A triste realidade da demissão

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Quem já teve de demitir alguém sabe como é ingrata e desagradável essa tarefa. Mesmo que não existam outras opções, ou que a demissão esteja baseada em fatos concretos (indisciplina, incompetência, etc.), ainda assim a coisa é desagradável.

Em entrevista realizada recentemente com alguns gerentes da Hering (a Hering tem 400 assinaturas do Técnica de Venda para sua equipe comercial), todos eles concordaram que a parte mais difícil da gerência é justamente a hora de demitir alguém.

Dizem que um famoso diretor de cinema contratava alguém (geralmente um ator ou uma atriz) só para poder demiti-lo no primeiro dia de filmagens, aos berros e palavrões. Essa encenação toda servia para impor respeito ao resto da "tropa" evitando assim que ele tivesse que mandar alguém embora de novo.

Não sei se essa é uma boa opção, – só sei que, já tendo passado pessoalmente pela situação diversas vezes, acho que alguma coisa precisa ser feita para ajudar – tanto ao gerente/diretor quanto ao funcionário – nessa hora tão difícil.

O sujeito tem família? É seu amigo (ou pior, parente!)? Quanto vai custar a rescisão? É o resto da equipe, como fica? Quem cuida dos clientes? O sujeito vai levar a carteira consigo? Vai trabalhar para a concorrência?

Isso me lembra aquela história de que todo gerente de vendas é na verdade um agricultor especializado – só colhe abacaxi e pepino.

Mas também, depois de realizado o ato, muitas vezes tem-se uma sensação de alívio, de algo finalmente resolvido. Temporariamente desagradável, mas libertador. Principalmente se o vendedor em questão era o "Jaque" (como diz o Botelho "… e já que não deu 'pra' nada, foi ser vendedor").

Pois é… por isso resolvi fazer uma matéria especial sobre este assunto e conto com sua participação. Suas dicas vão ajudar a tirar a matéria do mundo teórico das idéias e colocá-la na rua, na prática – como deve ser questionário está aí ao lado, e tenha certeza de que lerei com muita atenção tudo que você me disser. Suas sugestões contribuirão para enriquecer nossa pauta, e com certeza poderão ajudar aos outros gerentes e diretores de vendas do Brasil a lidar melhor com o tato, cada vez mais comum, de ter de demitir alguém. A matéria será a capa de setembro ou outubro, dependendo da rapidez com que eu receber os questionários.

Desde já agradeço sua participação.

Boa leitura e boas vendas!

P.S.: Só para pensar – o que é pior: demitir ou ser demitido? O "demissor" fica, mas o demitido vai (e tem toda a liberdade para escolher como começar de novo.., ou não?). Você decide.

Raúl Candeloro
Editor

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