Entenda por que os profissionais mais talentosos e empreendedores alimentam seus sonhos e saem em busca de ambientes mais desafiadores. Lembro de uma aula de Gestão de Recursos Humanos, cujo professor abriu o assunto com a seguinte frase na tela do data-show: “Não adianta treinar, que o funcionário vai para o concorrente. E se você não treinar e ele ficar na empresa??.
Existem coisas que, de tão óbvias, caem no esquecimento. Treinamento é como tomar banho, fazer a barba, escovar os dentes e alimentar-se. Tem de ser feito todo o santo dia. A pergunta que escuto de empresários é com que freqüência se deve treinar. A resposta mais uma vez é óbvia: sempre!
Quem não treina e não procura se aperfeiçoar constantemente cai no limbo da mediocridade. Entra pela contramão da história. Vira o chamado profissional Durapouco, ao contrário daquela pilha famosa. Em vez de procurar fazer um up, está sempre fazendo um down-grade em sua carreira.
A regra do jogo é aprender. Aprender a aprender cada vez mais. Isso vale para pessoas, empresas, animais, qualquer ser vivo, até o último minuto de vida. Tem até cachorro aprendendo língua de gato e vice-versa. Vaca fazendo aula de música para dar mais leite. Boi de regime para produzir uma carne magra e macia. Bichos aprendendo truques que não são da sua natureza, a fim de agradar a platéia.
Elefantes sensitivos que se recusaram a permanecer na região onde minutos depois seria inundada pelo Tsunami, ondas gigantes que arrasaram o litoral asiático. E nós, os humanos, que estamos no pico da cadeia alimentar, o que fazemos para nos aperfeiçoar com o mesmo dinamismo e espírito de dedicação dos chamados não racionais?
Ainda não conseguimos utilizar o potencial que temos na cabeça, no corpo e no coração. Sequer aprendemos a separar o raciocínio da emoção. Tampouco sabemos gerenciar com sabedoria nossos sentimentos. Confundimos as coisas. Em alguns momentos somos puro cérebro. Em outros, inteiramente emoção. Familiares, empregadores, clientes e amigos não se sentem seguros quanto ao nosso comportamento.
Somos feitos caixa preta, que registra tudo, mas só dá o resultado meses depois. Na maioria das vezes guardamos as coisas e construímos verdadeiros repositórios de mágoas que se transformam em perigosos rancores. Centro avançado de negativismo responsável pela disseminação da INB ? Infelicidade Nacional Bruta.
Tudo gira em direção do crescimento, do progresso e da felicidade. Por isso, precisamos aprender sempre. A roda da vida expulsa dos seus assentos quem não segue o mesmo ritmo. Aliás, nem assento há, porque na nave-mãe não há passageiros, somente tripulantes. Em diversos níveis e qualificações, mas tripulantes.
Quem procura conforto e estabilidade posiciona-se como passageiro, um cargo inexistente no Planeta Terra. Por isso são invisíveis até na fotografia da empresa, da família e da própria vida. Para cumprir a nossa missão de ser feliz, precisamos aprender a viver entre instabilidade e estabilidade.
Sensibilização, instrução, treinamento e desenvolvimento. Uma palestra, embora se encaixe na rubrica de treinamento, não é treinamento. É sensibilização, ponto de partida para se organizar um bom treinamento. Integração do novo colaborador, explicações sobre os produtos, manuseio correto de ferramentas e máquinas, são atividades ligadas ao campo da instrução. Nem toda a aprendizagem é treinamento.
Existem estruturas com siglas (T&D) que nunca treinaram nem desenvolveram pessoas. Ficaram nas preliminares sensibilizar e instruir. Três ou quatro anos depois, em termos de conhecimento, os colaboradores regrediram, em vez de crescer. Acrescentaram novas habilidades, mas não se desenvolveram como seres humanos. Não fazem mais o show da vida porque trancaram suas competências e desaprenderam a pensar.
Como crescer faz parte do ser pensante, aqueles que alimentam seus sonhos com maior fervor (justamente os mais talentosos e empreendedores), pedem sua carta de alforria e vão em busca de ambientes mais desafiadores, onde o T&D não é só uma sigla. Para os administradores não há problema. Apenas aumento do turnover (esse pessoal não sabe mesmo o que quer?, dizem) e mais trabalho de sensibilização e instrução. Tocam em frente à saga do auto-engano.


