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“A Petrificau00e7u00e3o das pessoas”

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Um dos maiores problemas de alguns empresários que conheço pode ser descrito da seguinte forma: “O fulano é meu representante, ou meu funcionário, há muito tempo; aliás, ele já está conosco há mais de 20/30 anos, e além de já não produzir a contento, ele também não aceita mudanças e evoluções de maneira alguma; ele é um problema sempre que queremos mudar e melhorar qualquer coisa por aqui”.

Por outro lado, escuto desses mesmos representantes e funcionários “idosos” de empresa e na empresa, praticamente as mesmas coisas, ou seja, eles nos dizem: “Estou aqui há mais de 20/30 anos e isso não muda mesmo, não há como se fazer qualquer coisa nova por aqui, pois a diretoria, ou os donos mesmos, não deixam; eles já estão satisfeitos com o que ganharam até agora e não adianta tentar fazer mudanças porque eles são sempre contra”.

Quem, na realidade, está impedindo as mudanças? Temos encontrado casos reais em que o grande problema para realizar melhorias são os “idosos”, mas também temos encontrado casos em que o obstáculo para fazer as mudanças necessárias são os próprios donos da empresa, ou do poder hierárquico dentro dela.

Mas, de qualquer forma, uma coisa fica bastante clara e indiscutível nessas circunstâncias, e ela é a seguinte: “O tempo, na medida em que vai passando, vai se tornando um obstáculo na realização de mudanças, porque vai ””””””””petrificando”””””””” as pessoas e/ou as relações entre elas”. Daí a absoluta necessidade que as empresas têm de receber permanentemente transfusões de “sangue novo” para que, através dele, possa haver uma nova energização positiva em todo o “modus operandi” dela.

Veja dois exemplos claros desse processo de “petrificação”:

1.Um empresário nos relata o seguinte: “O meu representante de vendas do estado ””””””””x””””””””, que está conosco há mais de 20 anos, vendia anualmente cinco mil peças. Eu cobrava mais vendas e ele sempre tinha dezenas de desculpas na ponta da língua. Resolvi então colocar lá um novato, praticamente um garoto que nunca havia vendido nada para ninguém na vida, e esse rapaz, depois de duas semanas de treinamento, vendeu nesse último ano, naquela mesma praça, nada mais, nada menos, do que 160 mil peças.

Qual é o problema? O problema é que, o tempo vai “petrificando” as pessoas e elas vão se acomodando cada vez mais e vão, muitas vezes sem mesmo perceberem, se tornando obstáculos e problemas para a realização de algo novo.

2.Um alto funcionário de uma empresa nos dizia praticamente a mesma coisa ao nos relatar o seguinte: “Estou aqui há mais de 20 anos e já sei que por aqui você só se mantém vivo se se fingir de morto e se concordar sempre com o que os donos decidem; eles acham que sabem tudo e que eu não sei nada; então, o jeito é ir levando da forma que eles querem”.

Qual é o problema aqui? Aqui o problema é que os donos colocaram um “rótulo” nesse funcionário e não lhe dão chance alguma de fazer algo novo porque, ao longo dos 20 anos, acabaram (corretamente ou não) “petrificando” uma imagem que não muda nunca mais.

O que realmente aconteceu em ambos os casos é que o tempo fez o que chamo de “petrificação” da relação entre as pessoas (caso do funcionário) ou entre elas e o trabalho a ser realizado (caso do representante), o que impede que qualquer coisa nova possa ser feita sem que se tenha de “quebrar essas pedras” que o tempo construiu.

Qual a saída para ambas as situações? Entendemos que o sangue novo, ou um novo acordo entre as partes e que as reenergize, se isso for possível, seja a solução; mas o que queremos ressaltar aqui como muito importante é que temos de ter a consciência clara de que, ao longo do tempo, há um momento nas relações de trabalho em que as pessoas deixam de ser “sangue novo” e, portanto, agentes de mudanças, e passam à condição de “petrificados”, e, portanto, impedidores dessas mesmas mudanças que, antes, lutavam para realizar. Essa consciência é importante porque, tratando isso com a devida importância, poderemos trabalhar melhor essa situação e, quem sabe, “despetrificá-la”.

Eduardo Botelho – consultor e diretor do IPEB – Instituto Profissionalizante Eduardo Botelho. Fone (11) 3057-0787. Visite o site: www.eduardobotelho.com.br

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