O mercado reconhece a autonomia profissional e estende o seu tapete vermelho àqueles que compreendem a prisão exercida pela passividade e se modificam. É sabido que estamos na era da informação e do conhecimento e, portanto, quem os detiver em maior quantidade e, sobretudo em qualidade, encontrar-se-á em posição privilegiada, haja vista as organizações ao redor do mundo buscarem, com empenho, pessoas dessa magnitude.
O mercado atual indica as muitas transformações pelas quais vem passando, dando destaque ao novo modelo de trabalhador que precisa: o multiprofissional, capaz de liderar a si mesmo e aos demais de convívio, ter conhecimentos técnicos e variados com aprofundamento, desenvolver habilidades de planejamento, execução e controle dos projetos aos quais está ligado e, principalmente, ser criativo e agente de soluções, com autonomia. É nesse ponto que trata sobre a capacidade de ser independente e auto-motivado para a vida e os resultados, que se encontra o foco das necessidades atuais em toda parte.
A cultura de muitas organizações está centrada na idéia do autoritarismo, e com isso, reduz-se as chances de abertura e maior participação das pessoas que nelas trabalham. O perfil de empregado, desde há muito tempo, é o de aguardar ordens e cumpri-las. Tanto que existe a já conhecida frase: ?Você não é pago para pensar, apenas obedeça?. Em decorrência, estabeleceu-se um arraigado hábito de ser pouco ativo, com relação à autonomia, gerando assim, uma forma mais limitada de se administrar os obstáculos que sempre surgem no cotidiano.
No entanto, o panorama social demonstra novidades sobre a questão passividade-autonomia, levando muitas pessoas a transitar por outros caminhos, na busca por uma independência que precisa ser conquistada, ainda que a duras penas, uma vez que velhos hábitos resistem a novas e necessárias transformações. Inércia, rejeição e indecisão são parte do processo de mudança no ser humano, até que se alcance a adaptação. Entretanto, ressalva-se que de nada adianta convidar as pessoas às mudanças dessa envergadura da noite para o dia e esperar que elas simplesmente compreendam e aceitem o novo modelo de ser e agir. É preciso oferecer tempo, educação e boa vontade a elas, para que possam construir, internamente, o seu novo entendimento e acomodação de coisas tão diferentes, das quais estavam acostumadas.
Algumas organizações investem em programas de treinamento com foco na autogestão, de forma intensiva, a fim de facilitar a construção de autonomia em seus colaboradores. Elas carecem de gente que solucione os problemas diários, reduzindo custos e aumentando as suas chances competitivas no mercado. Pessoas que antigamente resolviam os problemas com exclusividade foram demitidas, enxugando o quadro de profissionais intermediários. Ou seja, a coisa acontece entre a cúpula e a mão-de-obra operacional. Tudo precisa ser resolvido a partir dessa nova realidade. Portanto, é preciso preparar, educando cada pessoa que integra a organização.
Há outro exemplo a respeito da autonomia: a educação. Teorias e muitas discussões públicas e privadas, e projetos sobre a formação educacional contam com estratégias que visam a construção de um ser humano agente das transformações sociais; mais participativo e colaborador. Nas palavras de Paulo Freire: ?Ensinar não é transferir conhecimento?, a relação entre aluno e professor deve ganhar espaço para indagações, curiosidade, respeitando o ser crítico, inquiridor e inquieto. Para colaborar: ?Como professor é preciso ser um aventureiro responsável, predisposto à mudança, à aceitação do diferente?. Dessa forma, afasta-se o tradicional modelo de controlar os alunos através de imposições conceituais sobre este ou aquele assunto. Constrói-se em conjunto, por meio da contribuição, que permite participação e, conseqüentemente, mais independência.
Tenciona-se, também, com novas perspectivas do ensino superior, fazer uma conexão entre a teoria e a prática. Os estágios tradicionais não dão conta de capacitar os alunos à vida profissional, ocasionando dificuldade de como aplicar o conhecimento na prática de solução de problemas. Com esses objetivos, almeja-se, ainda, a provocação científico-profissional no estudante, para que ele não repita apenas o que leu ou observou, mas que avance com pesquisa e contribua com nova produção de sua autoria, estruturada e consistente. Há quase dois milênios e meio, o filósofo Sócrates afirmava que o verdadeiro conhecimento nasce do diálogo; não é transmissível do mestre ao aluno, porém extraído do interior de uma discussão. E, somente a autonomia desenvolvida internamente, é capaz de proporcionar esse tipo de resultado nas pessoas, tornado-as mais capazes e motivadas para empreender na vida e no trabalho, lembrando que a auto-estima encontrará, natural e decorrentemente, espaço para a sua elevação no progresso que se estabelece.
Bem, as organizações: escolas, empresas e instituições diversas, abrem-se para essa mudança crucial do ser humano, movendo esforços para promover a autonomia. Contudo, vale lembrar que uma palavra-chave para alcançar esse objetivo é a aprendizagem. Ela permite que ocorra a mudança, principalmente pelo fato de a cultura ter de acompanhar essa revolução.
Agir com conhecimento, motivação, planejamento, criatividade, mudança, objetivos e persistência abrem novas vias de acesso à capacidade ilimitada de desenvolvimento que o ser humano possui. A autonomia é um bem valioso a ser conquistado, e merece a atenção constante das pessoas. Aprender sempre é uma regra de sobrevivência e de evolução. Entretanto, é preciso atitude; o primeiro passo para sair do lugar comum. As dificuldades se farão presentes, porém, os resultados justificam os sacrifícios.
Portanto, o mercado reconhece a autonomia profissional e estende o seu tapete vermelho àqueles que compreendem a prisão exercida pela passividade, e modificam-se, desenvolvendo em si mesmos a autonomia, e com isso, são construtores dos fatos históricos, além de participar muito mais da solução de problemas que fazem parte da vida e conspiram para o desenvolvimento.
Vive-se um novo momento, no qual todos precisamos arregaçar as mangas, buscar conhecimento, trabalhar os medos, colaborar mais mutuamente, andar por caminhos desconhecidos, avaliar e refletir com mais empenho. Obtém-se ganhos dessa forma, não apenas no campo individual, mas no comunitário, sem esquecer-se, é claro, que se deixa às futuras gerações uma cultura de maior ação e resultados, senão, no mínimo, um campo fértil para que as próximas sementes sejam plantadas e colhidas conforme os passos dados por quem deseje a sua autonomia também.


