José Serra – Ciro Gomes – ESCOLHA SEU CANDIDATO

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Na continuação das nossas entrevistas com os presidenciáveis, trouxemos para essa edição os últimos dois entrevistados – Ciro Gomes, do PPS e José Serra do PSDB. Numa disputo bastante acirrada, os dois contam cada ponto percentual que possa levá-los ao segundo turno com Lula – candidato até então líder nas pesquisas.

Ciro Gomos, 44 anos e segunda vez na disputa presidencial, já foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará e ministro da Fazendo (1994).

Já José Serra, 60 anos, foi deputado federal, senador, ministro do Planejamento e Orçamento (1995 e 1996) e ministro da Saúde (1998 e 2002) e é pela primeira vez candidato à presidência.

Confira as propostas e projetos que cada um tem para o País e para os profissionais de vendas!

Venda Mais – Existe uma grande diferença entre pequenas e grandes empresas. Como o seu governo pretende tratar de uma e outra?

Serra – De uma forma geral, o importante para todas as empresas é um ambiente favorável à produção ou à venda dos seus serviços. Minha principal prioridade é exatamente acelerar o crescimento da produção. Sob o ponto de vista das grandes empresas, posso destacar a reforma tributária como uma das alavancas para a retomada de um crescimento mais vigoroso. A reforma tributária também ajudará as pequenas empresas, mas essas merecem também medidas especiais, específicas. Entre elas, posso apontar uma política de compra governamental, reservando para as micro e pequenas empresas aquisições e contratações pelo Poder Público de determinados bens e serviços até um determinado valor. Também é o caso do aperfeiçoamento do Simples, de modo a permitir a maior participação das micro e pequenas empresas nas cadeias produtivas. E ainda um amplo programa de desburocratização com redução radical das exigências para abertura de empresas.

Ciro – Com relação às grandes empresas precisamos de uma nova política industrial para o País entendida como conjunto de formas de parceria descentralizada entre o governo e as empresas.

Toda a ajuda pública oferecida no contexto dessas parcerias deve subordinar-se a quatro critérios:

a) regras impessoais e padrões de desempenho;

b) ênfase na ampliação do acesso ao crédito, à tecnologia e aos mercados e no desenvolvimento de redes de concorrência cooperativa mais do que na distribuição de subsídios;

c) insistência em ter como contrapartida da ajuda às empresas existentes a facilitação da entrada de novas empresas e novos agentes no mercado;

d) aceitação pelo governo federal de sua responsabilidade para quebrar pontos de estrangulamento do nosso crescimento, como a base de energia e transporte e a formação de recursos humanos.

Com relação às pequenas e médias empresas nossa meta é construir a partir dos Bancos oficiais, das entidades públicas de fomento e do Sebrae uma política de democratização das oportunidades da produção calcada na atuação de três conjuntos distintos de entidades: a) entidades de financiamento, b) entidades técnicas de apoio tecnológico de concorrência cooperativa entre as pequenas e médias empresas.

VM – Em seu governo, qual será a política de juros?

Serra – Temos todas as condições de reduzir os juros reais a um nível de 6%, 7% em meados da década. É uma tarefa urgente para criar um ambiente favorável à produção e à geração de empregos. Isso será feito a partir de uma melhoria no setor externo. A substituição das importações e o aumento das exportações vão diminuir a dependência do capital estrangeiro e fazer com que possamos baixar os juros.

Ciro – Em primeiro lugar é preciso ter em mente que enquanto a taxa de juros for superior à rentabilidade média dos negócios produtivos, o País nunca conseguirá crescer sustentadamente, distribuindo renda. Portanto, é condição necessária para um novo ciclo de desenvolvimento – para o país – criar condições concretas para a redução permanente da taxa real de juros. Isso somente será obtido pela mudança do atual modelo econômico, baseado na dependência de capitais estrangeiros e na especulação financeira, por um Projeto Nacional de Desenvolvimento ancorado na produção e no emprego fundamentado pela formação de poupança interna. Só assim os juro poderão cair.

VM – O senhor pretende estimular as exportações, as importações ou seu foco será aumentar as vendas no mercado interno? Quais as principais medidas para alcançar esse objetivo?

Serra – Exportar não significa prejudicar as vendas no mercado interno. Tenho como prioridade o aumento das exportações porque isso é essencial para rompermos o grande obstáculo ao nosso crescimento econômico, que é o déficit em conta corrente. A solução mais viável para diminuirmos esse déficit passa pelo aumento das exportações e a substituição competitiva das importações. Temos de formular parcerias com a iniciativa privada, realocar recursos do BNDES, enfim, contagiar a sociedade com essa preocupação. Vamos promover uma política de modernização dos setores produtivos nacionais, buscando ganhos de produtividade e a construção de vantagens comparativas em sentido dinâmico. Assim como a estabilização requereu uma mudança cultural, a conquista de novos mercados externos também exigirá uma nova mentalidade, uma mobilização ampla, uma verdadeira obsessão nacional.

Ciro – Não existe, em hipótese alguma, essa dicotomia. No passado foi assim, quando o modelo de crescimento do País era uma economia fechada. Nossa estratégia é de uma inserção ativa (e não passiva como foi nos últimos anos) do Brasil no cenário internacional. Nesse aspecto, a ampliação das exportações, gerando diminuição do nosso déficit externo, é essencial para reduzirmos a nossa dependência de capitais internacionais e para a redução dos juros domésticos, necessária para a ampliação da renda, dos salários, dos lucros, enfim, do mercado interno. São, portanto, movimentos complementares e não excludentes.

VM – Uma das grandes preocupações dos empresários é o Custo Brasil. Qual a sua opinião sobre a situação? Uma reforma tributária seria uma das prioridades de seu governo? Como convencer o Congresso a votá-la?

Serra – A reforma tributária é uma prioridade total. Constitui mudança fundamental para tornar a economia brasileira mais competitiva e dessa forma diminuir nossa vulnerabilidade externa. O Congresso já vem discutindo o assunto há vários anos e está maduro para votar uma proposta que o governo apresente com clareza.

Ciro – A estrutura tributária que já era injusta no País tornou-se excessiva, anacrônica e de viés antiexportador contribuindo para aumentar a vulnerabilidade externa do País. O atual sistema tributário brasileiro é complicado, ineficiente e injusto. Complicado porque o cidadão e as empresas são obrigados a pagar uma infinidade de impostos como o IPI, o ICMS, o PIS, o Cofins, IPTU, IPVA, ITR, Imposto de Renda e mais de 10 outros impostos. Um mar de burocracia, de guias, de carimbos, de coletorias, de fiscais, que só estimula a fraude e a sonegação. Ineficiente porque um sistema tributário moderno deve cumprir simultaneamente duas funções: financiar bem o setor público e estimular a competitividade da estrutura produtiva do País. O atual não faz nem uma coisa nem outra. Mesmo arrochando o bolso de quem trabalha e produz, o Governo não tem dinheiro para cuidar da saúde, melhorar a educação e oferecer segurança à população. Injusto porque acaba pesando mais no bolso dos trabalhadores que descontam na fonte, e nas pequenas e médias empresas.

O nosso modelo é baseado em 5 tributos, todos incidentes sobre o consumo e sobre a apropriação especulativa do capital e da propriedade, sem prejuízo da parcela que atualmente cabe aos estados e municípios. Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), Imposto sobre o Consumo de Supérfluos (ICS), Imposto Progressivo sobre o Consumo Pessoal (IPCP), Imposto sobre Heranças e Doações (IHD), Imposto sobre a Propriedade (IPR)

Para aprová-la é necessário refundarmos o pacto federativo, rompido ao longo desses últimos 8 anos em que todo o aumento da carga tributária, que passou de 27% do PIB em 1994 para 34% do PIB em 2001, foi baseado no uso e abuso de contribuições federais que não são repartidas com os estados e municípios.

VM – Em seu governo, qual é a taxa de crescimento anual desejada para a economia? Como atingir tal número?

Serra – No período 2003/2006, a meta viável e realista é crescer em torno de 4,5%, criando condições para uma expansão ainda maior e fases posteriores. Isso será possível, como já disse anteriormente, à medida em que o País reduza seu déficit em conta corrente. E também avance nas suas condições de infra-estrutura – como o gargalo energético – e promova uma reforma tributária que aumente a competitividade da nossa economia.

Ciro – Nosso objetivo é devolver a capacidade do País de voltar a crescer num ritmo sustentável de pelo menos 5% ao ano. Para tanto serão fundamentais o resgate de uma política industrial orientada para a promoção das exportações e a substituição de importações, a reforma do atual sistema tributário, deslocando da produção e dos salários para o consumo e os ganhos de capital o ônus tributário e a implantação da Reforma da Previdência substituindo o atual regime, de repartição, pelo regime de capitalização, fomentador da formação de poupança interna.

VM – E qual a taxa de inflação desejada?

Serra – O objetivo é fazê-la descer ao patamar de 2,5% ao ano. A partir da continuidade com o compromisso da austeridade fiscal e monetária será factível chegar a esse patamar em meados da década.

Ciro – Não teremos meta explícita de inflação. Estabeleceremos metas de Taxa de Desconforto, como já foi exposto anteriormente.

VM – Qual a sua visão sobre o profissional de vendas do Brasil?

Serra – É um elemento essencial do nosso quadro produtivo. A venda é uma das molas do crescimento econômico. É preciso que o País avance no sentido de uma economia mais próspera e dinâmica, para que o profissional de vendas exerça na sua plenitude esse seu papel fundamental.

Ciro – Como acontece com a maioria do povo brasileiro que quer e precisa trabalhar e produzir, os profissionais de vendas vêm superando obstáculos, às vezes quase que intransponíveis, nesse ambiente de um modelo econômico fracassado que só privilegia o capital rentista. Temos um enorme desafio pela frente e uma grande tarefa: reconstruir as bases da economia brasileira não na especulação e na dependência das migalhas da banca internacional, mas na produção e no trabalho de cada um de nós.

VM – Por que os profissionais de vendas e empresários deveriam votar no senhor?

Serra – Porque meu grande compromisso é com o crescimento econômico, com a produção, com a prosperidade. Depois de 40 anos de vida pública, de muito tempo de exílio e de estudo, de muito tempo de experiência parlamentar e administrativa, eu acredito que estou preparado para unir a experiência preservada, e de tornar realidade o sonho de um Brasil próspero e justo.

Ciro – Temos um projeto para o Brasil. Um Projeto Nacional de Desenvolvimento que devolverá ao País a capacidade de crescer, com estabilidade monetária e eqüidade social, e que terá como pilar de sustentação a geração e ampliação da poupança doméstica. Ou seja, cresceremos com as nossas próprias pernas e não mais na muleta do capital internacional especulativo. Um modelo de desenvolvimento voltado e comandado pelos brasileiros e que também abrirá as portas para todos aqueles que quiserem construir, junto conosco e de maneira saudável, uma grande nação.

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