O que a Kodak fez para não queimar o filme

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Com a entrada da era digital, a gigante do mercado fotográfico precisou reposicionar-se no mercado Com a entrada da era digital, a gigante do mercado fotográfico precisou reposicionar-se no mercado

Há pouco mais de um século, o norte-americano George Eastman quebrava a cabeça para bolar um nome perfeito para uma marca. Tinha de ser curto e de fácil pronúncia em qualquer idioma. De preferência, que começasse e terminasse com a letra K. Foi desse raciocínio complexo que surgiu a marca, que ecoa em todo o mundo quando o assunto é fotografia: Kodak.

Da primeira câmera (em 1888) até aqui, o objetivo da empresa continua o mesmo: auxiliar as pessoas na captação, compartilhamento, impressão e visualização de imagens, seja para recordar, informar ou entreter. O que mudou, e muito, é o ?como? fazer isso. ?Quando Eastman fundou a Kodak, a fotografia era complicadíssima. Mas ele encontrou uma maneira de simplificar, oferecendo uma câmera já com filme. A pessoa fotografava, enviava para revelação e recebia de volta as fotos com a câmera recarregada. Foi assim que a Kodak nasceu e explodiu?, recorda Flávio Gomes, diretor de operações e vendas da divisão de fotografia.

Reinado ameaçado

Durante anos a Kodak foi absoluta no mercado fotográfico, oferecendo produtos e serviços para profissionais e amadores. Sempre criando e inovando, conquistava cada vez mais clientes. Mas o reinado que parecia imbatível estremeceu com o avanço da tecnologia e a popularização das câmeras digitais. Como a empresa que desenvolveu todo o sistema tradicional de fotografia se adaptaria ao novo mercado?

?A fotografia tradicional sempre deu muitos lucros à companhia. Por muito tempo nos negamos a aceitar a realidade da força do digital. Mas o importante não é olhar para trás, mas para frente?, confessa Flávio, a respeito da resistência da empresa em acompanhar a evolução. Hoje a Kodak já está no mercado digital com vários produtos, soluções e serviços.

Mas engana-se quem pensa que a Kodak esperou uma iniciativa da concorrência na nova tecnologia. Já na década de 1970, a empresa iniciou seu trabalho com câmeras digitais para a área convencional e governamental, além de ter apresentado o primeiro protótipo do produto para uso doméstico. Em 1987, a primeira câmera digital lançada vinha com sensor Kodak. Finalmente, em 1994, ocorre o lançamento da primeira câmera digital da Kodak com preço voltado ao consumidor final.

O contra-ataque

Em 2004, o mercado digital cresceu 40% em todo o mundo. Nesse ano, estima-se que 50% do faturamento global tenha vindo do digital, tendência que provavelmente o Brasil ainda não acompanhe. ?Aqui, apenas 15% das nossas vendas virão do digital. Isso porque o tradicional tem muito espaço para crescer, uma vez que somente 35% dos domicílios brasileiros têm uma câmera. De qualquer forma, vamos crescer nas duas vertentes?, anuncia Flávio.

A Kodak mundial espera que as divisões de desenvolvimento de software e de manipulação de imagem sejam responsáveis por 50% do faturamento total da empresa, um fato inédito.

Nem que esse crescimento comece com o fechamento de fábricas na Austrália, China e Canadá, além da unidade de São José dos Campos, SP. Todas as operações no Brasil agora se concentram em Manaus.

Já adequada ao novo mercado, a Kodak quer massificar a fotografia digital. ?Nossa grande estratégia é torná-la simples. Porque a fotografia digital realmente é complicada. Mas estamos tentando simplificar a cada novo lançamento, para que o grande público aproveite os benefícios do digital?, conta Flávio.

Mas com tantas novidades sendo lançadas todos os meses, o atendimento ao consumidor não é prejudicado? Flávio Gomes afirma que a Kodak mantém os funcionários das lojas sempre atualizados com as técnicas mais modernas de vendas, gerência e conhecimento de produto, visando garantir a satisfação ao cliente. ?Espalhar informações é fácil, via mala-direta, vídeos e CDs de treinamento. Mas apenas enviar esse material para as lojas não é suficiente. É preciso algum mecanismo de certificação e incentivo para que a pessoa utilize o que aprendeu?, alerta, certo de que ainda muitos anos de sucesso virão pela frente para a Kodak.

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Na prática

Conheça as ações implantadas pela Kodak para aumentar a rentabilidade de suas lojas e manter seus representantes atualizados para melhor atender seus clientes, de acordo com Flávio Gomes:

· Para aumentar a rentabilidade das lojas, foi criado um sistema no qual o representante entra com seus dados e recebe um diagnóstico sobre onde e como pode melhorar seu rendimento, comparando seu desempenho operacional com a média e os melhores do mercado.

· Foi criado um programa de menu de serviços que aumenta o faturamento da loja, já que os serviços são muito rentáveis, principalmente os digitais.

· Para aumentar o fluxo e o volume de negócios, foram criados produtos e promoções exclusivas, além de parcerias que visam trazer novos negócios para a loja, como venda de celulares e café internet.

· Foi lançado um clube de compras no qual a Kodak negocia com fornecedores em nome da rede, reduzindo custos e aumentando a rentabilidade.

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