A teoria da Seleção Natural de Darwin afirma que “Os mais bem adaptados sobrevivem. Os menos adaptados são extintos”. Isso está acontecendo com as empresas, sem que elas, em muitos casos, se dêem conta.
O processo de “seleção natural” é extremamente complexo e envolve variáveis que são fortemente relacionadas ao “meio ambiente” em que a empresa está inserida. Assim, o que garante o sucesso de uma empresa em um determinado país pode, ao mesmo tempo, impedi-la de sobreviver em outro. Mesmo em tempos de intensa globalização, as regras do jogo são diferentes. A Xerox do Brasil é um excelente exemplo. Durante muitos anos, a filial brasileira foi uma das principais responsáveis pelos resultados da corporação, que usava os lucros obtidos por aqui para cobrir os prejuízos realizados em outras operações.
Nesse cenário, a questão que se coloca como mais urgente é: o que fazer para se adaptar constantemente e, assim, diminuir O risco de se sair do jogo? As respostas não são fáceis ou simples dede serem alcançadas (por isso, o processo é de seleção; é para poucos). No entanto, alguns aspectos desse novo cenário são claros. As empresas que quiserem se perpetuar (e não apenas sobreviver no curto prazo) terão de considerar:
Estratégia: Todos querem ter uma boa estratégia para falar dela, para mostrar em suas apresentações. Mas poucos se dispõem a “pagar o preço” de implementá-las, de correr o risco de exercer opções excludentes. O que as empresas acabam fazendo é confundir estratégia com excelência operacional e de custos. Estratégia é sobre ser diferente, sobre ter uma “oferta” para o mercado a qual ele atribua valor. Para saber o que é uma oferta, vá a uma feira livre e preste atenção ao que fazem os barraqueiros. Você encontrará grandes lições sobre diferenciação, oferta, valor percebido pelo cliente e diversos outros elementos que compõem uma boa estratégia.
Consciência Cidadã: Por enquanto, os programas de cidadania corporativa ainda são uma exceção no cenário mundial. Mas em breve a “cidadania empresarial” será um diferencial comparativo entre as empresas. Já há casos de empresas nacionais que começam a acenar para seus fornecedores novas regras. Para continuar a parceria, os fornecedores devem ter também algum tipo de “programa de retorno” para a sociedade. Esse fenômeno não é fruto apenas de uma maior conscientização de alguns empresários em relação às questões sociais. Surge também da constatação de que o Estado, sozinho, não tem como promover o desenvolvimento social que suporte o crescimento econômico. Simples questão matemática de sobrevivência.
Conectividade e Capilaridade: A empresa que estará presente no futuro está colocando à disposição do mercado (parceiros e fornecedores aí incluídos) as mais diversas formas de acesso às suas ofertas. Mas não é só a conectividade comercial que faz a diferença. A capilaridade logística será um fortíssimo diferencial competitivo. Em todos os segmentos da economia nos deparamos, hoje, com um forte paradoxo: a virtualidade cada vez maior das organizações e dos relacionamentos exige, ao mesmo tempo, uma maior interface – face a face – entre todos os agentes de resultados (aí incluídas as forças de vendas), na hora de implementar projetos que tragam ganhos efetivos para a organização.
Visão Sistêmica: O sucesso cada vez mais vem da habilidade para perceber os impactos de cada decisão e da competência em construir uma rede de relacionamentos. Isso vale tanto para empresas como para profissionais. A capacidade para implementar mudanças que façam com que a empresa esteja pronta para atender às demandas atuais e preparada para os cenários futuros é o diferencial entre aquelas que estarão na ponta.
Luís Ernesto Meireles é consultor do Instituto MVC – M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo. Para contata-lo, ligue para o telefone: (11) 285.2438, ou acesse a página: http://www.institutomvc.com.br


