Nesta edição especial de tecnologia, eu não posso deixar de falar do Maicon, o vendedor mais hi- tech que eu conheci. Nesta edição especial de tecnologia, eu não posso deixar de falar do Maicon, o vendedor mais hi- tech que eu conheci. Tive o prazer de encontrá-lo quando estava em um cliente ? que é comprador de uma rede de loja de vestuário ?, quando a secretária anunciou a sua chegada.
Maicon abriu a porta, numa mão uma pequena mala de roupas com o mostruário e na outra uma pasta com o que parecia ser um notebook. Meio desajeitado e cambaleante devido ao peso, ele se bateu na porta, pediu desculpas e entrou. Deixou todas as pastas no chão e esticou a mão ofegante para nos cumprimentar.
Antes de começar a falar, uma surpresa. Do bolso do paletó esquerdo ele tirou um palm top e ligou. Do outro bolso sacou um celular de última geração que deixou sobre a mesa. Pronto, agora estava tudo a postos. Ele abriu finalmente o pequeno mostruário e começou a tirar as peças de roupas. Na realidade ele trouxe apenas dez peças, o restante estava no mostruário virtual, dentro do notebook, que ele tirou rapidamente da pasta. Não pude resistir a uma olhada de canto de olho para o meu cliente, que esboçou um sorriso. Maicon abriu a pasta e fez a pergunta óbvia de todos que carregam o notebook:
? Você tem uma tomada para eu ligar? Sabe, né?, bateria de notebook depois de muito uso não dura nada.
E não é que não tinha uma tomada por perto? Apenas uma disponível no canto da sala. Então, lá foi o Maicon, e nós puxamos as cadeiras para acompanhá-lo. A cena foi engraçada: no canto de uma grande sala, muito bonita e bem planejada, nós três amontoados olhando para a tela de um computador ainda desligado. Ele ligou e a abertura do Windows fez aquele barulho tradicional, só que no volume mais alto. Constrangido, o vendedor prontamente se desculpou:
? Perdoe-me, o volume está alto.
A máquina, já não tão nova assim, demorou para carregar todos os programas. Enquanto isso aquele papo furado rolando. Finalmente o computador ficou pronto. Só faltava abrir o programa com o mostruário virtual. Mais alguns segundos de espera e pronto. Lá estava o programa aberto. Uma pequena mensagem de erro apareceu na tela e ele clicou no OK. Nada demais.
Pronto. Estávamos com a coleção de verão na frente dos olhos. Dentro do computador, fotos minúsculas de modelos vestindo as roupas que mal apareciam na pequena tela. Pouco dava para ver dos modelos, quanto mais das roupas. Meu cliente, o comprador, começou a fazer o pedido. Maicon pediu um segundo para ir buscar o palm que havia deixado na cadeira. Mas o sistema do palm não estava funcionando. Então ele abriu o pedido no próprio notebook, que alternava lentamente entre o programa de mostruário e o de pedidos.
O celular do Maicon resolveu tocar durante o processo… era um cliente que ele não podia deixar de atender. Então ele atendeu e anotou a mensagem no palm. Depois de quase uma hora enrolados naquela confusão tecnológica, ele foi fechar o pedido no notebook, mas esbarrou no fio e a fonte de energia caiu.
Esse último detalhe foi para enfeitar a história. Lembre-se: quando a tecnologia funciona bem e utilizamos na medida certa, ela é ótima, mas quando tudo se complica, muitas vezes, dá saudade daqueles vendedores que usavam bloco de papel e tinham o mostruário na mala… Ah, isso dá.


