US$ 500,00. Nem mais, nem menos. Foi com mínimos recursos que Fabio Gliosci, de 32 anos, iniciou, há dez anos, seus negócios no ramo varejista. Recém-formado em Economia e sem vislumbrar chances profissionais na área, resolveu apostar tudo no segmento surfware, que engatinhava no Brasil, quando abriu a sua primeira loja na região central de São Paulo.
A princípio, vendia roupas em consignação e quase não tinha dinheiro o suficiente para abastecer o estoque. O que contou pontos a seu favor foi o fato de não haver naquela região, lojas com esse perfil. Recorda-se que teve de “brigar” com os detentores das grandes marcas, pois achavam depreciativo vendê-las no centro da cidade. Em pouco tempo, definiu seu público-alvo: office-boys. Passou a comercializar também marcas voltadas para os adeptos do skate e da chamada moda streetware.
Atualmente, Gliosci comanda cinco lojas da rede Central Surf, oferecendo artigos de surfware e streetware, linha feminina e acessórios.
A falta de planejamento inicial do negócio deu lugar a um crescimento calcado em organização, informatização, planos de crescimento detalhados e estratégicos. Ganharam também seus 120 funcionários, que puderam contar com os benefícios do processo de automação, preocupação antiga do proprietário, que há cinco anos informatizou todas as suas lojas. “Conseguimos personalizar a venda através do melhor uso do mailing dos clientes, enviando-lhes malas diretas e realizando promoções específicas”.
Para o proprietário da Central Surf, cujo faturamento em 1997 foi de R$ 7 milhões, as lojas brasileiras têm a agressividade das americanas. Ele não quer ficar para trás e, por isso, acompanha as mudanças do setor lá fora. “Freqüentemente vou aos EUA e Hawaí, especificamente, para conhecer e importar conceitos de atendimento em massa, do gerente como gestor do seu próprio negócio, adaptando-os para a empresa.”
Gliosci trabalha das 9h30 às 22h, percorrendo pelo menos duas lojas por dia. Atende os clientes no caixa, no balcão, ouve reclamações. Tudo isso para estar em sintoma com seu público. Sua missão, explica, é satisfazê-los em todas as suas necessidades: de ego, de identidade, de grupo, de produto, de agilidade e de preço.
“Não vendo só roupas. Vendo sonhos para essas pessoas”, finaliza.
“Essencial no supervendedor é ter boa vontade e gostar de pessoas; a técnica, com o tempo, pode-se ensinar e ir lapidando”, afirma Gliosci, proprietário da Central Surf.


