Um brinde à longevidade

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A Ypióca é um dos raros exemplos de empresas nacionais que não apenas sobrevivem, mas ficam melhores com a idade. Conheça alguns de seus segredos

Quantas empresas 100% brasileiras com mais de 50 anos você conhece? E com mais de 80 anos? Com mais de 100 anos? A lista começa a ficar assustadoramente curta. E que tal uma empresa familiar com mais de 150 anos?

Um exemplo é o que fabrica cachaça e outros produtos desde 1846. De lá para cá sobreviveu a uma verdadeira montanha russa na economia: hiperinflações, mudanças na moeda, alterações constantes na regra do jogo.

A receita do sucesso – Para a diretora comercial da empresa, Aline T. Chaves, o sucesso não vem de um ingrediente único, mas de uma série de fatores e características que garantem a uma empresa o necessário para se adaptar a qualquer mudança de mercado e o necessário para enxergar novas oportunidades antes de seus concorrentes. Veja a receita da Ypióca:

1 O Inove sempre

É muito comum vermos empresas centenárias se orgulharem de sua tradição. Mas para a Ypióca isso não é suficiente. É preciso vender inovação, nas mais diversas formas. “A Ypióca foi a primeira empresa a envelhecer cachaça em tonéis de madeira, a utilizar conta-gotas em suas garrafas, a oferecer o produto em garrafas de um litro e a diferenciá-lo em embalagens de palha”. E as inovações continuam acontecendo, com o lançamento da cachaça orgânica e da embalagem descartável em PET (material já usado em garrafas de refrigerante). O importante, relata Aline, é nunca parar, nunca achar que se chegou ao ápice. “A empresa deve estar continuamente se desafiando nessa busca permanente por ser melhor.”

2 O Treine e desenvolva seu pessoal

Para ser representante da Ypióca, conta Aline, é preciso ter comprometimento e proatividade. Além dessas características pessoais, a empresa oferece um treinamento completo a seus representantes e gerentes regionais. Começa com um mergulho na empresa, com uma visita à fortaleza e ao museu da cachaça e à unidade industrial, conversas com agrônomos e químicos a fim de compreender a qualidade e acreditar no diferencial daquilo que vai vender. “Enfim, ele precisa ficar impressionado, orgulhoso de fazer parte do grupo e motivado para crescer em sua área de atuação”. Além disso, a Ypióca oferece trimestralmente palestras com consultores e treinamentos com a equipe, além de um encontro anual com distribuição de prêmios aos representantes que mais se destacam.

3 Envolva a comunidade

As empresas em geral já perceberam que para agradar o consumidor é preciso oferecer algo extra, dar à comunidade algo.

No caso da Ypióca, são várias ações desse tipo. Por exemplo, mais de sete mil artesãs são responsáveis por fazer o revestimento em palha trançada das garrafas da Ypióca. É uma maneira de gerar renda para milhares de pessoas e mostrar um pouco das tradições cearenses.

Tecnicamente, não há necessidade de se revestir as garrafas; ou, para manter o diferencial, poderia se contratar um designer que copiasse o formato da palha trançada e criasse uma embalagem estilizada; ou criar uma máquina que fizesse um revestimento simples, só no meio da garrafa. Mas o impacto disso para o pessoal que trança palha seria terrível. Esse respeito se reflete também na comunidade dos funcionários. “O sucesso não vem sem o fator comportamental. Destacamos o amor ao que se faz e respeito ao próximo, seja ele funcionário, cliente, fornecedor ou concorrente”, declara Aline.

4 Pense à frente A Ypióca já é a maior fabricante de cachaça do País, não tem mais para onde crescer, certo? Errado. Em 2003, a marca participou mais de feiras internacionais do que nacionais. A expansão possível é Para fora.

“Entendemos que no mercado globalizado a empresa que não se consolidar globalmente estará muito vulnerável a investidas internacionais de gigantes do setor”, diz Aline. “É preciso ter uma atuação global, fortalecer sua marca mundialmente, tanto assim que temos nossa marca registrada em todos os países europeus, alguns asiáticos e EUA e Canadá, além da patente da palha trançada”. Em suma, esse é um mundo onde quem não almoça é jantado. A Ypióca faz tudo para almoçar.

5 Espaço para negociação

Algo que pode assustar certos vendedores e deixar clientes com a pulga atrás da orelha: a empresa trabalha com tabela única. Assim, tanto faz comprar dez caixas ou mil, a prazo ou à vista, o preço não altera. Daí a importância de se treinar nos diferenciais, na qualidade da marca. Se você só consegue vender colocando o preço lá embaixo, é hora de dar uma calibrada em suas técnicas de venda.

A Ypióca também conta com empresas que produzem água mineral, garrafas de plástico e caixas de papelão. São, assim, em muitos aspectos, seus próprios fornecedores.

Entre outras coisas, o Museu da Cachaça conta com o maior tonel de madeira do mundo, com capacidade para 374 mil litros.

A outra receita do sucesso

Aqui vai a versão da Ypióca de um dos drinques mais consumidos e exaltados no mundo hoje em dia:

Ingredientes:

1 dose de Cachaça Ypióca 1 limão taiti de casca fina 2 colheres de açúcar Gelo picado

Modo de Preparo:

Corte o limão taiti ao meio. Retire a parte branca do miolo. Corte as duas partes do limão taiti em fatias. Monte o coquetel em copo “old-fashioned”, começando pelas fatias de limão taiti. Acrescente o açúcar e pressione com um pilão. Coloque a cachaça, usando um mexedor, envolva o limão taiti com o liquido. Complete com gelo picado, agite e sirva. Sim, é caipirinha.

A quarta geração

A direção do Grupo Ypióca atualmente está a cargo de Everardo Ferreira Telles, a quarta geração da família fundadora da empresa. Veja seu depoimento exclusivo à VendaMais: “Iniciei cedo na empresa, sem muito conhecimento da área comercial, passando por todos os setores dela: campo/produção, financeiro e vendas, mas sempre achei que tudo é relacionamento. Embora todas as áreas sejam interligadas e interdependentes sempre observei que em se tratando de vendas o mercado reage dependendo do perfil do representante. Nunca precisei investir muito quando o vendedor era bom, por outro lado já gastamos muito dinheiro sem retorno porque o vendedor era fraco. A figura dele, do bom vendedor, é uma das chaves de sucesso. Afinal, de que adiantaria tanta qualidade, história inovação se o homem da ponta não conseguisse capitalizar esse ativo da empresa?”.

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