Na verdade, ficamos paralisados toda vez que uma criança pergunta coisas como: ?para onde foi a vovó?? ou ?quando eu vou morrer??. Cada religião, povo, família e pessoa em particular têm uma forma de pensar e lidar com a questão da morte. No entanto, é no contato com as crianças, com suas perguntas e aflições, que muitas vezes nos deparamos com a nossa dificuldade em tratar da questão da morte. Chega a ser desconcertante a forma direta com que as crianças se referem a um assunto que em nossa cultura é tratado como tabu ? muitos acreditam que elas não podem ouvir que não temos controle sobre a morte, que as pessoas nunca mais retornarão e que um dia todos morremos.
Na verdade, ficamos paralisados toda vez que uma criança pergunta coisas como: ?para onde foi a vovó?? ou ?quando eu vou morrer??. Mas o fato é que o luto e seus rituais também deve ter seu lugar no dia-a-dia, assim como a separação dos pais, mudança de residência ou de escola, o fim da infância ou da vida escolar, enfim, infinitas outras perdas que vão ocorrendo ao longo da vida.
É bom lembrar que preparar os filhos para viver não é fingir sobre temas espinhosos, mas ajudá-los a encará-los dentro das possibilidades de cada idade. Então, para não ultrapassarmos sua capacidade de compreensão, devemos responder-lhes na medida do que for perguntado, deixando que o desenrolar da conversa parta deles. Não adianta querer consolá-los com subterfúgios ou estaremos doutrinando nossos filhos a substituírem as emoções por ações. Podemos estar lhes ensinando, para aplacar a angústia, a usar a comida, a televisão, o consumo ou até mesmo as drogas (lícitas ou não), para dificultar a árdua tarefa de lidar com a dor.
É inaceitável que um grupo perca uma pessoa querida e o choro e os procedimentos (diferentes em cada comunidade: enterro, cremação, velório e missas) sejam escondidos dos pequenos, pois é muito penoso e prejudicial para a criança viver emoções que não podem ser verbalizadas. E quem melhor do que os pais ou aqueles que delas cuidam para ajudarem a enfrentar temas difíceis da nossa existência? Falar sobre a morte é uma oportunidade importante para revalorizarmos a nossa existência, o nosso tempo, a nossa saúde, as pessoas a quem amamos, enfim, para podermos buscar um significado maior para as nossas vidas.
Frase: “As pessoas são derrotadas muito mais por sucessos fáceis, vitoriosos e baratos do que pela própria adversidade” ? Benjamin Disraeli


