Como estão as ações da empresa que aproxima pessoas com segurança e conforto mundo afora?
Marco Pólo, veneziano, foi um importante explorador ? viajante em busca de descobertas ? da Idade Média. Ainda hoje ele é considerado um dos grandes exploradores e aventureiros da história. Demonstrou grande interesse pelas viagens desde a adolescência e chegou a se tornar representante internacional do imperador chinês Kublain Khan. Por meio de suas viagens, ganhou riquezas e popularidade.
Mas, para nós, Marcopolo (POMO3 e POMO4) é uma reconhecida marca de carrocerias de ônibus que as fabrica com alguns componentes que, segundo a empresa, criam diferenciações desenvolvidas de acordo com as necessidades de cada cliente e em conformidade com as normas de cada região. Essas carrocerias têm modelos rodoviários, urbanos, microônibus e miniônibus.
?Hoje, a Marcopolo é referência no Brasil e exterior na produção de ônibus. A flexibilidade em produzir desde veículos pequenos até os mais luxuosos modelos de dois pisos ajustados às necessidades dos clientes é um dos diferenciais da empresa?, enfatiza Valter Gomes Pinto, diretor da Marcopolo.
Apesar de sua presença no exterior ser de apenas 7%, a empresa busca a liderança do segmento no mercado brasileiro. Para isso, ela definiu como objetivo a manutenção da sua participação de mercado (market share) entre 40 e 42% (e tem se mantido nesse patamar desde 2007) e com foco nas margens de lucratividade de seu negócio.
A Marcopolo desenvolve a tecnologia que usa na própria produção, o que agrega valor a seus produtos, podendo também vendê-la, rendendo-lhe royalties.
Para incrementar sua presença mundial, a Marcopolo desenvolve parcerias locais nos mercados externos. A estratégia de expansão também visa a nacionalização da produção de componentes com o objetivo de reduzir os impactos da valorização do câmbio. De acordo com o site Acionistas.com.br, em matéria veiculada em 7 de agosto deste ano, há uma expectativa de que, facilmente, o mercado de ônibus mundial cresça em média 2,5% ao ano na próxima década. Isso significa que os quase 230 mil ônibus que existem hoje se tornarão 290 mil em 2018.
A elevação da renda populacional e expansão das atividades turísticas geram a expectativa de contínuo crescimento da demanda por ônibus no mercado interno e são fatores considerados pela empresa como importantes sustentadores da expansão do negócio da companhia ? opinião compartilhada por diversos analistas.
As ações da Marcopolo têm acompanhado a queda das small caps de forma geral. Mas usando o comparativo do 3T08 em relação ao 3T07, os resultados divulgados pela empresa foram estes:
? Produção física: +22,3%
? Receita líquida: +24,3%
? Lucro bruto: +20,1%
? Lucro líquido: -23,6%
? Ebitda ajustado: -44,1%
A empresa fatura mais de R$2 bilhões por ano e exporta para mais de 80 países, além de transferir tecnologia para a China.
Além das duas unidades fabris em Caxias do Sul, onde foi fundada, a empresa possui fábricas em Portugal, Colômbia, África do Sul, México e Rússia. A Marcopolo também tem duas controladas no Brasil, a Ciferal, localizada em Xerém, RJ, e a MVC Componentes Plásticos, com fábrica em São José dos Pinhais, PR, Catalão, GO, e no México. Atualmente, conta com 11 mil colaboradores no Brasil e no exterior. Em setembro de 2008, a Marcopolo anunciou a venda de 60% das ações da coligada MVC, fabricante de peças plásticas, para outro grupo brasileiro, a Artecola. O negócio será concluído até 2010 e envolverá um montante mínimo de R$55 milhões.
A MVC instalada em São José dos Pinhais fornece peças para diversos setores, incluindo o automotivo, e quer ampliar a clientela. A Marcopolo preferiu buscar parceria com uma empresa detentora de tecnologia na área plástica e vai transferir 54% das ações em outubro e 6% em fevereiro de 2010. A Artecola terá opção de compra de mais 14% até 2011.
Ações Marcopolo na Bolsa
A participação da empresa no setor de bens industriais, material de transporte e rodoviário é de 29,50% no volume de negociações e 13,88% no financeiro. A participação desse setor no Índice Bovespa (Ibov) é de 0,23% do volume financeiro das negociações.
Os títulos POMO3 se referem às ações ordinárias, também conhecidas como ON, que são aquelas que dão direito a voto nas assembléias, e POMO4, que se referem às ações preferenciais, também conhecidas como PN, as quais não dão direito a voto nas assembléias da empresa ou, pelo menos, restringem esse direito de alguma forma, mas os investidores têm preferência no recebimento de dividendos e/ou outros proventos distribuídos pela companhia, assim como no caso de liquidação (fechamento) da empresa, quando os investidores possuidores das ações PN possuem preferência na repartição do patrimônio.
A composição do Capital Social é de 85.406.436 ações ON e 138.818.585 ações PN, totalizando 224.225.021 títulos em mercado mobiliário.
A posição acionária conta com três grandes investidores pessoa física que juntos detêm aproximadamente 28% dos títulos, 25% são de fundos de investimentos e 52,5% das ações estão com investidores estrangeiros.
Comparativamente ao Ibov, pode-se dizer que o traçado é muito semelhante.
A volatilidade dos mercados mundiais na época do fechamento desta matéria está refletida na cautela com que os investidores operam, sempre de olho nos desdobramentos da crise.
Um exemplo disso foi a alta registrada de 11,11% no título POMO3 no dia 3/11/08, que, apesar de ser um índice encorpado, mostra-se insignificante diante das perdas registradas no período de julho a outubro de 2008.
O título POMO3 há cinco anos tinha um valor de R$1,60, há 12 meses de R$8,82 e, nos primeiros dias de novembro deste ano, oscilava na faixa dos R$3,50. O título POMO4, que há 12 meses estava cotado em R$7,30, girava em novembro de 2008 em torno de R$3,60.
Financeiramente, segundo dados apresentados para o 3T08 (veja a seguir), a Marcopolo é uma empresa saudável. Em setembro de 2008, algumas companhias admitiram perdas devido a operações com a moeda norte-americana e instabilidade das cotações do dólar norte-americano, decorrente do momento de grande volatilidade dos mercados mundiais. Na ocasião, a Marcopolo divulgou comunicado afirmando ter práticas conservadoras para suas aplicações de câmbio, não praticando operações de derivativos ou outros instrumentos financeiros que não objetivem a proteção das operações realizadas com o mercado externo e que os efeitos da flutuação do câmbio não afetarão de forma significativa os resultados.
Segundo Filipe Ribeiro Gonçalves, analista da Fundamenta Administração de Recursos, a empresa trabalhou no 1S08 com um mix de produtos mais pobre que no 1S07. Este ano, ela aumentou a participação de ônibus urbanos, que têm um valor agregado menor que os rodoviários. Mesmo assim, a companhia conseguiu proteger suas margens. Outro destaque, e que assustou o mercado, foi a despesa não recorrente com a instalação do software SAP. Se ela não tivesse acontecido, o lucro líquido poderia ser quase 60% maior que foi no 2T08. Os gastos com os problemas na implementação do SAP não impactarão da mesma forma os próximos trimestres, mas devem ainda ocorrer. Por isso, até o fim do ano podemos esperar um impacto da ordem de R$5 milhões por trimestre.
Para Filipe, em condições normais de mercado, as projeções de receita e produção que a Marcopolo tem para cada projeto devem ser atingidas. Além disso, ela trabalha com números potenciais para o mercado de ônibus na Índia, Rússia e Egito que são consideráveis. Já no mercado brasileiro de ônibus, não devemos esperar percentuais de crescimento tão significativos como os ocorridos em 2007, que foi de 16% em relação a 2006, ou como o incremento de 20% que está projetado para 2008.
De acordo com o relatório realizado pela Ativa Corretora sobre os resultados apresentados pela Marcopolo no 3T08, os diretores afirmam que cada país onde a empresa possui operação está sendo afetado de uma maneira diferente:
? Argentina ? Já não contava com crédito fácil e barato. Continua fazendo aquisições de ônibus com recursos próprios e de curto prazo.
? África do Sul ? Em função da Copa do Mundo, com investimentos sendo realizados, a expectativa é positiva.
? México ? Está sendo bastante afetado pela crise em função da dependência de sua economia em relação à norte-americana.
? Rússia ? Está totalmente parada, com a Marcopolo entregando o que já foi contratado e, depois, deixará as duas indústrias em standby, com possibilidade de junção das operações em apenas uma fábrica, sendo o único país no qual, até o momento, a Marcopolo viu a necessidade de demissões e paralisação das operações.
? Colômbia ? Ainda não apresentou sinais da crise. A Marcopolo ainda não teve desaceleração nas vendas.
? Índia ? A fábrica de Dharwad está quase pronta, iniciando a produção ainda em 2008. A expectativa é de que, em meados de 2009, já se tenha mil unidades produzidas.
Governança Corporativa
A Marcopolo participa do nível 2 de Governança Corporativa da Bovespa. A companhia tem 71% das ações no mercado (free float). O payout (percentual do lucro líquido pago em forma de dividendos) médio pago tem sido de 49,5% e, no ano passado, ela pagou cerca de 56% dos lucros em forma de dividendos. Dos acionistas preferencialistas, 52% estão no exterior. A empresa possui mais de 8 mil investidores.
Das ações ON, 64% do total são das duas maiores famílias acionistas, de Paulo Bellini e de Valter Gomes Pinto. Um comitê de sucessão está em andamento, e um dos filhos de Paulo Bellini está sendo preparado para assumir uma posição como conselheiro, mas não como gestor-executivo. A transição deve levar de dois a três anos.
A Fundação Marcopolo
A Marcopolo tem como princípio fundamental a valorização do ser humano, e sua missão é ?promover a qualidade de vida dos colaboradores da corporação Marcopolo e o desenvolvimento social de crianças e adolescentes das comunidades onde a empresa está presente?. O comprometimento de cada um com a companhia e sua realização profissional e pessoal são considerados os grandes diferenciais competitivos.
A preocupação com a comunidade também faz parte da história da Marcopolo e se consolida através de programas como o VidaConVida, que tem por objetivo promover a qualidade de vida dos colaboradores da empresa e seus familiares.
Projetos voltados às questões ambientais também fazem parte da política de gestão da Marcopolo. A empresa possui importantes certificações como ISO 14.001, OHSAS 18001/99 e SA 8000/01. O programa Reciclagem com Reuso, desde sua adoção, em outubro de 2001, reciclou mais de 600 mil quilos de resíduos de papel com tinta, economizou R$58 mil em 22 meses e preservou cerca de 13,2 mil árvores. O projeto, distinguido com os prêmios ABS Ambiental, Expressão de Ecologia 2002 e Top de Ecologia ADVB 2002, permite reciclar todo o resíduo de papel com tinta gerado nos processos industriais da empresa.
Expectativas futuras
O desempenho dos resultados do mês de setembro, por exemplo, foi o melhor da história da empresa, que tem 59 anos. Houve crescimento da produção em várias unidades no exterior e Brasil. Por exemplo: no México, a Marcopolo obteve um crescimento de mais de 20% e na África do Sul, mais de 60%.
A Marcopolo acredita que os efeitos da crise internacional só afetarão o Brasil no ano que vem e, por isso, ela continua com sua previsão de crescimento em receita e produção para 2009 com as fábricas da Índia, que devem compensar qualquer possível queda nos demais mercados, inclusive no brasileiro.
Segundo seu diretor de RI, Carlos Zignani, a Marcopolo vai crescer em 2009, independentemente da possível e prevista queda no mercado automotivo brasileiro: ?Acreditamos que o mercado nacional de ônibus deva cair 5%. Mas a Marcopolo terá receita líquida e volume de produção maiores que em 2008 devido a diversos fatores, que são o início de operação da nova planta da Índia, que deve fechar 2008 com a produção mensal de 200 unidades, e um nova concorrência vencida também na Índia para fornecimento de 1.625 ônibus urbanos com piso baixo e movidos a gás natural, que entregaremos até dezembro do ano que vem. Ainda não fechamos os números para 2009, mas mesmo que a produção brasileira caia, cresceremos no exterior e também a possível valorização do dólar amplie as receitas do internacionais?.
Colaboração: Joana Del Guercio
Coluna do small caps
Anderson Lueders
A Marcopolo, conforme dados do balanço do 2T08 (último disponível em 23/10/2008), alcançou receita líquida consolidada no primeiro semestre de R$1,07 bilhão, um incremento de 11,9% diante dos R$0,96 bilhões contabilizados no mesmo período de 2007. O lucro líquido do referido 1S08 atingiu R$54,2 milhões, praticamente em linha com o resultado do mesmo período do ano passado, de R$53,6 milhões. A empresa tem forte presença no mercado interno e diversificação geográfica internacional das unidades produtivas.
Com cotação a R$3,80 das suas ações preferenciais, as mais líquidas, conforme último negócio realizado no pregão de 22 de outubro de 2008, o valor de mercado da companhia equivale a R$852 milhões, possuindo 224.225 milhões de ações. Seu Preço/Lucro, considerando o lucro dos últimos 12 meses encerrados em junho de 2008 atingiu 6,41. O Preço/Valor Patrimonial da ação é 1,31. A empresa custa o equivalente a 0,38 vezes o faturamento líquido dos últimos 12 meses e distribuiu 8,8% a título de proventos sobre a cotação atual no mesmo período.
A companhia possui indicadores atrativos da análise fundamentalista próximos à média do mercado após as recentes quedas. Embora o endividamento financeiro líquido seja relativamente elevado (R$535 milhões), dado o novo cenário de aumento expressivo do custo de financiamento e da provável diminuição do nível de atividade empresarial em geral, não há sinais de dificuldades para quitação das obrigações em virtude da folgada liquidez corrente e dos prazos dos vencimentos. Diante da disparada do dólar, destaca-se a informação verificada nas notas explicativas que acompanharam o balanço do 2T08: ?A companhia e suas controladas não aplicam em derivativos ou quaisquer outros ativos de risco em caráter especulativo?.
Considerando os dados acima, que a apreciação do dólar em relação ao real eleva as margens obtidas com as exportações, bem como a possibilidade de as vendas serem afetadas com o agravamento da crise financeira, fica a sugestão de compra das ações da Marcopolo com cautela e uma adequada diversificação da carteira de ações.


