O risco e a tensão das crises que todo empreendedor enfrenta em algum momento da vida empresarial poderiam ser amenizados se fosse dada a devida atenção ao planejamento. Investir em um negócio, ou seja, tornar-se um empreendedor exige coragem e ousadia ? seja pela voracidade e incerteza tributárias, seja pelos habituais cenários de instabilidade econômica ou ainda pelas estatísticas mostrando que poucos negócios sobrevivem ao primeiro ano de vida. Por isso, empreender é ser arrojado.
Esse perfil pode ser observado em praticamente todas as pessoas decididas, que não titubeiam, não têm medo de errar ou de perder. Todos têm o espírito de aventura necessário para criar e manter um negócio. Desconhecem a palavra hesitação e por isso movem o mundo dos negócios.
Porém, o risco e a tensão característicos das crises que geralmente todo empreendedor vem a enfrentar em algum momento da vida empresarial poderiam ser amenizados se fosse dada a devida atenção ao planejamento. Até por sua impulsividade peculiar, muitos investidores iniciam seu negócio guiados pela emoção, com um otimismo normalmente exagerado. Esse otimismo parece surgir como uma autodefesa contra todas as dificuldades a superar.
Antes de iniciar um negócio e arriscar reservas monetárias, algumas vezes impossíveis de recuperar, recomenda-se que todo empreendedor dê atenção aos seguintes pontos:
- Estudar o mercado consumidor para o seu empreendimento. Hoje há pesquisas de mercado de baixo custo, como as executadas por alguns núcleos universitários. Isso direcionaria também a localização geográfica do empreendimento.
- Estudar os concorrentes. Há espaço para a sua empresa? Qual é a idéia para conquistar a fatia de mercado ocupada por outros? Há tecnologia, preços ou atendimento diferenciados?
- Relacionar as fontes de financiamento. Qual é o valor e o prazo do desembolso necessário? Há recursos para suportar esse investimento ou existe a necessidade de capital de terceiros? Quais são as linhas de crédito com menor custo para o negócio? Quantificar os encargos e os prazos dessas fontes de financiamento é algo que não pode ser esquecido.
- Verificar a qualificação técnica necessária. Você dispõe de mão-de-obra adequada? Possui o know-how exigido? Quanto do negócio conhece? O processo de seleção do gestor tem de ser rigoroso, sem ser apressado. Desconfie de gestores que prometem bons resultados por uma remuneração abaixo do mercado.
- Preparar cuidadosamente a composição societária. Atribuições relativas a responsabilidades, tempo de ocupação/atenção de cada sócio e poder de decisão devem estar bastante claras por ocasião da constituição e da elaboração do contrato social. Não são poucas as empresas que naufragam pelo desentendimento e falta de sintonia entre os sócios.
- Prestar atenção ao capital de giro necessário. Cada empresa deve ter uma reserva em caixa para cobrir pagamentos que fiquem descobertos pelo ciclo operacional (situação em que é necessário pagar fornecedores antes de receber o saldo de clientes).
- Relacionar os fornecedores e o grau de dependência a eles relacionados (risco de continuidade).
- Avaliar riscos do negócio, como riscos ambientais ou de inadimplência, por exemplo.
Para finalizar, não se pode esquecer da comparação dos resultados esperados com outras alternativas de negócio, inclusive com o mercado financeiro. Afinal, mais do que a paixão pelo trabalho e a emoção de conduzir um empreendimento, o objetivo principal continua sendo o lucro.


