alegre – É preciso que não nos esqueçamos que no século XXI vencerá a empresa com a qual o cliente sinta “prazer” em relacionar-se. A empresa tem que ser “leve, alegre, gentil, pronta, comprometida com o sucesso do cliente”.

“Corvos” não conseguem ter esse comportamento. “Corvos” atrapalham, impedem, ofendem. Conheço empresários, diretores, gerentes, que quando se levantam pela manhã não sentem o menor desejo de ir para a sua companhia só porque se lembram desses “corvos”, da cara deles, do jeito deles, da ironia deles, da negatividade deles. Ora, se eles conseguem atrapalhar as coisas mesmo estando apenas na lembrança, que dirá a convivência diária com eles?

Livrar-se dos “corvos” é uma tarefa essencial para o sucesso pessoal e empresarial. Dar um basta aos “corvos” é fundamental para uma empresa vencer os desafios da qualidade, da competitividade, da inovação e da criatividade necessários para este movo século.

Livre-se dos “corvos”! Pense nisso. Faça um “Projeto Corvo” na sua empresa.

Sucesso

UMA EMPRESA SEM CORVOS

Ao fundar a Men””””s Wearhouse, uma loja de roupas, o norte-americano George Zimmer tinha para si que “para a maioria dos homens, comprar roupas é tão divertido quanto ir ao dentista” Para tentar reverter Isso, a loja só tinha um critério para admitir pessoal: otimismo. Experiência, escolaridade e todo o resto ficavam em segundo plano. Procura-se por paixão, energia e desculpe, leitor, mas não existe outra palavra tesão.

À primeira vista, isso tem muito pouco a ver com vender ternos. Porém, esses otimistas não julgam ou pressionam os clientes. Eles sabem que devem vender o terno certo para a pessoa certa usar na situação certa. Muitas vezes isso significa deixar de vender agora, para desenvolver uma verdadeira parceria com o cliente.

Seguindo tal prática, a Men””””s Wearhouse conta hoje com 400 filiais nos Estados Unidos. Não deixar que “corvos” pousem parece dar resultados.

Luiz Almeida Marins Filho, é antropólogo, palestrante e autor de livros como: “Socorro! Tenho um Sócio”, “Socorro! Tenho Medo de Vender”. Para contatá-lo, visite o site http://sites.uol.com.br/anthropo/

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