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Boa comunicação não é sinônimo de falar ou escrever difícil. Descomplique e se comunique Felizmente, a época dos grandes discursos pomposos e rebuscados acabou. Hoje, é raro ouvirmos alguém pedir a palavra em um evento somente para ?falar bonito? em discursos ricos de vocabulário e pobres de conteúdo. E mesmo quem se atreve a fazê-lo corre o risco de ser ridicularizado pela platéia.

Atualmente, a grande preocupação é falar para ser compreendido ? e não para impressionar. Por isso, a escolha das palavras deve ser cuidadosa e levar em consideração as características do público como faixa etária, profissão, disponibilidade para ouvir, etc., além das peculiaridades do próprio evento como o grau de formalidade da ocasião, horário de sua fala, tempo reservado a ela e outros detalhes importantes.

Se o seu público for predominantemente jovem, sua linguagem deve ser também. Afinal, a máxima da Teoria da Comunicação lembra que para se efetivar o processo comunicacional, emissor e receptor devem partilhar do mesmo código, ou seja, quem fala e quem ouve devem ?falar a mesma língua?.

O pensamento deve ser igual se o público for de maioria adulta ou idosa, masculina ou feminina ou ainda de determinada profissão. É preciso, por exemplo, estar familiarizado com os jargões de cada grupo. É claro que não se trata de sair falando ?tá ligado? para um grupo de adolescentes ou ?data venia? para uma platéia de advogados. O bom senso deve ser a maior regra.

O mais comum é que tenhamos platéias heterogêneas, formadas por pessoas de idades diferentes, objetivos variados e profissões diversas.

Por isso, na dúvida entre adotar uma linguagem mais sisuda ou contar piadas, o ideal é não exagerar em nenhum dos lados. Uma leve formalidade deve ser adotada, por exemplo, no cuidado com o uso correto da língua portuguesa ? mas sua fala pode e deve, se a platéia for aberta a isso, ter momentos mais descontraídos.

De maneira geral, a escolha das palavras deve priorizar as expressões que sejam de fácil interpretação do grupo. Devemos buscar a coloquialidade falando como no nosso dia-a-dia, evitando expressões pomposas, rebuscadas e que possam provocar alguma dúvida no ouvinte. Ninguém diz durante o café da manhã: ?Faça-me o favor de depositar o vasilhame de manteiga em um local mais próximo da minha pessoa, onde o produto possa estar a meu alcance?. É mais comum ouvirmos: ?Passa a manteiga??.

E é essa mesma coloquialidade que devemos levar às nossas falas em público ? desde que ela não seja desculpa para justificar o emprego de erros de português. Vale aqui uma adaptação da regra do texto escrito: ?Na dúvida entre uma palavra difícil e uma fácil, escolha a mais fácil, e entre duas palavras fáceis, escolha a mais curta?.

Falar difícil pode provocar afastamento, pois o orador pode ser interpretado como pedante pela platéia, criando uma antipatia desnecessária. Se precisar recorrer a alguma palavra pouco usual, a explicação dela deve vir em seguida, mas pense duas vezes se o seu uso é mesmo necessário.

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