Expedição Mata Atlântica

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Trabalho em equipe é fundamental Novidade no Brasil, as chamadas corridas de aventura, – caso da Expedição Mata Atlântica -, são um fenômeno nos Estados Unidos, Europa e Nova Zelândia. Nessas provas, os participantes aprendem que o trabalho em equipe é capaz de superar obstáculos inimagináveis.

Trabalhar numa empresa muitas vezes se torna tarefa mais do que automática. Sete horas da manhã, acordar, tomar café, tomar banho, pegar o carro e ir para o escritório. Oito horas, começar o dia de labuta: organizar a agenda, falar ao telefone, fazer contatos, preencher relatórios, participar de reuniões, atender clientes. E, dia após dia, a rotina se instala e fica. Nesse contexto, você acaba se acostumando com a batida de sempre, com as pessoas que o cercam, como esquema de trabalho e, freqüentemente, acomoda-se. Passa a achar aquele fluxo de trabalho perfeito e acredita que tem pouco a acrescentar à empresa e aos colegas de departamento. Falando em colegas de trabalho, não é nada incomum pequenos climas, falta de entrosamento ou até falta de confiança em uma ou mais pessoas da equipe. Isso, claro, prejudica o rendimento não apenas do seu, mas do trabalho de todos. Sem contar a tendência de acreditar que aquele esquema basta e que, no final, tudo acaba bem.

Existem diversas formas de tentar minimizar os efeitos das diferenças de opiniões, temperamentos e até de métodos de trabalho. Há vários cursos no mercado que visam exatamente à integração e à aproximação dos funcionários. Muitos conseguem chamar a atenção dos profissionais para a necessidade de juntar esforços e conseguir uma equipe mais coesa. Porém, fugindo totalmente aos moldes tradicionais, as corridas de aventura podem ser usadas como um importante instrumento de união entre profissionais e, sobretudo, entre seres humanos.

Identificação com a rotina empresarial

Praticamente ainda um estreante no Brasil, esse esporte é uma verdadeira febre nos Estados Unidos, Europa e Nova Zelândia. Nos EUA, por exemplo, acontecem cerca de 600 provas anuais. Por aqui, a Expedição Mata Atlântica, EMA, é o maior evento do gênero e terceira prova mais longa do mundo. O responsável por sua organização é o paulista Alexandre Henrique de Freitas, que criou uma empresa especialmente para este fim, a Sociedade Brasileira Multisport Adventure Race. Ele trabalhou 17 anos no mercado financeiro e até pouco tempo era sócio majoritário do Síntese, um banco de investimentos. “Levava uma vida típica de executivo. Trabalhava engravatado, com rotina e horário bem definidos. A única coisa que me diferenciava um pouco é que sempre fui louco por esportes e, no horário de almoço ou depois do expediente, adorava correr”, conta. Em 1997, incentivado por um amigo americano, participou de sua primeira corrida aventura na Nova Zelândia. Formou uma equipe com outros amigos, e treinaram centrados no condicionamento físico, sem muita técnica. “Quebramos a cara! O convívio em equipe até que não foi ruim, mas nos faltou orientação. Agente simplesmente não sabia o que fazer”, lembra Alexandre.

Mesmo frustrante, a experiência, contudo, deixou sementes. Nascia ali a idéia da Expedição Mata Atlântica, cuja primeira edição aconteceu em outubro de 1998. O negócio tende a crescer também em solo brasileiro. Na prova de estréia, foram 32 inscrições e 30 equipes participantes. Já no ano passado 60 equipes se inscreveram e 33 participaram. Para divulgar e expandir a novidade, Alexandre criou a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura que já conta com mais de 700 associados. Tal sociedade congrega gente que curte o esporte e orienta quem deseja fazer corrida de aventura seja como competidor, seja como organizador. Graças a essa direção, este ano estão programadas dez competições,integradas dentro do circuito brasileiro.

Alexandre Freitas afirma que a corrida de aventura tem tudo a ver com a rotina de uma empresa. “Posso falar com conhecimento de causa, porque enxergo com olhos de esportista e de empresário. Esse esporte não é simplesmente como praticar rafting, quando você deixa a cabeça em casa e vai se divertir; usa sobretudo sua porção física. Nas corridas de aventura você precisa ser um estrategista. Tem de pensar, planejar e, principalmente, administrar o seu trabalho, juntando-o com o dos outros membros da equipe. Isso deve ocorrer da mesma forma no ambiente de uma empresa”, diz.

Programa de índio?

Não. Programa de aventureiro! Para entender um pouco mais sobre a EMA, tente visualizar equipes formadas por três competidores, sendo no mínimo uma mulher, mais duas pessoas que ficam no apoio, sediados em pontos estratégicos. O desafio é participar das provas esportivas que variam de ano para ano e costumam incluir bóia-cross, canoagem, trekking, mountain bike e rappel, entre outros. Detalhe: tudo tem de ser feito praticamente sem pausa, já que, como o nome diz, trata-se de uma corrida de aventura. São cinco dias de prova; 450 km de percurso. Na Expedição Mata Atlântica de 1999- a próxima vai ocorrer em outubro deste ano -”””” os participantes saíram do município de Iporanga, interior de São Paulo, e terminaram a competição cinco dias depois da largada, em Cananéia, litoral paulista,atravessando generosos trechos de mata atlântica.

A ordem é maximizar tudo

Quanto menos tempo perdido, melhor. Quanto melhor a estratégia, mais chances de vencer. Quanto maior o entrosamento entre os participantes, mais a corrida rende. “Esse é uma paralelo que se pode traçar com uma empresa””””, lembra Alexandre Freitas. “Na verdade, aqueles dias são uma espécie de laboratório em que você testa seus limites e os dos seus companheiros, à exaustão”. Explica-se: durante cinco dias, os três competidores convivem 24 horas ininterruptas,tendo de se apoiar e agüentar. Como têm de parar o mínimo para descansar, devem planejar os minutos de cochilo (entre 10 a 30 minutos no máximo!) ou o tempinho de sono,em geral, de duas a três horas por noite. Também devem se entender quando um deles quer “usar o banheiro” ou o outro não está suportando os pés machucados. Isso tudo acontecendo junto com a necessidade de se orientar na mata, ler o mapa, traçar a melhor estratégia, escolher o melhor caminho. Nas primeiras horas, não parece tão difícil. Mas,depois de um tempo, pinta o mau humor, o cansaço, a dor. Aí, é preciso liderança do capitão da equipe e muita união entre eles para não deixar a peteca cair. “É mais ou menos o que deveria ocorrer numa empresa. A partir do momento em que você conhece as fragilidades e as facilidades dos membros da equipe, o trabalho se torna mais fácil”, diz Alexandre. Para ele, uma prova dessas é uma excelente oportunidade para se trabalhar em equipe e superar resultados. Assim, é preciso maximizar os talentos de todos e saber usar virtudes, como a solidariedade e a confiança. “Como no dia-a-dia profissional, você precisa poder confiar no colega que fica na mesa ao lado. Mais: tem de aprender a pedir ajuda, a recusar sobrecargas, a reconhecer seus erros, saber ouvir mais. E todos devem aprender a ficar juntos nos momentos adversos. Se numa época de vacas magras, quando as vendas estão fracas, por exemplo, um quer puxar o tapete do outro ou só sabe se lamentar, evidentemente, a equipe como um todo é prejudicada”, lembra Freitas.

Todos são importantes

Acontece nas melhores equipes. Fim de jogo de futebol,basquete ou vôlei. Os atletas avaliam que o resultado foi bom ou ruim, em função do desempenho da equipe. Porque quando o trabalho envolve mais do que uma pessoa, não adianta querer dar uma de herói ou estrela e fazer tudo sozinho, como bem entender. Todos na equipe são importantes. Na Expedição Mata Atlântica esse valor é reforçado a cada minuto. Guido Lorenzo Botto, que junto com Rafael Campos e Gabriela de Carvalho, da equipe Quasar, venceram a EMA 99, afirma que o princípio de tudo tem a ver com o respeito mútuo. “Na prova, assim como na vida, o importante é não perder a paciência com o outro, respeitar suas particularidades. E não apenas criticar, mas tentar animar o companheiro, buscar alternativas para resolver as dificuldades que são dele, mas que podem se tornar suas, também.” Para ele, o trabalho em equipe foi fundamental para a vitória. “Treinamos com seriedade e, acima de tudo, procuramos nos conhecer melhor. Aprendemos quais eram nossas forças e fraquezas, e como trabalhá-las sem ferir os sentimentos uns dos outros.” Guido conclui, dizendo que é difícil esquecer um evento desses. “Estive no playground dos deuses. Essa experiência foi muito rica para minha vida como um todo. De prático, dá para afirmar que a gente aprende a se organizar melhor, a ter certeza de que, trabalhando comum a certa calma, dá para cumprir qualquer agenda. A gente ganha confiança, aprende a confiar mais em nós mesmos.”

Alexandre Freitas diz que, numa empresa ou numa competição, seu corpo pode agüentar muito mais do que você imagina. Mas, para isso, sua mente tem de estar equilibrada. “Expor-se a situações de limite como na Expedição Mata Atlântica, pode ser uma chance reveladora de trabalhar o emocional e aprender a lidar com as mais diversas provas da vida profissional e pessoal”, conclui.

A experiência de quem participou

* Marcelo de Barros Dantas Maciel, da equipe Pedal Power/Can Air, 3º lugar da EMA 99, é proprietário de uma loja de bicicletas. “Inúmeros pontos da Expedição Mata Atlântica se refletem no meu dia-a-dia, sobretudo no que diz respeito ao trabalho em equipe. Na prova, você precisa de alguém que conheça navegação, alguém que seja atento a detalhes e alguém para liderar o pessoal. Na empresa, idem. Tanto, que no meu trabalho sou o líder, mas aceito críticas, questionamentos, consigo escutar. Mas também sei quando é o momento de decidir, assumir riscos. Sem dúvida, uma corrida de aventura só reforça a importância desse espírito. Sem uma equipe unida, a empresa não funciona”, sentencia Marcelo.

* Júlio Pieroni, empresário e um dos organizadores da EMA 99, que experimentou uma corrida de aventura na Nova Zelândia, lembra que “tudo na vida precisa de uma estratégia para ser executado. Participar de um desafio desses é um exercício de auto-superação. Às vezes, você acha que determinada coisa é difícil, que não dá, mas vê que é capaz de mais! A gente precisa estar sempre se testando.”

* Marcelo Faria é administrador de fundos de investimentos e sua equipe ficou em 14º lugar, das 33 equipes que largaram. “Estávamos bem entrosados – e isso é fundamental para qualquer trabalho em equipe – mas tivemos um erro de navegação importante que, aliado a uma contusão, nos atrapalhou bastante. A maior lição dessa experiência foi descobrir como funciona minha cabeça sob pressão, bem como a dos outros. Acredito que essa vivência forme uma base a longo prazo, que permitirá perceber conexões entre a situação de prova e a vida como ela é.”

* Said Aiach Neto, empresário, fez parte da equipe Endurance, que ficou em 6.0 lugar na classificação geral. Ele se orgulha de ter ousado na estratégia no início da prova, fazendo um caminho ao contrário, sob críticas e desaprovação de todos.”O mais importante é que minha equipe me deu a maior força e, no final, minha idéia estava certa. O que deu errado foi o desgaste dos pés de uma colega de equipe, que ficou extremamente machucada e estressada. Tivemos de carregá-la no colo por 5 km. Jamais atribuímos a ela qualquer responsabilidade por não termos conseguido um resultado melhor. Naquele momento, a dificuldade foi dela, mas poderia ter sido nossa. Assim como na prova, na vida a gente tem de conviver com as partes fortes e fracas das pessoas. E temos de bolar estratégias para driblar as fraquezas e aproveitar as forças. Aprendi muito nessa corrida de aventura. A me conhecer melhor, a me relacionar melhor com os outros.”

Serviço:
Sociedade Brasileria Multisport Adventure Race – Tel. (011) 5506-8349
Site: www.ema.com.br (Confira o calendário das competições deste ano)
E-mail: ema@ema.com.br

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