TIRE A ROUPA

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Por que resistimos tanto às mudanças? Por que vivemos falando, e falando, e falando nelas e, ao mesmo tempo, nada fazemos para que uma grande mudança aconteça, a não ser quando não há outra alternativa a não ser mudar, isto é, quando ela já é inevitável? E aí não mudamos para onde queremos, mas sim, para onde podemos.
O que nos atrapalha, ou melhor, o que nos impede de mudar na mesma fantástica velocidade com que as coisas hoje acontecem? Será que são as nossas experiências que nos atrapalham? Sim, porque, muitas vezes, elas nos dizem que já sabemos o que irá acontecer e que não precisamos nos preocupar muito. Será que são essas experiências que fazem com que, quanto mais velhos vamos ficando, mais resistentes também nos tornamos? Existe um provérbio inglês que diz: “Cachorro velho, não aprende truque novo”.
Ou então será que é o medo? Às vezes nós sabemos que estamos errados e não nos corrigimos. Por quê? Ou será ainda que é a falta de um grande problema? Freqüentemente isso também acontece, ou seja, nós nos acomodamos porque está tudo bem, ou pelo menos, não está tão mal. Nesse caso, o nosso maior inimigo é o “meio sucesso ou meio fracasso”. Como não há nenhum drama ou trauma acontecendo, ficamos satisfeitos e, assim, vamos deixando de fazer o que deveríamos. É exatamente por isso que se diz que o bom é inimigo do ótimo.
Acabo de fazer uma simples conta aritmética e convido você, meu caro leitor, a fazer o mesmo. Descubra quantos dias você já viveu até este instante? É muito simples, não é mesmo? Pois bem. Pense, agora, no seguinte: “Quantos foram exatamente iguais?” Pois é, nenhum. Todos vieram diferentes. Todos tiveram mudanças. Então por que temos tanta dificuldade com esse assunto?
Pense. Antes de vestir-se todas as manhãs, você tem de se despir, certo? Ou seja, antes de estarmos prontos para sair, temos que ficar nus tirando o que estava sobre nós, o pijama. Quando mudamos de casa, acontece exatamente o mesmo: na casa que deixamos, cada coisa tem seu lugar e, para mudar, precisamos tirar tudo para depois, pacientemente, arrumar no novo endereço.
Quando estamos doentes e precisamos passar por uma cirurgia, acontece exatamente a mesma coisa, pois temos de, num primeiro momento, aumentar o nosso risco para em seguida voltar a ter saúde. Enfim, não se faz mudança sem estar disposto a passar por um período de turbulência, uma fase em que as coisas não ficam como estavam antes, mas que também não ficam como gostaríamos que ficassem.
Chamo essa fase de “zona de arrebentação da mudança”, porque, exatamente como vemos nas praias, até atingirmos o mar calmo, temos que superar as ondas quebrando perto da areia, isto é, temos que ultrapassar a rebentação delas. Isso tudo é muito importante de ser pensado e estudado, porque entendo que esta seja a maior de todas as razões do porquê resistimos às mudanças. Em outras palavras, penso que, por não gostarmos dessa fase turbulenta é que preferimos não mudar.
Mas isto se torna ainda mais importante, quando passamos a aplicar esse mesmo raciocínio no que diz respeito às nossas idéias. Como podemos adquirir ou ter novas idéias se não abandonamos as velhas? Como vamos “vestir/adotar” novas formas de agir, se não nos “despimos/abandonamos” as anteriores?
Será que, por exemplo, é possível fumar e deixar de fumar, ao mesmo tempo? Sim, eu sei! Você vai me dizer que tem um bocado de gente fazendo isso, ou pelo menos, dizendo que está fazendo isso, ou seja, deixando de fumar … aos poucos, mas que não deixa nunca.
Mas é exatamente esse o procedimento que vemos quando tentamos, em palestras, cursos e consultorias, mudar o que está errado. O que estou querendo lhe dizer é o seguinte: “As pessoas querem as idéias novas, mas não querem abandonar as antigas”. Então, não há possibilidade de progresso, porque, conforme já vimos, enquanto não nos “despirmos”, não podemos tornar a nos vestir”.
Vez por outra todos nós temos que fazer uma limpeza nos nossos guarda-roupas e gavetas e dar para alguma instituição de caridade tudo o que ficou obsoleto. Que tal fazermos a mesma coisa com as nossas idéias? Estou propondo que você fique algum tempo sozinho, quieto, em silêncio – ouvindo a si mesmo – buscando identificar, lá no “fundo do baú”, quais são os procedimentos, atitudes e comportamentos que não são mais coerentes com o seu momento atual e que, por isso, estão lhe atrapalhando.
Veja se o que está impedindo-o de fazer essas mudanças não são as suas experiências (cuidado como “já sei”!); ou quem sabe seja o medo, ou a acomodação, ou, talvez até, o meio sucesso que lhe dá uma sensação gostosa de conforto. Faça essa viagem – sozinho – e ouça a sua sabedoria. Nós ouvimos tantas pessoas e tantas coisas dos outros e não temos um minuto sequer para ouvir a nós mesmos. Será que isso está certo? Será que essa não é uma das razões porque não mudamos com facilidade?
Ao ouvir a si, você não estará se “despindo” para os outros. Portanto, não há porque se envergonhar ou ter qualquer receio. Tire fora a “roupa/velhas idéias” e veja quanta coisa nova e boa está à sua espera para melhorar a sua qualidade de vida.
É claro que você vai dar origem a uma turbulência, mas e daí? Só você sabe o que está se passando, portanto, não há nada a temer. Pense no seguinte: “Se não nos mudarmos, quem o fará?” Alguém mais tem esse poder? Ninguém ama mais os filhos do que os próprios pais e, no entanto, não temos poder algum (ou muito pouco) para fazer deles o que gostaríamos que fossem. Só eles é que poderão fazer de si o que quiserem. Isso é absolutamente verdadeiro para todos nós. Assim, se há alguém que pode “despir o velho” e “vestir o novo”, esse alguém somos nós. Mãos à obra!
Eduardo Botelho – Autor, consultor e diretor do IPEB – Instituto Profissionalizante Eduardo Botelho. Telefone: (0**11)3057-0787 Home page: www.eduardobotelho.com.br

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