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Por que há menos gerentes e vendedores negros nas grandes organizações? E por que a tia do café e a faxineira “podem” ser negras? Uma vez eu estava nos EUA e, ao visitar uma empresa de eventos, notei um folheto que anunciava um seminário, O título chamou minha atenção: O GERENTE NEGRO. Pensei: será que existem habilidades especiais de administração e técnicas de gerência que funcionam com um branco e não com uma pessoa negra? Bem, quis testar a idéia e, ao chegar ao Brasil, preparei um novo seminário: A MULHER GERENTE. A idéia era a mesma. Separar, desagrupar. Foi um sucesso, com uma sala repleta de mulheres. Lá pelo meio do seminário, uma participante se levantou e perguntou em voz alta: “Professor, o senhor tem algum problema sexual?”. Constrangido, disse que não. E mais esbravecida, ela continuou: “Ah! Deve ter sim, senão por que um seminário sobre gerência só para mulheres? Por acaso, as ferramentas gerenciais que funcionam para os homens não dão certo para mulheres?”. Por mais que eu explicasse, não convenci, e prometi a mim mesmo nunca mais entrar numa gelada dessas. Aprendi que, nessa área, desagrupar para fortalecer é o mesmo que desagregar para enfraquecer.

Tenho visto poucos gerentes negros no topo da pirâmide. Pense numa equipe de vendas. Agora conte quantos são negros. Pense em quantos publicitários de fama e gerentes de marketing de grandes corporações são negros. Por que um negro encontra grandes barreiras para ser um gerente de Banco, enquanto a tia do café e a faxineira “podem” ser negras?

Bem, minhas observações na área da discriminação são as seguintes:

1. A discriminação é uma emoção ensinada. Pegue dois grupos de crianças que não se conhecem e coloque as dentro de dois ônibus vindos de diferentes lugares. Dentro de cada ônibus estão crianças negras e brancas. Os ônibus se encontram num parque infantil. Solte essas crianças ao mesmo tempo e você ficará surpreso. As crianças brancas não brincarão apenas entre si. Nem as negras brincarão somente com as negras. Todas brincarão juntas, indistintamente. Quando crescem, se tornam discriminadoras. Conclusão: a segregação racial é um sentimento que se aprende.

2. Há muitos brancos racistas que são negros geneticamente e não sabem disso. Ao serem racistas, discriminam a si mesmos. O brasileiro é um povo miscigenado. E mais: 61% dos brancos do Brasil têm correndo nas veias sangue africano ou de índio. Abordar clientes, deslumbrar, convencer e fidelizar são processos da mente objetiva. Negar, anular, desqualificar, minimizar, discriminar e desagregar são desarmonias e desarranjos da mente subjetiva. O que nos torna diferente é o conteúdo do espírito, a competência emocional, o capital intelectual, as alternativas imaginadoras, a qualidade das inovações radicais, as colunas do caráter e as fortalezas da dignidade.

3. O grande desafio do ser humano é de auto-estima (conto você se sente) e de auto-imagem (como você se enxerga). Um negro deve ter orgulho de ser negro e um branco, orgulho de ser branco (sem precisar dizer: sou 100% branco). Se Michael Jackson branqueou a pele é problema de auto-aceitação dele. Para ter uma auto-imagem de triunfador é preciso aceitar que argumentos de vendas não dependem da cor da pele para serem convincentes.

4. Não existe raça superior ou inferior e, sim, seres humanos inferiores ou superiores. Há muitos negros que são seres humanos inferiores. Há muitos brancos que são seres humanos inferiores. O desafio existencial de todos nós é suplantar o inferior pelo superior. A tese ariana da raça pura já foi declarada não-científica na década de 60, mas, para alguns ignorantes emocionais, continua na moda.

5. O que faz uma pessoa ser superior a outra são as ferramentas que ela conquistou no decorrer da sida, Três delas se destacam: conhecimentos, habilidades e atitudes. Esses três instrumentos formam o nível de competência do individuo vencedor. E anote: competência tem nível, dimensão e estrutura. Só não tem uma coisa: cor.

6. O racismo só mora cru mentes inferiores e com competências desatualizadas. Nos EUA, o que mais se vê é patrão negro com empregados brancos ou mulheres loiras namorando homens negros. Ser racista é estar fora de sintonia com a realidade globalizada.

7. Para acabar com o racismo nas empresas é preciso que os negros façam a guerra certa. Por exemplo, penso que não adianta criar leis para obrigar a Globo a ter 25% de negros em seu elenco de novelas ou para botar na cadeia quem gerar constrangimento em alguém com palavrões de cunho racial. A meu ver, tais procedimentos só aumentam o ódio racial. O racismo é um sentimento, e ninguém muda sentimento por decreto. É preciso desanimar o racismo, criando slogans do tipo: “ser racista é estar fora da moda”, ou “todo racista é incompetente”, ou “eu não sou racista, sou intelectual”. Mudando o sentimento, muda-se o pensamento. Mudando o pensamento, muda-se o comportamento.

8. As três habilidades práticas de um gerente são: saber elogiar, saber repreender e saber reconhecer habilidades especiais. Conta-se que um candidato procurou o selecionador de um programa de TV chamado “Isso é um espanto” e disse que imitar passarinho era o que ele fazia de extraordinário. O selecionador do programa esbravejou, enraivecido: “Imitar passarinhos, ora bolas! De cada 100 candidatos que me procuram, 99 dizem que sabem imitar passarinhos. Ora, suma de minha sala, vá embora agora!”. E o candidato obedeceu: começou a bater os braços como se fossem asas e voou pela janela. Em vão o selecionador gritava: “Volta, volta, isso é incrível!”. Agora, pense: será que você não está rejeitando aquela pessoa incrível, que vai representar 15% do faturamento de seu setor, apenas porque você olha para a pele e não para os níveis de competências? Quantas empresas já perderam grandes talentos por não recrutarem negros? Competência não tem cor, mas a discriminação tem. É a cor da miséria do espírito pequeno, por só atuar com emoções empobrecidas para suas organizações.

Como Luther King, eu também tenho um sonho: ver as empresas e diretores de meu país jogarem a discriminação por terra e voltarem a crescer, respeitando o ser humano.

MAURÍCIO GOIS – Consultor e palestrante nas áreas de Desempenho de Alto Impacto. Para contatá-lo ligue para (19) 3865-1597. Site: www.mauriciogois.com.br E-mail: contato@mauriciogois.com.br

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