Os trâmites legais e a falta de conhecimento ainda são barreiras para algumas empresas, mas os números mostram que vale a pena investir, ultrapassar as fronteiras e vender o seu produto para o consumidor estrangeiro. O destino? Você é quem decide! Você já pensou em exportar seus produtos? Essa hipótese nunca passou pela cabeça de alguns empresários, outros até sentem vontade de vender para mercados internacionais, mas desistem por causa da burocracia. Está certo que exportar requer um pouco mais de atenção e trabalho, mas também não é tão complicado assim…
Por onde começar – Vender para outros países não é uma decisão que se toma da noite para o dia e nem uma tarefa fácil. Com certeza você não vai acordar em uma bela manhã de sexta feira ensolarada, resolver que vai ser exportador e na segunda-feira seus produtos já estarão disponíveis para o consumidor estrangeiro. Certo, já foi bem mais difícil exportar, porém ainda existem algumas normas a serem seguidas e são justamente nos pequenos detalhes que você tem de prestar atenção.
Como estão as condições da sua empresa? Existe a possibilidade de aumentar a produção? Você e seus sócios têm espírito inovador? Essas são as primeiras perguntas que precisam ser respondidas para depois começar a pensar em todo o processo restante.
Ampliar os horizontes
Além de ser um grande desafio, a também pode ser uma forma da empresa não depender somente da economia brasileira e ficar vulnerável às oscilações. É claro que para tudo corre se riscos, afinal, as crises não acontecem só no Brasil, mas vendendo para outros países a empresa estará preparada para competir ainda mais com as concorrentes no mercado interno, sem ficar ligada somente ao que acontece dentro do País.
O mercado que cresce
Segundo dados da Secretaria e Comércio Exterior, o número de empresas brasileiras que exportaram no primeiro trimestre de 2003 cresceu 4,9% comparado com o mesmo período de 2002 (ver gráfico 1). A maioria delas está na faixa de vendas que vai de dez mil dólares a 400 mil dólares. De janeiro a maio deste ano, 7.363 empresas estiveram nessa categoria. Apenas 44 firmas venderam acima de cem milhões de dólares e valores menores, entre mil dólares a dez mil dólares, foram negociados por 2.740 empresas.
A Moreira da Silva, madeireira que exporta desde 1995 para dez países é um exemplo desse crescimento. Em 2002 o faturamento total com as exportações foi de R$ 6.801.343,03 e somente no primeiro semestre de 2003 as vendas atingiram R$ 8.553.731,38.
Cliente exigente
As empresas que exportam tendem a se aprimorar e melhorar cada vez mais a qualidade do produto. “O consumidor estrangeiro é muito mais exigente, procura mais qualidade do que aparência”, comenta Juliana Moreira da Silva, gerente de exportações da madeireira Moreira da Silva. Além disso, a empresa torna se mais criativa, o que foi o caso da Ypióca.
Recorde Histórico
A Volkswagen do Brasil, quinta maior empresa exportadora do Pais, registrou recorde histórico no primeiro semestre de 2003, com faturamento de 721 milhões de dólares em exportações. O aumento em relação ao mesmo período do ano passado foi de 25%. Os principais mercados que importam da empresa são o México, que adquiriu 37.949 unidades e os EUA, que comprou 15.716 unidades no primeiro semestre de 2003.
A Embraer exportou no ano passado 98% do toda a produção de aviões civis e militares para 58 países dos cinco continentes. Fonte: Assessoria de Imprensa da Embraer
Segundo Aline Chaves, diretora comercial, o cliente estrangeiro conhece pouco do produto cachaça e não sabe diferenciar as marcas e qualidades. “Daí o trabalho mais árduo de apresentar o produto e suas características, procurando diferenciá-lo dos demais”. Até porque em alguns países as pessoas podem pagar até dez dólares pelo drink da moda – a caipirinha.
A relação com países, culturais e consumidores diferentes faz com que a empresa torne-se mais ousada, criando novos produtos e serviços para satisfazer o novo consumidor, e conseqüentemente, melhorando o produto vendido no mercado interno.
Burocracia
A exportação exige atenção em uma série de detalhes. Como cada produto tem uma especificação diferente, alguns pormenores mudam na hora de despachar a mercadoria para outros países. No caso da madeireira Moreira da Silva, as principais dificuldades que a empresa enfrenta são no momento da liberação, a burocracia, greves e outros entraves com a Receita Federal, IBAMA e Ministério da Agricultura.
O ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Luiz Fernando Furlan, anunciou em maio deste ano um conjunto de medidas para desburocratização das exportações. O objetivo é simplificar a venda ao exterior.
Além disso, existem empresas especializadas que cuidam de todo o processo de exportação, desde documentação, transporte, distribuição, enfim, toda a logística. Segundo Fabiane Pires dos Santos, gerente comercial do centro logístico Sul da Columbia, uma das primeiras empresas a atuar como armazém alfandegário do País, sempre há novos mercados para empresas brasileiras interessadas em importar ou exportar, o importante é ser cauteloso, paciente e estar bem assessorado.
Credibilidade
Independente se você escolheu enviar a mercadoria através dos Correios, agentes ou empresas especializa das, é importante lembrar que é o nome da sua empresa que está em jogo. A confiança que o cliente depositou em você, na empresa e no produto tem de ser mantida. Por isso, atenção para o que foi combinado quanto a prazos de entrega, qualidade do produto e preços. E cuidado, exija que o seu cliente também cumpra com o que foi colocado no contrato.
Maiores clientes do Brasil nos cinco primeiros meses de 2003
Estados Unidos US$ 6.894 bilhões Corresponde a 25,4% das exportações
União Européia* US$ 6.759 bilhões Corresponde a 24,9%
Aladi** US$4.411 bilhões Corresponde a 16,26%
Ásia (sem o Oriente Médio) US$ 4.336 bilhões Corresponde a 15,9%
* Os países que mais se destacaram foram: Países Baixos! Holanda, Alemanha, Itália e Bélgica
** Fazem parte da Aladi – Associação Latino Americana de Integração, os seguintes países: Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Colombia, Venezuela, México e Brasil. Principais países do bloco a exportarem do Brasil no primeiro semestre de 2003: Argentina, México e Chile.
(Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)
Rótulo de Exportadora
Para obter o rótulo de exportadora deve haver, antes de tudo, uma programação. As empresas que têm interesse em exportar devem ficar atentas a todos os detalhes, por mais simples que pareçam:
* Veja se a sua empresa tem capacidade para aumentar a produção. Não adianta você querer conquistar o mercado externo se não dá canta nem de atendera interno.
* A empresa deve ter o registro de exportador, que pode ser feito na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ou na Delegacia da Receita Federal mais próxima.
* A exportação pode ser direta ou através de consórcios de exportação, agentes de comércio exterior, etc.
* Identifique os mercadas e possíveis clientes.
* Procure o máximo de informações sobre esse mercado e seus futuros consumidores.
* Analise a viabilidade da exportação. Alguns itens como: preços praticados no país, diferenças cambiais, embalagens, exigências técnicas e sanitárias e custo de transporte devem ser avaliados.
* Avalie os custos que a exportação acarreta e lembre que o pagamento à vista não será um dia após o embarque da mercadoria.
O passo a passo completo de como exportar você encontra na site: www.apexbrasil.com.br
Para saber mais:
Viste os sites:
www.sebrae.com.br
www.columbia.com.br
www.mdic.org.br
www.carreios.com.br/esporte/defaul.cfm
Os Correios lançaram um CD-ROM e uma cartilha com todas as inormações necessárias para quem deseja exportar. Para adquirir a cartilha basta acessar o site dos Correios e fazer o cadastro


