Escrevo este editorial num momento de folga, coisa rara de acontecer ultimamente. Estou com minha equipe no stand da VendaMais na Expomanagement, uma das maiores feiras mundiais de administração.
A abundância à minha volta me faz refletir. Na feira estou rodeado de conhecimento por todos os lados – expositores, editoras, palestrantes (nos quais me incluo), consultorias, etc. Todos dizendo “Deixe-me mostrar-lhe o caminho”. Estamos no paraíso dos perdidos. A maioria das pessoas que vêm aqui vem por medo: ou de ficarem defasadas, ou por precisarem realmente de ajuda.
O problema, na verdade, não são as respostas, mas as perguntas. Nunca tivemos na história tanto conhecimento disponível. Ao mesmo tempo, nunca estivemos tão longe de fundamentos básicos para o ser humano. Ultimamente, parece que tudo gira em tomo do dinheiro. Transformamo-nos numa sociedade mercantilista. Entretanto, como sociedade, obviamente questionamos isso, já que a maioria votou (e elegeu) alguém com uma visão social mais justa.
De tanto dar palestras, tenho contato com uma infindável série de empresas e pessoas. Por todos os lados vejo gente ganhando dinheiro, de bem com a vida, com uma estrutura saudável, uma missão clara, clientes e funcionários satisfeitos.
Por outro lado, encontro com grande freqüência profissionais desmotivados, gente acomodada, empresas passando por reestruturações. Estresse, então, nem se fala – uma boa parte do Viagra consumido no Brasil deve ser usado por vendedores pressionados por resultados. Deveríamos fazer um estudo para ver o número de casamentos desfeitos entre vendedores (tanto homens quanto mulheres). Aposto que o número será preocupantemente alto.
Algumas pessoas, depois dos eventos, geralmente vêm me procurar querendo uma resposta mágica (uma bala de prata, como dizem os americanos), capaz de resolver todos seus problemas com um só tiro. Já disse um sábio que vida é a soma das nossas escolhas. Pessoas que têm resultados “meia-boca”, seja pessoalmente, seja profissionalmente, geralmente fizeram uma série de escolhas que as levaram a esses resultados. Na natureza não existe sorte ou azar – apenas conseqüências. E é duro para essas pessoas entenderem que o grande problema são elas mesmas, não os outros. Na verdade, o problema é o jeito que pensam, as perguntas que fazem e, por conseqüência, as respostas que procuram.
Uma empresa tem de ter muito clara sua missão para ter sucesso hoje em dia. Por isso não questione as respostas, mas sim as perguntas. Se quiser realmente melhorar seus resultados, pergunte diferente, pergunte mais, pergunte melhor.
Por exemplo, o que sua empresa pode oferecer de diferente para seus clientes, com lucro? Qual é exatamente o problema que você ajuda seus clientes a resolver? O que você quer exatamente da vida?
Inteligente mesmo é quem faz uma pergunta inteligente. Respostas temos milhares à nossa volta.
Abraço e boas vendas.
Raúl Candeloro – Editor
Raul@vendamais.com.br
www.raulcandeloro.com.br


