Empresas farmacêuticas e de alimentos têm o mesmo problema: não conseguem saber o que o consumidor quer de verdade, pois há sempre alguém no meio do caminho – ou farmácia, ou supermercado. Torna-se difícil saber o que pensa cada um dos consumidores. Sem a opinião direta, barata, do cliente final, o desenvolvimento de novos produtos só pode ser feito através de pesquisas, em geral, caras.
É aí que a Internet pode ajudar. Afinal, as pessoas dificilmente irão à rede de computadores para tirar dúvidas sobre um alimento. Agora, ao sentir uma dorzinha aqui ou ali, é fácil correr ao computador para tentar resolver o problema. Pense nele como uma versão moderna daquela tia mais velha que tinha remédio para tudo.
Médico online – Existem diversos sites na Internet que prometem ajudar com diagnósticos simples. Um deles, o RealAge, vai além ao direcionar os dados dos visitantes às empresas médicas. Com o consentimento deles, lógico.
O processo começa quando o visitante da página clica em uma série de questões sobre sua saúde e estilo de vida. O site então oferece um diagnóstico comparando a idade do calendário e a idade correspondente às condições físicas do internauta -ou seja, sua idade “real”.
A partir daí, o site envia sugestões de complexos vitamínicos (dos patrocinadores, lógico) e exercícios físicos para o visitante, além de sugerir que ele procure um médico, em determinados casos.
O lado da empresa – Assim, se um laboratório está criando um novo tratamento para reduzir o colesterol, o site envia às pessoas que apresentam tal problema informações sobre os riscos que estão correndo com o colesterol alto, dão dicas para controlá-lo e terminam com um “informe-se com seu médico sobre as novidades do laboratório tal nessa área.”
Recentemente, o site fez um teste. Pegou dois grupos de mil pessoas com determinado problema de saúde. Um grupo cadastrou-se no site e passou a receber dicas de saúde patrocinadas no site através de e-mails e, o outro, não. Após um mês, mais da metade das pessoas do primeiro grupo tinha procurado um médico, contra menos de cem do segundo grupo. E, entre as pessoas que buscaram o apoio clínico, as que receberam a comunicação da RealAge receberam 250% a mais de receitas prescrevendo o remédio patrocinador do que o outro grupo. Ou seja, a pressão do paciente no médico funciona.
Atenção à ética – É claro que a RealAge não utiliza essas técnicas com pessoas portadoras de doenças graves ou usuários de remédios delicados. Se você for da área, concentre-se em vitaminas, suplementos alimentares, analgésicos simples, relaxantes musculares, curativos e só.


