Ajudar outros vendedores: vale a pena?

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Qual é o limite entre ajudar outros vendedores e ser usado?

Você já teve em sua equipe algum colega gentil, sempre disposto a ajudar vendedores com dificuldade? Ou já se comportou dessa maneira alguma vez? Um de nossos leitores viveu a grande decepção de auxiliar colegas de trabalho e ter como “recompensa” vários de seus clientes tomados. Aos poucos, ele foi percebendo que suas comissões estavam ficando cada vez menores e o número de clientes que atendia estava diminuindo, assim como a qualidade deles.

O leitor foi tão a fundo na tentativa de ajudar outras pessoas que acabou passando parte do seu trabalho para outros indivíduos. Foi aí que ouviu um conselho difícil, porém bastante sincero de um amigo: “Deixe de ensinar, senão você acabará perdendo o emprego”.

Surpresa com essa dura lição de realidade, a VendaMais foi a campo perguntar aos vendedores: vale a pena ajudar colegas de profissão? Ou, no mercado competitivo, ganha mais quem retém o conhecimento? Veja o que descobrimos.

 

“Já vivi a experiência de ajudar os outros. Gastei tempo e conversa inúmeras vezes na busca do resultado coletivo. Algumas pessoas na equipe viam com bons olhos, outras comentavam que eu ‘me achava’ por fazer isso. Bobagem, tudo era desejo honesto e sincero de contribuir. Até que meu diretor disse: ‘Cuidado! Supervisor quebra-galho nunca chega a gerente’. O comentário foi sendo lentamente digerido, quando percebi que inúmeras vezes consertei erros do gerente e ele ficou vendo o circo pegar fogo. Resultado: mudei. Me fechei para alguns e logo a verdade apareceu. O meu chefe era fraco e eu impedia meu próprio crescimento segurando ele. Pouco tempo depois, quem subiu fui eu. Ajudar é bom, mas tem limites.”

Rodrigo Ramos

 

“Na minha opinião, ajudar é sempre importante, mas isso não significa fazer o trabalho da pessoa. Você pode ensinar, dar as melhores orientações, porém a tarefa tem de ser feita pela própria pessoa. E você segue o seu trabalho, porque antes de ser o vendedor camarada, tem de ser um bom profissional, saber dividir a hora para cada coisa e estar atento em verificar quando aquela atitude está lhe prejudicando.”

Elisângela Santos

 

“Já me dediquei e, de tanto ajudar os outros, me dei mal. Hoje, com alguma bagagem, decidi seguir um conselho do meu pai: ‘Nunca ensine tudo o que sabe, pois isso pode se virar contra você’. Agora, passo o estritamente necessário e deixo que a pessoa opte por estagnar ou aprimorar seu conhecimento. Afinal, o que eu sei tive de buscar para aprender. Por que não deixar que os outros também o façam? Isso ajuda na formação de um bom profissional e, principalmente, no desenvolvimento do caráter e da ética. É do ser humano não valorizar o que vem fácil demais. Raramente vale a pena ajudar outros vendedores! Muitos querem crescer usando as nossas cabeças como escadas. Adotar uma postura mais reservada e ‘pouco camarada’ impõe respeito, e não significa falta de espírito de equipe, mas profissionalismo.”

Daniela Ubatuba

 

“Passar nossa experiência para outras pessoas é muito importante e satisfatório. Ver o sucesso de alguém é muito bom e saber que teve parte nisso é ainda melhor, não para encher nosso ego, mas porque proporcionar o desenvolvimento não só profissional, e sim do caráter de alguém, é a melhor recompensa. ‘Nem sempre subimos a escada, mas às vezes temos de ser a própria escada para que outras pessoas possam conhecer o que nos deu sucesso’.”

Aparecido Massarani

 

“Eu tive um caso de um vendedor que gostava de ajudar e ensinar os colegas, era sempre empenhado, focado e vestia realmente a camisa da empresa. Ele buscava sempre conhecimento, crescimento e se reciclava para poder ajudar. Era um ótimo vendedor, mas, depois de alguns anos, as vendas dele começaram a cair. Foi aí que rapidamente percebi a situação, chamei-o para uma conversa e ele foi promovido a supervisor de vendas. Claro que nesse caso o colaborador tinha perfil de liderança, pois, além de ajudar a equipe, também tinha o carisma, a confiança e o respeito de todos. Mas o ponto é: será que esse vendedor que gosta de ajudar não precisa de uma oportunidade? Como gestores, devemos estar atentos e dispostos a alimentar o crescimento de nossos colaboradores.”

Luciano Moraes

 

“Estamos passando por uma experiência positiva nesse sentido. Temos um programa intenso de treinamento sobre técnicas de vendas e atendimento, mas nosso desejo era que os novos vendedores aprendessem, além das técnicas, os macetes que apenas os mais experientes possuem e podem transmitir.

Com isso em mente, desenvolvemos o programa ‘Vendedor Elite’, que visa reconhecer os melhores vendedores e remunerá-los pelo desempenho apresentado. O programa estabelece algumas regras que devem ser cumpridas pelos profissionais de vendas. Após cumpri-las, aqueles de alta performance recebem o status de Vendedores Elite e são remunerados financeiramente, com prêmios extras de acordo com o desempenho. Com o objetivo de desenvolvermos os novos, os Vendedores Elite são motivados a adotarem novos profissionais de vendas e a ensinarem as manhas que eles usam no momento da venda e a transformarem esses profissionais também em Vendedores Elite. Quando o vendedor treinado alcança o status de elite, o Vendedor Elite que ajudou esse profissional de vendas a chegar lá é remunerado com um prêmio extra. Todo mundo ganha.

Desde que foi implementado, o programa vem apresentando resultados muito positivos e todos ficam animados pelas conquistas. Até o momento não presenciamos perda alguma, mas sim muitos ganhos! A equipe é mais unida, o desenvolvimento dos profissionais de vendas é visível e o faturamento continua subindo. Portanto, ajudar outros vendedores vale a pena sim, e muito!”

André Pinheiro de Freitas

 

Comentário do especialista

Osório Roberto dos Santos, psicanalista e consultor de empresas

 

Vale a pena ajudar, mas há uma diferença entre ajudar e ser usado. Não perceber que está sendo usado é uma deficiência e, muitas vezes, a pessoa que está sendo usada não percebe isso porque o ego entra no processo. Não se pode ajudar para parecer um indivíduo bom nem para beneficiar a si próprio. Se a pessoa está muito envaidecida com aquela ação dela, ou seja, se está ajudando alguém e começa a ficar muito orgulhosa disso, ela tem grande chance de ser usada. E essa é uma questão de autoconhecimento.

     A melhor maneira de passar o conhecimento é com exemplos. O discurso vale muito pouco quando comparado com uma ação completa. A vantagem de ajudar outras pessoas é adquirir uma energia positiva, gerar uma química, que fará com que tudo fique mais fácil mais para frente. Há um processo químico, elétrico em nossas células, que, diante de uma sensação de ajuda que damos a alguém, gera horas de bem-estar e elimina uma série de dificuldades.

     A gerência até pode interferir nesse processo, tornando o ambiente mais colaborativo, mas não há uma obrigatoriedade. Quando o clima organizacional é propício para a confiança, a colaboração entre as pessoas vai acontecer naturalmente. E esse clima é determinado pela cultura e pelas atitudes das lideranças da empresa e pela forma como os erros são tratados. O erro pode ser uma grande fonte de aprendizado para qualquer organização, como também pode ser uma grande fonte de estresse.

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