MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA

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Diz-se que, tanto para animais no lento processo de aprimoramento quanto para seres humanos enfrentando uma situação de grande perigo existem algumas regras básicas.

A primeira: adapte-se ou morra.

Precisa de alguma outra regra apos esta?

Podemos, entretanto, dividir essa regra em uma série de dicas de grandes profissionais de administração e vendas. Acompanhe

Faça já – O escritor e consultor Roberto Shinyashiki afirma que a passividade mata a nossa vida. Esperamos ser aceitos e respeitados sem a preocupação de conquistar os clientes. Segundo ele, muitos vendedores não percebem que, para que suas idéias sejam compradas, eles devem vendê-las. Isso demanda um esforço.

Mas não existe opção para esse esforço. Imagine um incêndio na floresta, quem tem mais chances de sobreviver? Aqueles com maior capacidade de movimentar-se é preciso correr, voar, nadar fazem qualquer coisa para sair dali. Isso não significa que tartarugas, preguiças e similares estejam fadados a sumir. Eles também arranjam uma maneira de sobreviver. Mas que correm mais riscos, não há dúvida.

Qualificação técnica – Quem quiser sobreviver na selva corporativa dos próximos anos, deve estar atento também à flexibilidade do trabalho. Os contratos laboriais serão muito mais voláteis e de curto prazo do que são hoje, afirma Edson Rodriguez, vice-presidente da empresa de RH Thomas International. “Daqui para frente, muitas tarefas que hoje são cumpridas por funcionários registrados serão terceirizadas e muitas tarefas hoje terceirizadas serão quarteirizadas. O RH irá trabalhar com um turn over cada vez mais acelerado, e com o fato de que as equipes serão formadas por pessoas que terão a capacitação técnica para atuar, mas não terão tempo de se conhecerem profundamente.”

Nessa realidade, o profissional de destaque será aquele que apresentar:

– Grande capacidade de flexibilidade e adaptação a diferentes ambientes de trabalho.

– Visão de eterno aprendiz. Não apenas deve aprender tudo sobre diferentes produtos e serviços praticamente a cada mês, mas deve se atualizar em sua profissão, por conta e esforços próprios.

– Comunicação desenvolvida. Afinal, você trabalhará com determinada pessoa por um período curto de tempo. É necessário extrair o máximo de cada encontro.

– Habilidades de network. Muito desse novo estilo de trabalho é informal por natureza. Uma boa rede de contatos permite que você descubra quem está precisando de seus serviços.

Confiança – Roberto Shinyashiki explica esse item com a seguinte história: “Ano passado, na festa de aniversário de meu filho André, um grupo de pais conversava sobre seus problemas e culpava a crise por suas dificuldades. Então, perguntei a um deles, proprietário de uma imobiliária:

– Décio, como estão os negócios?

– Trabalhosos, como para todos. Mas, você sabe, com a crise, sempre há os que se dão bem e querem comprar um apartamento melhor. Existem também os que perdem e precisam vender seus imóveis para adquirir um menor. Oportunidades é que não faltam”.

Um grande vendedor, mesmo em momentos de grande dificuldade, encontra argumentos para começar o dia cheio de energia e com idéias para criar bons negócios.
Vender é um verbo precioso. Saber conjugá-lo é tarefa vital para o sucesso de qualquer profissional. Hoje, com a tecnologia da informação, os compradores estão cada vez mais bem informados, o que torna o trabalho dos vendedores um desafio maior ainda. É preciso ter confiança em si mesmo. Se os compradores não são os mesmos, o vendedor ou qualquer profissional – tampouco o é. Acredite no que você faz, apaixone-se e desenvolva-se continuamente. Vá além do conceito físico do produto, como diz Shinyashiki:

“Uma joalheria não vende apenas ouro e pedras preciosas, mas, sim, reconciliação, beleza, declarações de amor… Uma loja de roupas, por sua vez, deve oferecer elegância e charme. Um médico, saúde, tranqüilidade e segurança. Concessionárias de automóveis acenam com status, aventura e realização. Agências de viagem prometem o caminho para o sucesso e a felicidade.

Esta é a pergunta fundamental – o que você vende? Quem vende apenas o produto ou serviço vai falir, mas quem vende o sentimento vai ficar milionário. A todo momento você tem de se perguntar: o que eu vendo?”.

Equilíbrio – A practioner de neurolingüística Yeda A.M. Pereira acrescenta ouro item ao guia de sobrevivência. Segundo ela, o profissional de vendas busca cada vez mais “dinheiro e trabalho sim, só que com família e lazer em desenvolvimento conjunto”.

“O profissional realizado é aquele que cuida também de sua inteligência emocional”, diz. “Percebem que ficar doente de tanto trabalhar e se estressar é muito mais caro do que se imagina”.

Realmente. Um profissional nessa situação rende menos, e poderá perder seu lugar para quem sabe trabalhar todos os aspectos de sua vida. Procure ter, todos os dias, um tempo para você e sua família. Resista à tentação de preencher até o último espacinho de sua agenda. Desacelerar um pouco hoje pode significar um ganho maior daqui para a frente.

Você manda – Outra características que se espera da selva corporativa nos próximos anos é a diminuição da figura do chefe ou supervisor. É você que cada vez mais deve tomar as decisões a respeito de como fechar aquele negócio, ou marcar uma reunião com colegas, e todo o resto que afeta seu dia-a-dia. Lembre-se de que os empregos estão cada vez mais flexíveis – ganha quem souber liderar a si próprio e aos outros. Algumas dicas:

-Envolva colegas que tenham uma visão de mundo diferente da sua. Melhore suas decisões tornando-se receptivo a novas perspectivas. Force-se a escutar pontos de vista diferentes sem ficar na defensiva. Teste as idéias dos outros antes de formar opiniões.

-Considere o maior número de soluções possível. Use sua criatividade, realize brainstormings (torós de parpites) individuais ou em grupo. Gere várias soluções possíveis e só então comece o processo de decisão.

-Faça muitas perguntas. O segredo para se tomar as melhores decisões está na obtenção de melhores informações; e o segredo para obter mais informações é saber perguntar.

CASTOR

Em terra, esse animal é presa fácil para qualquer predador. Porém, ao contrário dos lobos, raposas, felinos e aves de rapina, o castor nada bem. Só que, convenhamos, procurar um rio cada vez que aparece um perigo não é uma estratégia muito boa. Por isso, ele aprendeu a construir uma represa e, no meio dela, constrói sua casa onde pode criar seus filhotes cercado de água e segurança. Para isso, ele está muito bem adaptado. Membranas especiais fecham seus ouvidos e narinas, e duas abas na garganta funcionam como uma peneira, impedindo que ele engula pedaços de madeira enquanto trabalha embaixo d””””água. Seus olhos também são equipados com uma membrana ? transparente, fazendo dele um dos mais perfeitos mergulhadores da natureza.

LIÇÃO CORPORATIVA: Ao descobrir uma maneira de ser melhor do que a concorrência, utilize-a sem medo. Fazer algo pela metade para “não alterar esse procedimento que talvez o computador não possa processar” é pedir para a ação fracassar no meio do caminho. Comprometa-se por inteiro.

LOBO

1 – Os lobos têm um sistema social tão desenvolvido que chegam a aceitar filhotes de cães selvagens e doninhas em suas alcatéias. Esses animais, em pouco tempo, aprendem a caçar tão bem quanto os outros membros daquele grupo.

LIÇÃO CORPORATIVA: Todos têm algo a oferecer à sua empresa. Escute a opinião de cada um.

2- Lobos possuem um sentido de comunidade e respeito pelo ambiente que os cercam. Na pequena ilha Royale, América do Norte, por exemplo, existem entre novecentos e mil alces, e entre 20 e trinta lobos. E a população dessas duas espécies presa e predador vem se mantendo estável desde que se começou a fazer estudos. A alcatéia sabe o que fazer para sobreviver, e quantos pode alimentar. Da mesma forma, um lobo nunca ataca um companheiro para matar. Se acontecer um caso grave de disputa de poder, o máximo que pode acontecer ao derrotado é ser forçado a abandonar a alcatéia.

LIÇÃO CORPORATIVA: Assim como a vida é sagrada para os lobos, também os públicos interno e externo devem o ser para você. Respeite-os, cultive relacionamentos, assegure-se de que você e quem vier depois poderão voltar naquele mesmo cliente e vender de novo.

PANDA E PATO

A natureza também consegue dar seus exemplos de “como não fazer”. O urso panda, por exemplo, especializou seu sistema digestivo a tal ponto que praticamente a única coisa que ele consome é broto de bambu. Quando esse alimento escasseia, toda a população corre risco de morte. Menos um ou outro panda que conseguem suportar um cardápio variado e que passarão esses genes para seus descendentes. O futuro de toda uma espécie jogado na possibilidade de aparecer alguém com estômago meio exigente. É mais seguro jogar na loteria. Já o pato foi muito bem definido pelo comandante Rolim Amara: “O pato é o grande exemplo multitarefa da natureza. Ele pode voar, andar e nadar. E faz tudo isso mal”.

LIÇÃO CORPORATIVA: Tanto se especializar demais quanto ser um “pau para toda obra” significa um risco em sua carreira. Escolha uma determinada gama de interesses e capacidades profissionais, e desenvolva-os a cada semana, sem cessar.

A CONSTITUIÇÃO DO MATO

3 premissas do mundo natural e como evitar que elas ocorram em sua carreira.

1- Equilíbrio é fatal – Essa lei causa espanto para os ecologistas, mas é verdadeira.
Imagine um ambiente em que predador/presa encontram-se em perfeito equilíbrio.. até que um ano chove de mais ou de menos. Rapidamente populações inteiras podem ser dizimadas. Ou então, são os próprios cruzamentos consangüíneos que costumam enfraquecer um dos lados do jogo.

Na sua carreira, vale o mesmo princípio. Se você está tranqüilo, vendendo da mesma maneira ano após ano, é necessário procurar alternativas, antes que o ambiente mude e pegue você, e sua empresa, de surpresa. Pense sempre em tornar o que você vende obsoleto antes que seu concorrente o faça.

2- O caos é a lei – Na história da humanidade, os maiores avanços foram feitos em períodos de guerras. Em um incêndio na floresta, somente os animais que se adaptam mais facilmente e reagem com prontidão sobrevivem, e passam seus genes para descendentes que também tenderão a agir de forma mais inteligente.

Da mesma forma, você nunca irá encontrar uma idéia, uma mudança sem contratempos. Esta é uma das maiores causas de morte de conceitos criativos: o profissional começa a pensar no que pode acontecer, quem pode se ofender, e é melhor não inventar moda. Por isso mesmo, em momentos de crise, as coisas acontecem: não há opção nem tempo para reuniões e comissões. Aceite que você não vai, nunca, agradar a todo mundo, e que seu plano não seguirá milimetricamente o caminho que você imaginou, prepare-se para reagir e siga em frente.

3- A força pode ser uma desvantagem – O darwinismo, como as empresas e os profissionais, é mais do que se tornar o melhor e mais forte caçador. Muitos sobrevivem, não apenas o mais forte. Imagine que a sua espécie seja vítima de um determinado predador. Para sobreviver, vocês podem se tornar notívagos, neutralizando o inimigo que só ataca de dia. Ou sua espécie pode se tornar menor e mais ágil, facilitando fugas. Ou, em última instância, gerando um pensamento pouco simpático por parte do predador: “Eu não vou me cansar tentando pegar isso aí que não enche nem o buraco do dente”.

Da mesma forma, sua carreira profissional. Desenvolver estratégias mirabolantes para atacar um concorrente não é a única forma de sobreviver. Que tal procurar outro nicho, novos mercados, diferentes formas de vender que não esteiam sob a mira daquela outra empresa?

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